Quando o céu caiu – III

Eu a levei até meu computador e acessei a internet. Eu não achei necessário mostrar para ela ou explicar o que esse aparelho faz e falar sobre a rede. Ela observava ao meu lado e eu supunha que ela devia achar isso tudo muito primitivo. Eu enviei alguns e-mails e acessei algumas páginas falando do acontecido, mas não sobre minha hóspede e aguardei o retorno.

– Eu estou curiosa. Por que você ligou esse aparelho ao invés de usar o seu aparelho na sala?

– Esses aparelhos são diferentes. O que está na sala nós chamou de televisão. Aquilo é capaz apenas de receber sinais de imagem e som enviados de uma emissora. Este que eu estou operando se chama computador. Este é capaz de enviar e receber diversas formas de informação pelos sinais de rede.

– Sua gente constrói tantos aparelhos para executar determinadas funções, mas não conseguiu unificar aparelhos com atividades e funções semelhantes. Seu povo é engraçado.

– A senhora não faz ideia do quanto somos engraçados, curiosos, contraditórios e complicados. Se nós somos tão confusos em relação à tecnologia, a coisa fica ainda mais difusa em relação com a sociedade, a economia, a politica, a ideologia e a religião.

– Mahala. Este é meu nome.

– Muito prazer. Eu sou Durak.

Um aviso de mensagem anunciou que eu recebera uma resposta. Eu estava começando a ler o e-mail quando começou a pipocar janelas do Messenger com outros interessados. Quando eu consegui lidar com tanto público, estava de noite e estávamos cansados. Mas tínhamos conseguido criar uma pequena resistência.

– Melhor nós descansarmos por hoje. Amanhã começamos a planejar as estratégias da resistência.

Mahala balança a cabeça, lentamente, com os olhos quase fechando de sono. Eu a ajudo a levantar e a conduzo até o quarto de hóspedes. Eu estava colocando-a na cama quando eu devo ter tropeçado ou acabei sendo involuntariamente puxado por ela. Mahala dormiu instantaneamente, em meus braços. Eu tentei me desvencilhar, mas ela me agarrava fortemente, eu não conseguia sair e o sono acabou cuidando do resto.

Quando eu acordei no dia seguinte, Mahala estava sobre mim. Completamente nua. Assim como eu. Nós teríamos feito algo enquanto estávamos dormindo? Por mais que eu gostasse de estar nessa posição e nessa situação, eu tinha que levantar e preparar o desjejum. Quando eu tentei movê-la de cima de mim, ela abriu os olhos.

– Oooaho. Bom dia, Durak. Dormiu bem?

– Mahala, olha, não é isso que você está pensando, eu posso explicar…

– Explicar o que? O que precisa ser explicado? Nós dormimos juntos. Você é um macho, eu sou uma fêmea. Nada mais normal e natural do que tirarmos as roupas e termos contato corporal. Embora eu não me lembre do que fizemos.

– Eh? Seu povo tem uma aceitação incomum quanto ao relacionamento, prazer, desejo e sexo. Eu vejo cenas assim apenas em animes.

– Animes? Isto é algo de comer, de beber? Considerando as circunstâncias, imagino que seu povo deve ter conceitos pré-concebidos no tocante ao amor, relacionamento e sexo.

– Anime é um filme de animação feito no Japão com desenhos. Eu gosto de assistir por que a cultura japonesa é incrivelmente mais flexível do que a cultura do meu país.

– Eu imagino que se tem gente de outros países vendo tal produto cultural, é por que, no fundo, desejam tais valores. O que me faz pensar que seu povo, independente do lugar de origem, não consegue lidar com sua libido e pulsões. Daí a necessidade de expressar por meio de arte. A minha gente não tem tantas ferramentas de sublimação. Se isso te deixa tão envergonhado, não se preocupe. Eu não sinto que tenha sido penetrada ou maculada de alguma forma por você.

– Hahaha. Eu imaginei que não. Estávamos tão cansados que nós dormimos, nada mais.

– Nada mais? Acha mesmo que não teria sido possível nós engatarmos um ato sexual? Eu sou tão repulsiva assim?

– Eh? Não, não, não. Não foi isso que eu quis dizer. Evidente que você é bonita e atraente. Apenas não acho apropriado eu me aproveitar de você enquanto você dormia.

– Ah é mesmo? Acha que eu sou bonita e atraente? Então inapropriado não cabe nessa consideração. Um macho saudável quer a mesma coisa que uma fêmea saudável. Eu sou uma fêmea saudável. Mas você será um macho saudável? Espero que sim, pois meu desjejum costuma ser sêmen.

Mahala põe suas mãos em minhas partes intimas que reagem de imediato. Ela olha com surpresa, admiração e recato. Se não fizemos coisa alguma de noite, o faremos de manhã. Mahala teve sua dose de sêmen. Enquanto ela descansava do exercício, eu me arrastei até a cozinha para fazer uma refeição para repormos as energias. O dia apenas estava começando e tínhamos uma resistência para organizar.

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