O caso Keller – I

Noite de estréia na Pinacoteca de Murano. Diversas autoridades, artistas, jornalistas e publico em geral. Pela primeira vez o grande artista Mansfield exporia sua arte contemporânea. Seu estilo unico e controvertido foi proibido em vários acervos, ele foi preso e condenado em vários países do dito Mundo Livre. Ele definia sua arte com o espelho da verdade que a sociedade tenta ocultar. Que cabia ao publico saber ler as pistas e descobrir o segredo.

A anfitriã da Pinacoteca, Vera Keller, inaugura a exposição e os presentes vão expressando sua indignação ou incompreensão a cada peça. O governador, católico fervoroso, não gostou e foi exigir explicações à dona da Pinacoteca, levando consigo o comissário de polícia para prender Mansfield. Vera tenta atrapalhar e atrasar a fúria do governador, mas o comissário consegue chegar até o camarim onde Mansfield deveria esperar por sua deixa.

A porta está fechada ou obstruída. Com a ajuda de alguns policiais, o comissário entra no camarim e encontra Mansfield morto. Sem pensar, ele pede aos seus subordinados para resguardarem o perímetro. Tira o smartphone do bolso do paletó e faz uma ligação.

– Inspetor Magritte? Aqui é o Comissário Gordon. Venha para a Pinacoteca. Eu tenho um corpo para você.

Lou Magritte atendeu a ligação de sua kitnet. Ele é o mais jovem inspetor da Polícia de Touroun. Ele e o comissário não são muito próximos. Havia trabalhado com o comissário quando este era delegado, no 33º DP como soldado da PM. Viviam às turras. Quando entrou para a Academia de Detetives, Gordon lhe havia dito que ele não tentasse virar um Bruce Waine. Quando foi nomeado comissário, havia ligado para ele apenas para lembrá-lo que ele era o chefe. Com tantos inspetores, por que Gordon chamaria justo ele? Magritte sentia que estava entrando em uma armadilha, mas foi mesmo assim.

Quinze minutos, Magritte se aproxima da faixa de isolamento da polícia, se identifica, entra e se dirige para o local do crime. Ele vê o comissário ao lado do governador e da senhora Keller. Magritte vê bem aonde se meteu. O comissário Gordon quer que ele fracasse. O governador vai dificultar a investigação, especialmente tendo alguém da Alta Sociedade envolvida. Pela fresta da porta, Magritte vê o corpo da vítima e conta vinte facadas.

– Boa noite senhor governador, comissário, senhora. O que temos aqui?

– Senhor governador, acompanhe a senhora Keller até o bar. Nós assumimos daqui. Lou, este é o corpo que te prometi.

– Sua promessa foi a de que eu não iria jamais ser inspetor.

– Ora, Lou, isso foi antes. Nós crescemos, mudamos de ideia. esse aí deitado é o Mansfield. Esta noite seria a estréia da exposição dele na Pinacoteca.

– Vinte facadas. Esposa? Amante? Alguma admiradora ou estudante que por acaso o finado tinha relacionamento?

– Foi por isso que eu te chamei, Magritte. Ele é dos seus. Sua gente adora desvios sexuais, aberrações, promiscuidade. Ele tem centenas de processos por apologia à prostituição, amor livre, poliamor e inclusão etária.

– Eu devo lembrar, Gordon, que os desvios existem por que gente carola como o governador, incentiva, apoia e protege a Igreja, a repressão e opressão sexual.

– Podemos discutir sobre isso em outro momento, Lou. Eu estou de dando uma oportunidade.

– Uma oportunidade que sabemos que você espera ver fracassar. Ou prefere falar disso também em outro momento?

– Que droga, Lou. Faça seu serviço.

– Eu sempre fiz.

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