O caso Keller – II

A noite de Magritte na Pinacoteca foi exaustiva. Anotou todas as evidências e observações da perícia forense. Anotou os nomes dos convidados. Anotou os nomes dos funcionários contratados para o evento. Anotou os nomes dos jornalistas. Ele precisaria de um HD externo para memorizar todos os nomes do público em geral, pessoas que estavam lá por terem pago o ingresso ou para protestarem contra a exibição. O sol lançava seus raios por cima da Aurora, mas Magritte ainda queria falar com a dona do acervo, isto se o governador deixasse. O inspetor os encontrou ainda conversando no bar da Pinacoteca.

– Bom dia senhor governador e senhora. Por gentileza, senhor governador, eu poderia falar com a senhora?

– Você está bem, Vera? Acha que tem tempo para falar com o inspetor?

– Obrigada, governador Parker, eu estou bem. Eu acho importante eu falar com o inspetor se queremos solucionar esse crime.

– Ela é toda sua, Magritte, mas atenção! Trate bem dela, não seja grosseiro.

O governador deve ter ouvido o comissário diversas vezes. Em outra situação, a frase do governador poderia ter sido interpretada de forma inconveniente. O sorriso da proprietária da Pinacoteca foi rápido, mas a piada estava feita.

– Bom dia senhora. Eu sou o inspetor Magritte. A senhora poderia responder algumas perguntas?

– Mas é claro. Lou, certo? Eu me chamo Vera. Eu detesto essas formalidades.

Como se estivesse na Academia de Polícia, diante de um professor, fazendo uma chamada oral, Magritte repete as perguntas de praxe em uma investigação criminal, como se fossem um mantra. Vera, ou melhor, a senhora Keller, respondia com a mesma apatia, como se estivesse falando de frivolidades com a vizinha.

– Muito obrigado senhora Keller. Eu poderei voltar a perguntar mais coisas, conforme o andamento da investigação.

– Só isso? Poxa que chato. Venha quando quiser. Seja para a investigação, seja para conversar. O senhor deve ter outro comportamento, fora de suas obrigações como inspetor.

– Todos nós temos, senhora Keller. A solução de um caso reside naquilo que se observa de um indivíduo em sua vida comum.

Magritte se despede da senhora Keller e volta à sua kitnet. Precisa dormir antes de revisar as anotações e visitar possíveis suspeitos, embora ele não tenha um sequer. Como diz o manual, procure a mulher. Mas qual?

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