Arquivo mensal: fevereiro 2015

A aposentadoria do bode – III

Quando Djed voltou para sua casa a noite estava alta. Djed nem percebeu, o sono chegou e o carregou. Acordou apenas no dia seguinte, a campainha tocando. Era Pinkie novamente.

– Jediii! Eu trouxe mais amigas!

Pinkie estava colocando apelido nele. Djed não ligava, sabia que jovens são assim. Olhou pela janela e Pinkie trazia consigo um pegaso amarelo, um unicornio branco e um pônei amarelo.

– Olá, Pinkie. Quem são suas amigas?

– Didi, esta é Flutter Shy, esta é Rarity Belle e, por fim, Apple Jack.

– Saudações, senhoritas. Eu sou Djed.

– Tarde moço. Se quiser ter mais sossego, pode vir para minha fazenda. Eu sou Apple Jack.

– O prazer é nosso. Se quiser roupas ou assessórios, eu faço para o senhor. Eu sou Rarity Belle.

– Hã… olá senhor Djed… eu sou Flutter Shy.

– Agora a turma está completa! Vamos fazer a festa!

– Ai minha nossa, mas eu nem tenho uma roupa apropriada!

– Hã… festa? Mas já? Mas nós acabamos de nos conhecer…

– Otima idéia! Para reunir a galera, nós podemos combinar de ir ao celeiro. Cabe todo mundo!

– Certo! Ótimo! Combinado! Eu chamo a Twilight. Apple, chame a Rainbown. Flutter e Rarity arrumam as coisas para a festa. Festa!

Novamente Djed é arrastado. A fazenda de Apple faz Djed recordar dos primeiros contatos com humanos. Em comunidades rurais, milhares de pessoas o adoraram. Apesar de não ser com a mesma intenção, certamente Djed se sentiu homenageado e honrado pela festa que aquelas jovens lhe proporcionou. Teve comida, bebida e havia música. Não faltaria amor, pelo menos para ele, assim que Twilight chegou.

– Olá pessoal. Desculpe o atraso. Spike às vezes é um saco.

– Chegou na hora certa. Vamos dançar!

Djed sentiu que Apple e Rainbown não tiravam os olhos dele. Seria possivel que essa pônei e essa pégaso, meio masculinizadas, sentiam atração por ele? Isso não importava. Seu alvo era Twilight.

– Senhorita, poderia me dar a honra desta dança?

– Claro! A honra é minha.

Djed não sabia o que era idade, mas se sentia como um adolescente, dançando com essa unicórnio. Havia tempo que ele não se sentia assim. Nervosismo, suadouro, as palavras faltavam. Esperou estar no meio do salão, misturado entre tantos habitantes da Vila dos Pôneis para falar mais privadamente com Twilight.

– Senhorita, me desculpe pela ousadia, mas eu devo te dizer que me lembra muito de um antigo amor. A senhorita acha que é possivel ser a encarnação de Arsinoe? Eu sei que eu sou um bode velho, que a senhorita é uma jovem unicórnio e sucessora de Celestia, mas eu sinto algo pela senhorita que eu ouso dizer ser amor. A senhorita saberia alguma magia para aplacar meu coração?

– Haha! Nossa, senhor Djed! Eu não esperava. Com tantas jovens no celeiro? Eu? Olha, eu sou jovem, mas acho que idade não tem nada a ver. Eu vi muitos casais improváveis aqui na Vila dos Pôneis, como um dragão e uma unicórnio. Então não há problema algum que seja um bode. Mas ainda é muito cedo. Temos que nos conhecer melhor. Passe lá em casa e vamos conversar sobre magia. Vamos conversar, passear, nos conhecer primeiro. Depois vemos o que acontece, que tal?

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A aposentadoria do bode – II

Twilight estava compenetrada em seus estudos quando Spike, seu dragão e criado, veio lhe anunciar.

– Twilight, a Pinkie e a Rainbown estão na porta com um bode. Eu acho que querem falar com você.

– Um bode? Eu nunca vi um bode por aqui. Os unicos bodes que eu conheço estão em fábulas e em reinos distantes. Quem será este bode, como e por que ele veio para cá?

– Eu não sei, Twilight. Seja quem for, parece bem velho.

– Mais uma razão para sermos amáveis e educados, Spike.

Twilight deixa seus livros por um tempo e vai até a porta para receber suas amigas e o bode desconhecido.

