O caso Keller – IV

Magritte almoça em um self-service barato no centro da cidade e sua investigação tem levantado mais dúvidas e perguntas do que suspeitos. A casa e estúdio de Mansfield mostrara que ele não fazia jus ao seu status como grande artista. Então como explicar sua riqueza? Como ele mantinha tantos bens e mordomias? Como pagava suas contas? Como o finado não podia responder, depois do almoço Magritte foi até o banco onde Mansfield recebia suas comissões pela sua arte. O inspetor achou muito suspeito que era um banco popular. Não foi difícil nem complicado entrar na agência e falar com o gerente.

– Bom dia senhor Rayman. Eu gostaria de lhe fazer algumas perguntas, se não for incômodo.

– Bom dia… hã… inspetor Magritte. O senhor veio aqui por causa da morte do senhor Mansfield, eu suponho.

– Exatamente. O que nós conversarmos deve ser mantido em sigilo. Minha investigação me trouxe até aqui e algo me incomoda. Como o senhor Mansfield se mantinha?

– Ah… vejo que o senhor viu suas… obras. O senhor Mansfield sempre requisitou empréstimo e crédito especial para comprar materiais, suas performances e exposições. Diversas vezes as contas foram pagas na data limite. Doações de particulares, colecionadores, admiradores e mecenas. Se o senhor Mansfield fazia alguma coisa que compensasse tanta generosidade, eu nunca vi.

– O senhor poderia me fornecer os nomes e endereços destes colecionadores e mecenas? Talvez eles possam ter algo.

O gerente vai para uma parte interna do banco, parece falar com alguém no telefone, visivelmente nervoso. Cinco minutos depois, uma longa lista de empresários, empresas e acervos de arte. Todos os filantrópicos amigos do finado. Magritte conhece alguns, envolvidos em lavagem de dinheiro e coisas mais pesadas. O inspetor estava ficando enjoado de ter que falar com esses aristocratas fajutos. No entanto um nome chamou a sua atenção. Jane Raebeth. Esse nome estava em um dos dossiês que ele achara na casa de Mansfield. Ele achara a mulher.

– Obrigado senhor Rayman. Mais uma coisa. O senhor Mansfield por acaso vinha de família rica ou tinha herança?

– Bom… o senhor não pediu, mas eu vou lhe dar as fichas do cadastro do senhor Mansfield. O senhor mesmo irá perceber que ele era um pé rapado, um mendigo, um Zé Ninguem.

Magritte agradeceu, pegou discretamente as fichas com o gerente e saiu do banco, com a nítida impressão de que estava sendo seguido. Mansfield, Nathan. Idade, filiação, escolaridade, não diziam muito. O endereço domiciliar sim. Albergue Dominicano. O ilustre e distinto senhor Mansfield teve um tipo e estilo de vida incompatível com a que deixara. O inspetor anotou o endereço do albergue para visitar depois. Primeiro… serchez la famme.

Magritte entra em um onibus, se mistura entre os passageiros, desce junto com mais outros cidadãos. O bairro de classe média tem uma aparência bem mais agradavel do que onde fica sua kitnet. Casas pré-fabricadas, cada qual clone da vizinha. Na rua, é possivel ver crianças brincando. Muitas senhoras penduram suas roupa em varais. Cahorros latem. Clichê tipico de filmes americanos. Bate na porta do numero 714. Uma voz feminina, suave, porém forte, responde.

– Já vou! Sim? Quem é?

– Bom dia senhora. Eu sou o inspetor…

– Lou! Há quanto tempo! Lembra de mim? Fomos colegas de escola!

Magritte parece imobilzado no tempo e espaço. Raebeth. Era a sua Rae.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s