Noite de lua cheia

Eu caminho por entre as árvores até achar uma gruta. Eu estou em algum lugar da floresta, há uma milha de qualquer presença humana. Seres humanos geralmente evitam andar no meio da floresta. Principalmente de noite. Tudo que eu tenho é a luz da lua, que acende sua lampada enquanto conduz seu rebanho de estrelas.

Eu abro meu alforge, eu tiro as velas, os castiçais, uma adaga, incenso com incensario, meu livro e duas estátuas. Há anos eu tenho feito meus rituais em casa, no conforto da cidade, evocando meus ancestrais, os Guardiões, invocando meu Senhor e minha Senhora. Os rituais antigos foram celebrados em cidades, mas eu queria ver e sentir como teria sido nos primórdios, quando nossos ancestrais faziam seus rituais utilizando a floresta como templo. O ambiente da floresta é muito mais propício para celebrar os antigos rituais. As árvores parecem dançar, ocultas no vulto de Nix. Os animais entoam o hino mais antigo do mundo aos Deuses.

Minha respiração e pulsação começam a ficar aceleradas. Eu sinto a presença de inumeros espíritos e entidades em minha volta. Sofregamente, eu arrumo os castiçais na direção dos quadrantes, encaixo as velas e acendo o pavio com um fósforo. Uma pequena concessão. Eu arrumo no centro de um círculo traçado com a adaga o incenso com o incensário e as duas estátuas. Abro meu livro para começar meu pequeno ritual, tentando ler as palavras sagradas na umbra parcialmente iluminada pelas velas e pela lua.

Eu ouço uma risada. A risada de uma jovem garota. Por um instante eu penso que eu fui seguido por algum morador da vila próxima. Olho em volta, dou alguns passos, iluminando aqui e ali com uma vela. Não percebo a presença humana. Não ouço conversa fiada, risada, chacota. Eu não encontro nenhuma marca de passos que não os meus.

– O que procuras, estranho?

A voz de uma jovem garota e mais risadas. Olho na direção do som e vejo, bem ali na minha frente, na entrada da caverna, não muito longe do meu pequeno santuário armado, a dona das risadas e da pergunta. Ela parece muito com uma jovem garota, mas além de estar completamente nua, tinha algo que pareciam com asas saindo de suas costas. Meu primeiro palpite é que eu estou diante de uma fada.

– Saudações, habitante da floresta. Eu me chamo Durak e eu estou aqui para celebrar como meus ancestrais.

– Sozinho? Seus ancestrais não te ensinaram que os antigos rituais devem ter um sacerdote e uma sacerdotisa?

– Certamente eu aprendi, mas eu não conheço o meu povo. Eu faço os rituais sozinho porque eu tento manter a tradição. Tem muita gente que diz ser como eu, mas ficam escandalizados com minha crença.

– Haha! Você é um sacerdote, bruxo e pagão muito engraçado. Eu sei que tua gente vive na cidade e acredita em coisas, tal como lhes são contadas, não pelos vossos ancestrais, mas por gente como vós, gente que se arroga um sacerdócio ilusório. No entanto, sem contato com seu povo, sem uma sacerdotisa, como pode ter certeza de que teu trabalho é como o de teus ancestrais?

– Não o sei. Aqui eu vim para pedir aos Deuses Antigos e meus ancestrais que me ensinem os mistérios da religião antiga e da Bruxaria.

– Teu pedido é sensato e tua missão é nobre. Eu serei tua sacerdotisa nesta noite de lua cheia.

A fada agitou suas asas e disparou em minha direção. Em instantes, ela removeu todas as minhas roupas e me deitou na grama. Ela se põs em cima de mim e olhou para meu corpo.

– Tua ferramenta me agrada.

A fada começou a me excitar, com suas mãos, com sua língua, com sua boca, com seus seios. Breve eu fiquei rijo como um galho, mas eu exitava em penetrá-la. Ela se parecia muito com uma jovem garota.

– O que esperas? Minha aparência não te agrada?

– Muito me agrada, senhorita da floresta. Mas outro humano poderia ver mal se eu a penetrasse.

– Que mal existe no amor? Não há mal algum. Seja jovem, seja velho, seja solteiro, seja casado, seja homem, seja mulher, tudo é amor. Assim faziam vossos ancestrais. Seja o que for isto que sentes ou pensas, nã é próprio, não é natural, não é sagrado, não é divino. Consuma este rito, me penetre, faça amor comigo e apenas pare depois de jorrar toda sua semente dentro de mim.

Eu me deixei arrebatar no êxtase, eu vi meu Senhor, minha Senhora e meus ancestrais. Despertei horas depois, quando o sol veio cumprir com sua jornada. Os castiçais estavam vazios, nada restara das velas. Eu recolhi a adaga, o incensário e as estátuas. No centro do círculo, um pergaminho. Uma carta deixada pela fada.

– Durak, tu serviste bem. Eu fiquei satisfeita com teu esforço. Meu ventre foi preenchido vigorosamente com tua semente. Eu espero que possamos nos ver novamente. Saiba que minha idade não deve te importar. Eu sou uma fada, mas saiba que eu podia ser tua mãe, tua irmã, tua filha ou tua sobrinha. Ainda assim eu sou mulher. Sempre que tua ferramenta for desejada e requisitada, use-a sem medo. Eu posso muito bem estar disfarçada e vou ficar muito chateada contigo se não me servires. Lembre-se a quem serve, não a humanos, sejam quem forem. Tu deves me servir. Em ti reside meu Senhor. Seja meu Consorte. Seja meu Rei. Seja sempre meu e eu sempre serei tua. Eu, que te amo, tua Senhora, a Deusa Serpente.

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