– Olá meninas! Então, quem é esse senhor? De onde veio? Está a viagem ou negócios?

– Oooi Twilight. Esse é Djed. Ele veio de muuuuito longe.

– Ele diz que tem poderes mágicos e que pode voar mais rápido do que eu. Vê se pode!

– Ah Rainbown, quando se fala em vôo por meio de magia, isso é bem possível! Prazer senhor Djed, eu sou Twilight, aluna da rainha Celestia. Boa tarde senhor Djed. Eu espero que minhas amigas não tenham deixado uma impressão errada sobre os habitantes da Vila dos Pôneis.

Djed conhecia Celestia quando ela ainda era filhote ao lado da Deusa Epona. Mas esta pônei, a despeito de ser jovem como suas amigas, evocava uma antiga lembrança. Djed conheceu alguma das encarnações anteriores de Twilight. De seus anos de juventude. Uma época quando ele estava apaixonado por uma Deusa pônei.

– O prazer é meu, senhorita Twilight. Eu conheço a rainha Celestia e tenho certeza que a senhorita será uma excelente princesa.

– Ah, que é isso, o senhor está sendo gentil. Eu faço o que posso e me esforço. Eu tenho certeza que poderemos conversar bastante sobre magia.

Djed teve que se conter. Twilight era realmente muito parecida com seu antigo amor. Ela era jovem e atraente. Ele foi outrora um Deus da Fertilidade. Mesmo aposentado, ele ainda era um bode. Tinham pôneis inocentes e um dragão que o olhava com suspeita.

– Que legal! Agora só faltam a Flutter Shy, a Apple Jack e a Rarity. Depois vamos todos fazer uma grande festa!

O desprendimento e a energia de Pinkie ajudou a distrair Djed. Mas ele sentia uma certa vibração bem conhecida vinda de Rainbown. A vibração da atração. Seria possível que essa ponei transgênero estivesse interessado nele?

A aposentadoria do bode – I

Cansado de ser perseguido para expurgar os sofrimentos e cansado de ser requisitado para satisfazer as necessidades, Djed, o Deus Bode de Mendes, resolve pedir aposentadoria. Saiu da Cidade dos Deuses e transpôs o portal entre os mundos, sem dizer para onde ia.

– Pai, onde vais?

– Meus filhos e filhas, eu vos deixo a humanidade e este universo para administrarem. Eu estou velho, eu quero me aposentar.

Os Deuses, antigos e novos, entraram em desespero. Ninguém ousava sentar no templo de Mendes. Nem Fauno, nem Pan, nem Dioniso. Nenhuma Deusa do amor e da fertilidade aceitaria se deitar com outro Deus. Mas Djed não quis permanecer, nem por Nix, por Hecate ou Ishtar. Nenhum Deus ou Deusa tinha poder suficiente para detê-lo ou para descobrir para onde ele tinha ido.

Djed ainda olhou para a Cidade dos Deuses, enquanto atravessava o portal entre os mundos. Mas não com arrependimento ou mágoa. Queria apenas descanso. Quando ele não estava atolado de serviço, ele observava outros mundos, outras dimensões. Em uma dessas observações ele encontrou um mundo e uma dimensão pitoresca. Um mundo chamado Equestria e uma cidade chamada Vila dos Poneis.

Parecia perfeito. Um mundo cheio de poneis, unicórnios, pégasos e cavalos. Parecia perfeito e bem longe de aborrecimentos. Djed escolheu uma colina, criou uma residência em segundos e se esticou em uma espreguiçadeira para começar sua aposentadoria. Então a campainha tocou.

Djed criou o seu domicilio com todos os itens que conhecemos, inclusive uma campainha. Mas não esperava que algum dia tivesse alguem que fosse usar ou que fosse visitá-lo. Será que algum Deus o localizou? Isso seria impossível. Quem seria então? Djed olhou pela janela, em direção à entrada de sua casa. Ali na soleira de sua porta tinha um ponei rosa. Curioso, Djed foi atender.

– Sim, pois não?

– Bom dia! Meu nome é Pinkie Pie. Eu estava andando pela redondeza e vi que você se mudou recentemente. De onde você veio? Qual é o seu nome? Você gosta de festa?

