Aonde vais, Senhora?

Shakti acordou quando percebeu que estava sendo removida. O guarda viu que ela havia recobrado a consciência e a colocou no chão e se retirou. Shakti procurou por Deva e a encontrou próximo do closet, vestida com roupas de passeio.

– Vossa Santidade, me perdoe por dormir em serviço e por não estar ajudando Vossa santidade a se vestir. Vossa Santidade pretende sair?

– Ah, você acordou Shakti. Não se preocupe com isso. Sua reação é bastante natural e eu ainda sei me vestir sozinha. O Sapo Bardo tem razão, eu tenho que fazer mais as coisas por mim mesma, sair, me aventurar. Eu quero ver o que aconteceu com aqueles que receberam minha revelação.

– Vossa Santidade, perdoe-me se eu Vos pedir para não fazê-lo. Eu tenho recebido relatos de populares, soldados e viajantes sobre o mundo que existe fora deste santuário. Eu temo por sua segurança, por sua saúde e por sua integridade.

– Então eu sou uma péssima regente, Shakti. Seja quem sejam os homens que tem a coroa, a mitra, a espada ou a letra, eu sou a regente e soberana de todos eles. Eu devo corrigir os abusos e injustiças.

– Perdoe-me, Vossa Santidade, eu não quis insinuar que Vós sejais uma regente não adequada para o trono. Mas eu Vos peço que me permita seguir contigo, junto a um destacamento de soldados.

– A ideia é boa, Shakti. Viajar com alguns meninos seria bem mais divertido. Mas eu não gosto de ostentação e não creio que haja alguma coisa ou alguém que possa me causar prejuízo. No entanto, eu quero que me acompanhe. Eu acho que está na hora dessa história ter uma heroína.

– Vossa Santidade é muito bondosa. Eu irei preparar uma carroça de viagem. Eu vos peço que use os corredores secretos para não causar tumulto no santuário com Vossa saída.

– Pode ir sossegada, Shakti. Os servos do santuário não irão ficar perturbados com minha saída. Minha presença continuará com todos.

Shakti faz uma silenciosa flexão, visivelmente nervosa e envergonhada por ter dito o que disse, condenando-se e culpando-se. Saiu em seguia, em passos rápidos, em direção às cocheiras, para aprontar tudo. Deva a seguiu com os olhos por alguns instantes, sentindo pena e compaixão por ver sua amiga e assistente ainda tropeçar em coisas tão pequenas.

A rainha não demora a chegar à cocheira, mas passa direto pela carruagem real e prefere uma carruagem de campanha. Alguns soldados e plebeus se aproximam, oferecendo-se para escolta-la, mas são dispensados dessa missão. Deva subiu na carruagem de campanha e sentou no estribo do condutor, sinalizando para Shakti assumir a direção. Ela estava decidida a fazer esta jornada, apenas com sua amiga. Shakti deixa escapar um pouco de contrariedade e resistência, mas sua devoção faz com que ela aceite a circunstância e seu lugar nesta jornada. Shakti dá o comando aos cavalos e a carruagem começa a se mover, mais alguns instantes e atravessam os portais dos muros externos.

– A partir daqui começa o mundo externo, Vossa Santidade. Para onde deseja seguir?

– Meu coração palpita, Shakti. Eu não sei! Que sensação engraçada! O que você sugere? Algum vilarejo ou cidade que você conheça, que goste ou deseja conhecer?

– Vossa Santidade, o homem dividiu este mundo em quatro reinos. O reino do norte, o reino do sul, o reino do leste e o reino do oeste. Os relatos mais preocupantes vêm do reino do sul. Parece que surgiu um novo credo que tem causado medo, discórdia, ódio, guerra, destruição.

– Interessante. Um novo credo? Então existe outro santuário e outro Deus ou outra Deusa? Isso é divertido! Vamos até lá!

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