Quando a Senhora passeou pelo seu Reino

O mundo gira, o sol segue sua jornada, pássaros cantam e os cidadãos do Reino de Gaia começam seus labores. Uma leve brisa sacode as cortinas de um quarto levando o perfume das flores até seus ocupantes. Deva respira fundo, abre os olhos e, com cuidado, se levanta e se esgueira para fora da cama, sem acordar nenhum dos homens que ali repousam com um estranho sorriso estampado no rosto.

Deva prossegue até sua banheira, repleta de líquidos e ervas em infusão, onde ela pode se banhar, limpar seu corpo, recuperar sua pureza e sua juventude. Ela veste seu roupão e vai até a sacada de seus aposentos, para saudar o sol. Observa, contente e feliz, todos seus filhos, todos seus súditos, vivendo suas vidas. Som de guizos anunciam a chegada de sua assistente, sempre alerta, lhe trazendo um desjejum.

– Bom dia Shakti. Como você está hoje? Dormiu bem?

– Sim Vossa Santidade, obrigada por perguntar. Vossa Santidade não deveria se preocupar tanto comigo.

– Não deveria? Mesmo? Isso é uma ordem, Shakti?

Deva gira leve e breve seu corpo, tentando fingir que está séria ou incomodada, encarando sua assistente, mas não consegue manter muito o semblante. A expressão de Shakti, ruborizada, por ver os homens nus ainda no sonho do êxtase e por estar se sentido envergonhada por ter dado uma sugestão para sua rainha faz com que Deva desate a rir.

– V- v- vossa Santidade… não foi minha intenção… e- e- eu apenas acho que não mereço vossa compaixão…

Deva rapidamente se aproxima de Shakti, a abraça e a beija doce e profundamente.

– Shakti… nunca se esqueça que eu te amo. Como eu não posso ter compaixão por ti, se você está sempre alerta, sempre cuidando de mim, sem que eu tenha que te pedir? O que me trouxe nesta manhã, além de sua beleza?

– M- m- minha Augusta Excelsa Majestade… minha beleza é apenas um mero pálido reflexo de Vossa divina presença… e- e- eu trouxe Vosso desjejum. O que eu faço com esses… homens?

– Obrigada Shakti. Eu preciso recompor minhas forças. Faça com estes homens o que sempre se faz. Ou os leve consigo, se quiser se divertir com eles.

– Eh? V- v- vossa Santidade é muito generosa. Eu vou solicitar aos guardas para levarem os homens para fora, até saírem de Vosso sagrado santuário.

– Muito obrigada Shakti. Você é sempre muito eficiente.

– Vossa Santidade é muito bondosa. Antes de me retirar eu devo lhe entregar este pergaminho.

– Um pergaminho. De quem será esta vez? Um herói, um rei ou um Deus?

– Infelizmente, Vossa Santidade, o remetente deste pergaminho é o Sapo Bardo.

– Oh! Entendo. Ele de novo. Mas por que infelizmente, Shakti? Você, mais do que todos, sabe quem eu sou.

– Sim, Vossa Santidade, eu sei. Mas esse Sapo Bardo… as intenções dele… as coisas que ele diz…

– Não deve ser muito diferente do que todo homem pensa ou diz, quando me conhece.

– Vossa Santidade, como Vossa assistente eu tenho o dever de ler as missivas. O Sapo Bardo tem a ousadia de convidá-la a visitar Vosso reino.

– Mesmo? Eu não me lembro de ter te dado tal autorização… brincadeira! Sabe que é uma ideia interessante? Afinal, tantos vieram até aqui, devem ter tido um bom motivo. Você nunca se perguntou por que tantos homens me procuram, Shakti? Nunca se perguntou por que eu aceito todos? Nunca se perguntou o que aconteceu com cada um deles depois que daqui partiram?

– V- v- vossa Santidade! Não cabe a mim tais pensamentos! Eu nasci aqui, como muitas de minhas irmãs, servimos a esse Santuário Sagrado e aceitamos Vossa santa doutrina.

– Entendo. Então, você, que é mais próxima de mim, também tem inveja, ciúmes e dúvidas. Oh, Shakti, sua boba. Se queria tanto conhecer esse mistério que tanto os homens buscam, era só pedir.

– V- v- vossa Santidade… pare de me abraçar, de me alisar, de me acariciar, de me beijar… ah… vossa santidade…

Trêmula, Shakti sente seus sentidos afundarem em enormes ondas de poder, prazer e êxtase. Com um pouco de paciência, ela servirá bem como futura sacerdotisa e sucessora de Diva. Shakti apenas precisa perder o medo de ser feminina, sensual, sexual. Shakti apenas precisa perder o medo de seu corpo, do desejo, do prazer e dos homens.

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