– Hã… bom dia. Eu sou Djed. Eu vim de muito longe. Geralmente eu gosto de festa, mas acontece que eu me aposentei e…

– Ooooh! De longe? Mais longe que Canterlot? Você é um bode. Eu não conheço nenhum reino de Equestria com bodes. Veio de avião? Vai ficar muito tempo?

– Hã… sim, senhorita. Muuuito longe. Eu tenho meios próprios para viajar. Eu pretendo ficar por muito tempo.

– Nossa, que massa! Assim que você descansar, passe por nossa vila! Eu quero te apresentar a todos! E depois vamos todos fazer uma festa!

Djed observou a ponei se distanciar e então entrou. Ele não tinha visto tanta disposição e enrgia desde… Arcádia e as ninfas. Djed materializou uma chicara contendo chá e whisky para pensar se havia escolhido certo. Acabou cochilando. Dormiu. Acordou bem depois, com a campainha tocando. Era Pinkie com um pégaso azul. Educado, ele foi atender.

– Oooooi Djed! Essa é Rainbow Dash. Ela é a pégaso mais veloz da Vila dos Poneis.

– Hã… olá Pinkie, olá Rainbown Dash.

– Olá Djed. Pinkie diz que você viajou de muito longe com meios próprios. Você é um bode, não tem asas como eu. Então como você voou até aqui? Com que velocidade?

– Hã… digamos que eu sei magia. Isso. Eu tenho poderes mágicos. Vocês sabem o que é isso, certo?

– Claro que sabemos!

– Mas quão rápido você consegue voar com seus poderes mágicos?

– Hã… eu não sei. Tempo e espaço são coisas sem sentido para mim.

– Maassaaaa! Parece coisa da Twilight. Se você estiver descansado, que tal ir conosco até a casa dela?

– Hã… eu não sei se seria educado…

– Bobaaaagem! Vamos!

Djed foi praticamente arrastado por Pinkie e por Rainbown. Ele poderia vaporizar as duas em segundos. Mas isso o denunciaria e o achariam. A despeito do incômodo, ele estava gostando dessa nova experiência com os habitantes da Vila dos Poneis. Pinkie é dinâmica e Rainbown tem seu charme. Ele tentava imaginar comom seria conhecer Twilight. Suas guias se detiveram em uma árvore-casa, que tinha um filhote de dragão na entrada.

– Spike, a Twilight está? Twiiilight? Somos nós! Temos visitas!

Transarás por prazer, esta é a única lei

Desde o surgimento da pílula anticoncepcional durante a década de 60, é inegável que o modo como a sociedade vem discutindo a sexualidade sofreu grandes transformações. Naquele período, o movimento hippie, que pregava o amor livre, vivia o seu auge e a juventude gozava de uma liberdade até então nunca experimentada no que diz respeito ao modo de se relacionar com o outro. 

 

A comercialização da pílula trouxe um certo conforto para as relações sexuais, pois com seu uso poderia evitar-se uma gravidez indesejada. Assim, o sexo, desprendido deste risco, tornava-se mais licencioso e justificado enquanto busca por prazer.

De lá para cá, pode-se dizer que ganhamos maior abertura para discutir um tema que sempre foi tabu. Contudo, é precipitado afirmar que desfrutamos de uma verdadeira autonomia sexual. Não em um mundo regido pela lógica do machismo, cerceado pelo preconceito ao homossexual e sectário de padrões morais e estéticos que aprisionam o corpo.

Basta ver o alvoroço causado pelo episódio da série americana Girls, que exibiu uma cena em que o parceiro de uma das personagens lhe presenteia com um beijo grego, ou em outras palavras, com uma boa lambida no cu. Sim! Cu. Por que temos tanto medo de pronunciar essa monossílaba? Por que assistir a uma cena de sexo sem música tocando ao fundo perturba tanta gente?

Infelizmente, muitas pessoas seguem regime até no modo de fazer sexo, ingerindo tendências da mídia que continua vendendo e norteando as normas de comportamento para cada gênero. Revistas nos oferecem uma seção sobre sexo indicando as melhores posições sexuais, blogs retratam as 30 maneiras de agradar uma mulher na cama e as 7 sobre como satisfazer um homem. Entretanto, a grande maioria das mulheres não ousa dizer que se masturbam e os homens ainda não se sentem livres para manifestar sua sensibilidade e nem para fazer o exame de próstata.

