Eu escolhi dar

EED

Nós temos mesmo escolha? O que realmente se pretende, quando um pastor cria a comunidade “Eu Escolhi Esperar” no Facebook?

Nada incomoda mais o Estado, a Sociedade e a Igreja do que o direito sexual. Incomoda porque cada um se acha no direito, na obigação e na autoridade de se intrometer na vida sexual do indidíduo.

Aqui deve-se deixar de lado ações que são de interesse público, que visam a saúde pública. O que deve ser discutido é a inconcebível celeuma que tem causado leis que garantam os direitos LGBT. A resistência de setores ligados ao fundamentalismo cristão demonstra como o Estado Laico é incompatível com o fundamentallismo religioso.

A Sociedade vive uma moral dúbia, quando não hipócrita. Mantem-se o padrão puritano e vitoriano, onde a mulher deve cumprir com o papel de dona de casa, virtuosa, ao mesmo tempo em que impõe padrões estéticos irreais e impossíveis de se alcançar. O que mais se vê em propaganda, novela e outros programas é um elogio ao tipo de mulher ao qual não se foi educado para ser. A mulher é educada para ser a Amélia mas a Midia patrocina a Messalina.

Para o homem, tanto pior. Nossa educação sexual vem de revistas adultas masculinas, que incrementam a idéia e o ideal de que o macho deve ser dominante, deve ser um garanhão, deve ser promíscuo. Vivemos e somos induzidos a um mundo fantasioso onde toda mulher é sexualmente liberal e ativa, quando a pressão social na mulher vai em outra direção.

Hipocrisia maior se dá no campo do amor, sexo e relacionamento. O padrão oficial, o aceitável é a monogamia, ao mesmo tempo em que se tolera a prostituição e troca de casais. Pesuisas recentes mostram o obvio – mulheres tem buscado mais sua satisfação e felicidade sexual, com outros parceiros que não aquele com quem se casou.

Sessenta anos depois da Revolução Sexual, ainda nos debatemos com o recalque e o puritanismo imposto pelo Cristianismo. Ainda nos deixamos ser influenciados pela Mídia, que espalha e distribui diversas histerias e paranóias. Ainda nos mantemos na negação de que a criança e o adolescente possuem sexualidade.

Somos adultos sexualmente reprimidos e desfuncionais. Por isso há tanta violência física e sexual. Por isso há tanto estupro. Por isso se equipara a pedofilia com a homossexualidade.

Este é o cerne da razão pela qual aparecem pastores, ora tentando incluir a comunidade LGBT, ora tentando controlar a sexualidade alheia. Tudo é uma questão de manter o poder e a influência da Igreja sobre o corpo, o desejo, o prazer e o sexo, vistos como inimigos.

Nós e apenas nós temos o direito, o poder e a autoridade sobre nosso corpo, nosso desejo, nosso prazer.

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