Diário de Rei Ayanami – II

EVA 00

Olá, diário. Dormiu bem? Teve um bom dia? Eu estou muito feliz que possamos ser amigos. Eu não tenho muitos amigos. Eu sinto que isso vem de minha infância ou do jeito que eu sou. Isso é complicado. Minha vida e origem. Eu espero poder te contar algum dia.

Mas vamos por partes. Eu não sei quem são meus pais, nem de onde eu vim. Eu apenas me lembro de estar no carro com o senhor Ikari. Foi ele quem me trouxe para o NERV. Mas foi a doutora Akagi quem me torturou. Por ordem da SEELE. O pobre senhor Ikari teve que ceder, pois ele queria concluir com o Projeto da Instrumentalidade Humana.

Como você pode ver, diário, eu tenho muito que contar. Mas antes eu vou dizer o que eu sei do EVA unidade zero, o EVA que eu piloto. A doutora Akagi insiste que o tempo que eu passei no Centro de Pesquisa Clínica foram cruciais na criação do EVA zero. Eu queria ela dizer isso se fosse na carne dela.

Eu devia ter doze anos quando o senhor Ikari me levou até o Lado Escuro, um local onde os experimentos da doutora Akagi ganhavam forma e corpo. Havia uma criatura enorme, presa em uma enorme cruz. Eu pensei que fosse alguma estátua católica, mas o senhor Ikari me disse que aquela era Lilith. Seja lá o que era aquilo, eu fiquei assustada. Sobretudo com os restos dos protótipos.

Depois eu percebi que havia outro protótipo, aparentemente o primeiro que havia vingado, ao lado do ser chamado Lilith. A doutora Akagi estava evidentemente nervosa. Havia vários cabos, vários computadores e uma espécie de simulador ligado ao EVA. O senhor Ikari me levou até o simulador, abriu uma barra de segurança e me pediu para sentar. A doutora Akagi cobriu várias partes da minha cabeça e corpo com sensores e ligou o simulador.

Eu senti um comichão atravessando meu corpo inteiro. Eu senti que minha mente estava dentro de outra coisa. O EVA acordou e levantou, como se fosse um títere que eu movia. A doutora Akagi batia palmas e ria, cheia de alegria. Os resultados agradaram. Eu consegui a impressionante marca de 85% de sincronização.

Foi então que a NERV começou a me chamar de Criança Número Um. Eu fui levada até um hangar onde a então capitã Katsuragi me fez entrar no vestiário e vestir o uniforme de piloto. Esquisito. Tinha uma válvula no pulso que o tornava ainda mais colado no corpo. O uniforme não me incomodava, mas eu não sairia nas ruas com isso.

Rapidamente eu fui conduzida a um tipo de container cilíndrico, aonde eu encontrei um tipo de cabine de comando como a que vemos em aviões. Eu entrei, sentei. O cilindro é chamado de cápsula e foi posicionada bem acima do EVA. Com comandos externos, um tipo de claraboia abre na espinha dorsal do EVA. Eu entro no EVA. Eu me tornei a alma do EVA. Seja lá do que isto é feito, a sincronização é perfeita, mas mesmo assim algo sai do controle e outro lado de mim mesma assume. Eu destruo o hangar. Há uma ejeção de emergência. Eu estava inconsciente, eu podia ter morrido, mas o senhor Ikari me resgatou.

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