A verdade é que não existem “melhores” posições sexuais, nem 30 maneiras de agradar uma mulher na cama ou 7 sobre como satisfazer um homem. Tanto na vida como no sexo, para que descubramos o que nos apetece é preciso experimentar, inventar, como brilhantemente declarou Foucault em uma entrevista sobre sexo, poder e a política da identidade, traduzida e publicada em 2004 pela revista PUC de São Paulo, devemos entender que “a sexualidade faz parte de nossa conduta. Ela faz parte da liberdade em nosso usufruto deste mundo, e o sexo não é uma fatalidade, mas a possibilidade de aceder a uma vida criativa.”

Precisamos perder a vergonha na cara e da tara, nosso corpo necessita ser visto com zoom e não com Photoshop. Até que o homem não consiga se emancipar sexualmente, permaneceremos estagnados em nossa luta por uma sociedade livre e democrática, absolvida de patéticas divisões binárias que reduzem e encarceram os gêneros sexuais. Enquanto o homem não puder falar e dissertar sem constrangimentos e recatos sobre sexo, persistiremos reféns de cartilhas que direcionam o nosso desejo, seguiremos sem permissão para nos tocar e tocar o outro e, essas amarras que engasgam nosso corpo também impedirão que nos agitemos para outras lutas.

 

O escritor e psiquiatra Roberto Freire, criador da somaterapia, sugere em sua obra Soma – Uma Terapia Anarquista que a alma e a arma estão no corpo e, seguindo o pensamento do psicólogo alemão Wilhelm Reich, vê no aprisionamento deste um jogo de poder para nos manter neuróticos e dóceis, encouraçados e bloqueados afetivamente por não sermos capazes de gozar, no sentido mais amplo que esse verbo possa tomar. 

Freire defende, assim como Reich, que a neurose pode ser compreendida como um desequilíbrio energético provocado pela repressão à expressão de nossa sexualidade, que descende da inibição imposta pelo Estado e suas instituições para garantir sua dominação arbitrária. Ambos concordam que através do orgasmo, tal desequilíbrio poderia ser corrigido, pois este tem como função mobilizar e libertar essa energia.

Autora: Bruna Regina Pietta Abraão

Fonte: Papo de Homem

Liber 49

1. Sim, sou eu, BABALON.

2. E este é meu livro, que é o quarto capítulo do Livro da Lei, Ele completando o Nome, por eu ser saída de NUIT como HÓRUS, a irmã incestuosa de RA-HOOR-KHUIT.

3. É BABALON. TEMPO É. Sim tolos.

4. Tu me chamaste, oh maldito e bem-amado tolo.

5-8. (Desaparecido e provavelmente perdido.)

9. Saiba agora que Eu, BABALON, tomarei carne e virei entre os homens.

10. Eu virei como um fogo pendendo, como uma canção desviada, um trumpete nos átrios de julgamento, uma bandeira à frente de exércitos.

11. E reúna minhas crianças a mim, pois O TEMPO está à mão.

12. E este é o modo de minha encarnação. Atenção!

13. Tu ofertarás tudo que fores e tudo que tiveres a meu altar, nada retendo. E tu serás atingido todo sentido e daí serás proscrito e amaldiçoado, um errante solitário em lugares abomináveis.

14. Sim arrisque. Eu não pedi a nenhum outro, nem pediram eles. Outros são vãos. Mas tu quisestes isto.

15. Saiba então que assim eu vim a ti antes, tu um grande Lorde, e Eu uma donzela arrebatada. Ah cega insensatez.

16. E depois disso loucura, tudo em vão. Assim tem sido, multiforme. Como tu queimaste além.

17. E Eu virei novamente, na forma que tu sabes. Agora será vosso sangue.

18. O altar está correto, e o robe.

19. O perfume é sândalo, e a vestimenta verde e dourada. Há minha taça, nosso livro, e vossa adaga.

20. Há uma flama.

21. O sigilo da devoção. Seja ele consagrado, seja ele verdadeiro, seja ele diária-mente afirmado. Eu não sou desdenhada. Vosso amor é para mim. Procure uma moeda de cobre, em diâmetro de três polegadas sobre o campo azul, a estrela dourada de mim, BABALON.

