O tempo certo é o seu

Quantas vezes durante a infância você teve que ouvir dos pais que era “nova demais” para fazer alguma coisa? Para as moças que tinham vontade de usar maquiagem ou pintar o cabelo, quase sempre era dito: “você é jovem demais, vai estragar sua pele/seu cabelo!”. Aí, pouco tempo depois, quando rolava aquela preguiça de levantar para arrumar o quarto ou lavar roupa, o papo mudava: “mas desse tamanho?! Já é grandinha demais para não fazer essas coisas, tem que aprender a cozinhar!”.

São nessas horas que rolam aqueles pensamentos de “ai, como eu queria ser adulta, não precisar dar satisfações a ninguém, ser dona do meu nariz”, que de vez em quando conflitam com “ai, que saudades de quando eu era criança, melhor época, eu não precisava me preocupar com nada porque faziam tudo para mim”.

Os cartazes que a gente vê na rua ou comerciais de TV anunciando a velhice como a “melhor idade” também não ajudam. A gente fica sem saber qual o melhor momento para se estar viva e, assim, perdemos o presente de vista com tantas preocupações.

Vou te contar um segredinho: a sua melhor idade é a de agora.

O melhor momento para se fazer o que se quer fazer, tomar as próprias decisões e assumir as responsabilidades que lhe cabem é agora, pois o futuro que tanto desejamos nos é incerto e, quando chegarmos nele, ele vira o presente. Louco, né?

Tempo é relativo. A gente acha que sabe de tudo e logo depois… Puff! Aprende coisa nova e seu “eu” daquele momento parece uma pessoa completamente diferente de quem você é agora.
À medida que crescemos, as situações mudam e vamos tendo que aprender, do nosso jeito, a andar com as próprias pernas – ou assim acreditamos. Por sermos seres sociais, estamos sendo constantemente influenciadas pelas pessoas com quem convivemos e pelo ambiente em que nos encontramos. Por mais que acreditemos que uma ideia teve origem nos nossos próprios pensamentos, sempre houve uma influência externa que nos levou a ter aquela ideia. Com as nossas decisões também acontece assim: digamos que eu queira tomar sorvete, mas porque minha melhor amiga tem nojo (trabalhemos aqui com a possibilidade de alguém ter nojo de sorvete (!)), eu prefiro não fazê-lo. E assim vai. Principalmente na adolescência, que é quando mais procuramos aceitação e a necessidade de se encaixar é maior.

Então, como saber exatamente o que fazer quando existe tanta gente me dizendo para fazer coisas diferentes? É aí que voltamos àquele momento inicial: enquanto para alguns eu sou “nova demais” para isso, para outros eu já estou “crescidinha demais” para não ter feito aquilo… É complicado.

Não existe tempo “certo” ou “errado” para viver suas experiências. Cada pessoa é diferente – consequentemente, as formas de entender o espaço ao seu redor, de amadurecer, de processar as situações e de reagir às experiências serão sempre diferentes. Enquanto sua amiga se sentiu segura o suficiente para perder a virgindade aos quinze anos, pode ser que você não tenha sentido essa vontade até os vinte (ou o inverso). E tudo bem, porque não existem regras quando o assunto é ser humano. Somos complexos demais para sermos limitados tão categoricamente.
Algumas pessoas chegam a acreditar que, por agirem de forma mais madura do que se espera para determinadas idades, estão à frente do seu tempo – mas se cada um tem seu tempo pessoal, como é possível estar à frente dele?

Lembra que lá no começo eu disse como o tempo passa e a gente nem percebe? Então. É importantíssimo ter uma ideia do que você quer fazer no futuro, de quais são os seus objetivos gerais. Porém, mais importante que isso é apreciar o momento em que se está e desfrutar a idade que se tem, pois você só terá a oportunidade de vivê-la desse jeitinho uma vez.

Autora: Luciana Rodrigues.

Fonte: Revista Capitolina

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