Sexo de todos com todos

O feminismo está com os dias contados. O movimento gay também, ao menos no Ocidente. As bandeiras que tais movimentos sustentam não irão desaparecer, mas elas perderão força acentuadamente dentro dos próximos dez anos. Isso não ocorrerá por causa do fim do preconceito segundo os objetivos das agendas dos grupos de pressão, mas por meio de uma revolução subcutânea que já é possível de ser detectada.

Essa revolução está se mostrando sutilmente, para quem quer ver. Garotas e garotos que estão entre 15 e 22 anos estão dando as cartas da “nova onda”. São pessoas que praticam o sexo casual, ou mesmo os chamados “amores de verão”, e que não amam “homens” ou “mulheres”, mas “pessoas”. “Eu gosto de pessoas” – diz uma dessas garotas. E ela continua: “não sei o que é homem ou mulher, sei o que é uma pessoa, e se me interesso por vários dotes de uma pessoa e ela me dá tesão, eis aí alguém que pode render beijo ou sexo em geral ou até um namoro longo”. Essa fala está longe de ser isolada e mais distante ainda da ideia do “bissexual”. Não há sexo “masculino” ou “feminino” nessa fala, e nem mesmo gênero. As palavras “homem” e “mulher” pronunciadas aí não tem outra função senão a de tornar a frase inteligível. O que a garota quis dizer com isso é: “pessoas me interessam”.

No contexto dessa mudança de gosto e comportamento, corre junto o desaparecimento da importância das “discussões de gênero”. Elas perdem o sentido. Aliás, para tais jovens, elas já não fazem sentido. A palavra “machismo” nem mesmo consta do vocabulário desses jovens. Quando algum deles não é bem servido no bar, a última coisa que irá fazer é acusar o barman de machismo ou homofobia. Eles vão chama-lo de perdedor de dinheiro, de barman não profissional. A redescrição ocorre de uma maneira tão rápida e espontânea que ambas as partes do conflito já não estarão se dando conta que estão conversando de modo diferente. Quem anda e perambula por aí, vagando pela noite em lugares de juventude, presencia essa situação de uma maneira mais frequente do que há dois anos.

Será engraçado perceber, também, o caráter reacionário das lideranças de minorias. Aliás, em algumas situações, esses elementos de vanguarda já soam como sendo de retaguarda. Levantam questões que não importam mais. Muitos envolvidos em conflitos já não caminham por meio de reações que as vanguardas de minorias caminhariam. Não recorrerem a questões do feminismo ou a questões de discriminação de mulheres para se defender. Começam a se defender como se vivêssemos na mais pura e real vigência do regime liberal, mas entre pessoas de iguais direitos efetivamente cumpridos. A intimidação não conta e até mesmo se, por um acaso, alguém no meio da discussão lança um “bicha”, “lésbica” ou “mulherzinha”, isso passa batido. Aquele que seria ofendido simplesmente não entende tais palavras como contendo potencial de agressão. Claro que sabe que pode ser uma agressão, mas isso não lhe bate no coração como até pouco tempo as  minorias ensinavam a todos que acontecia.

Efetivamente o que está ocorrendo é algo que ninguém esperava. A revolução educacional dos sentidos e sensações e também a alteração na busca de prazer está simplesmente dando um banho na esperada revolução feita à base de ideologia.  A vitória do feminismo e do movimento gay virá no decreto de sua diluição por conta de uma reação … de pele. Falaremos talvez de “novos hormônios”, ao menos para aqueles que adoram, sempre, usar de uma terminologia mais “física”, por que acham que falam de modo mais real assim!

Claro que essa revolução tem a ver com a luta contra preconceitos, é em parte fruto dessa luta. Uma vez baixada a guarda, as crianças que viveram sob menor alerta para com o tal do “preconceito”, agora começam a chegar idade adulta, jovem, e estão mais abertas no sentido de olhar para as figuras do mundo. Aliás, é bom lembrar, estamos fazendo algo assim também na nossa relação com os animais, em especial os cachorros.

 Aquilo que é visto com mais um ser no mundo, como mais um igual, logo também é elemento que desperta afetos. E o que desperta afetos desperta afetos de ordem sexual também. Na verdade, o fim do feminismo e o fim do movimento gay será apenas a ponta do iceberg de uma transformação que vem dando passos mais velozes do que se podia imaginar há pouco tempo. Daqui a vinte anos estaremos amando mais coisas e fazendo sexo com mais elementos do mundo de uma maneira muito curiosa. Estaremos nos casando com ETs, nós mesmos, todos com todos.

Fonte: Paulo Ghiraldelli Jr.

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