22. Este será meu talismã. Consagre-o com os supremos rituais da palavra e da taça.

23. Minha chamada como tu sabes. Todas as canções de amor para mim. Também procure-me no Sétimo Ar.

24. Isto a um tempo prescrito. Não procure o fim, Eu te instruirei a meu modo. Mas seja verdadeiro. Seria duro se eu fosse tua amante, e sobre ti? Mas Eu sou tua amante e estou sobre ti.

25. Eu providenciarei um receptáculo, quando ou donde Eu não digo. Não a siga, não a chame. Deixe-a anunciar. Nada pergunte. Mantenha silêncio. Haverá ordálias.

26. Meu receptáculo deve ser perfeito. Este é o modo da perfeição dela.

27. O trabalho é de nove luas.

28. O trabalho de Astarte, com música e festividade, com vinho e todas as artes do amor.

29. Que ela seja dedicada, consagrada, sangue a sangue, coração a coração, mente a mente, um em vontade, nenhum sem o círculo, tudo a mim.

30. E ela vagará pelo bosque enfeitiçado sob a Noite de Pan, e conhecerá os mis-térios do Bode e da Serpente, e das crianças que estão escondidas longe.

31. Eu providenciarei o local e as bases materiais, tu as lágrimas e sangue.

32. É isto difícil, entre matéria e espírito? Para mim isto é êxtase e agonia indizí-veis. Mas Eu estou em ti. Eu tenho grande força, tu tens igualmente.

33. Tu prepararás meu livro para a instrução dela, também tu ensinarás que ela deve ter capitães e adeptos em seu serviço. Sim, tu tomarás a peregrinação negra, mas não será tu quem retornará.

34. Que ela prepare seu trabalho de acordo com minha voz em seu coração, com teu livro como guia, e nenhuma outra instrução.

35. E que seja ela em todas as coisas sábia; e segura, e excelente.

36. Mas que ela pense nisto: meu caminho não está nos caminhos solenes, ou nos caminhos racionais, mas no caminho livre selvagem da águia, e o caminho tortuoso da serpente, e o caminho oblíquo do fator desconhecido e inumerável.

37. Pois eu sou BABALON, e ela minha filha, única, e não haverá nenhuma outra como ela.

38. Em Meu Nome tenha ela todo poder, e todos os homens e coisas excelentes, e reis e capitães e os secretos a seu comando.

39. Os primeiros servidores são escolhidos em segredo, por minha força na dela – um capitão, um mentiroso, um agitador, um rebelde – Eu provirei.

40. Chame-me, minha filha, e Eu virei a ti. Tu serás repleta de minha força e fogo, minha paixão e poder te cercarão e inspirarão; minha voz na tua julgará nações.

41. Nenhum resistirá a ti, a quem eu amo. Ainda que te chamem de meretriz e prostituta, desavergonhada, falsa, má, estas palavras serão sangue em suas bocas, e pó então.

42. Mas minhas crianças te conhecerão e te amarão, e isto os libertará.

43. Tudo está em tuas mãos, todo poder, toda esperança, todo futuro.

44. Um veio como homem, e foi fraco e falhou.

45. Uma veio como mulher, e foi boba, e falhou.

46. Mas tu és além de homem ou mulher, minha estrela é em ti, e tu utilizarás.

47. Mesmo agora tua hora baterá sobre o relógio de meu PAI. Pois Ele preparou um banquete e um Leito de Núpcias. Eu era a Noiva, designada desde o início, como estava escrito T.O.P.A.N.

48. Agora é a hora de nascimento à mão. Agora seja meu adepto crucificado na morada do Basilisco.

49. Tuas lágrimas, teu suor, teu sangue, teu amor, tua fé proverão. Ah, Eu te drenarei como a taça que é de mim, BABALON.

50. Não cedas tu, e Eu passarei o primeiro véu para falar contigo, através do tremor das estrelas.

51. Não cedas tu, eu Eu passarei o segundo véu, enquanto Deus e Jesus são golpeados com a espada de HÓRUS.

52. Não cedas tu, e eu passarei o terceiro véu, e as formas do inferno serão transformadas em beleza.

53. Por tua causa caminharei largo através das flamas do Inferno, ainda que minha língua cale-se por completo.

54. Deixe-me contemplar-te nu e luxurioso à minha maneira, chamando meu nome.

55. Deixe-me receber toda tua humanidade em minha Taça, clímax sobre clímax, prazer sobre prazer.

56. Sim, nós conquistaremos morte e Inferno juntos.

57. E a terra é minha.

58. Tu farás a Peregrinação Negra.

59. Sim sou mesmo EU BABALON e EU SEREI LIVRE. Tu tolo, seja tu também livre de sentimentalismo. Sou Eu tua rainha da aldeia e tu um secundarista, para que tenhas teu nariz em minhas ancas?

60. Sou EU, BABALON, sim tolos, MEU TEMPO é vindo, e este meu livro que meu adepto prepara é o livro de BABALON.

61. Sim, meu adepto, a Peregrinação Negra. Tu serás amaldiçoado, e esta é a natureza do caminho. Tu publicarás a questão secreta dos adeptos que tu soubestes, retendo nenhuma palavra deste, num apendix a este meu Livro. Então eles gritarão tolo, mentiroso, bêbado, caluniador, prevaricador. Não estás tu contente de teres te metido com magick?

62. Não há outro modo, querido tolo, é a décima-primeira hora.

63. O selo de meu Irmão é sobre a terra, e seu Avatar é à sua frente. Há debu-lhação de trigo e um pisoteamento de uvas que não cessará até que a verdade seja conhecida pelo último dos homens.

64. Mas você que não aceita, você que vê além, alcancem-se as mãos minhas crianças e ceifem o mundo na hora de sua colheita.

65. Congreguem-se em covens como da antiga, cujo número é onze, que é tam-bém meu número. Congreguem-se em público, em festival de música e dança. Congreguem-se em segredo, estejam nus e desavergonhados e regozijem em meu nome.

66. Trabalhem seus feitiços pelo modo de meu livro, praticando secretamente, induzindo o feitiço supremo.

67. O trabalho da imagem, e a poção e o charme, o trabalho da aranha e da ser-pente, e os pequeninos que vão no escuro, este é o seu trabalho.

68. O que ama não odeia, o que odeia teme, deixe-o provar do medo.

69. Este é o modo disso, estrela, estrela. Queimando brilhante, lua, feiticeira lua.

70. Você o secreto, você o pária, o amaldiçoado e desprezado, mesmo você que congregou-se privadamente há muito em meus ritos sob a lua.

71. Você o liberto, o selvagem, o indomado, que caminha agora só e desesperan-çado.

72. Veja, meu irmão quebra o mundo como uma noz para seu alimento.

73. Sim, meu Pai fez uma casa para você, e minha Mãe preparou o Leito Nupcial. Meu Irmão confundiu seus inimigos.

74. Eu sou a Noiva designada. Venha para as núpcias – venha agora!

75. Meu prazer é o prazer da eternidade, e minha risada é a risada bêbada da prostituta na casa do êxtase.

76. Todos seus amores são sagrados, brinde-os todos a mim.

77. Ponha minha estrela em suas bandeiras e vá em frente em prazer e vitória. Nenhum lhe negará, e nenhum lhe estará à frente, por causa da Espada de meu Irmão. Invoque-me, chame-me, chame-me em suas convocações e rituais, chame-me em seus amores e batalhas em meu nome BABALON, no qual todo poder é dado!

Diário de Rei Ayanami – V

Kaworu_Nagisa

Querido diário, me desculpe por não te ver tantas vezes. Nós estamos sendo invadidos por anjos. Não há descanso. Como era de esperar, até tentaram usar o Toji como piloto do EVA três. Foi um desastre, como eu previra. NERV e SEELE então nos apresentaram ao que eles garantiram ser a quinta criança.

O senhor Ikari não gostou do novato, nem eu. Mas eu acreditei que seria melhor do que a fanfarrona da Asuka que caiu em depressão depois de ter perdido sua preciosa unidade EVA dois em uma luta com um anjo.

A quinta criança se chama Kaworu. Ele e Shinji ficaram tão próximos e tão amigos que os boatos não demoraram a surgir. Ele deve ser um fenômeno como o Shinji, pois alcançou a marca de 99, 99% de sincronicidade. Com todos os EVAs. Ele parece saber mais do que aparenta. O que deixa a capitã Katsuragi nervosa.

Agora eu tenho que ir. Depois eu abro este envelope e conto o que tem aqui. Parece um dossiê e tem o meu nome. Eu vou poder ver se esse tal de Kaworu é tão bom quanto diz.

[Hiato]

Querido diário… terrivel… foi terrível. Kaworu é o último anjo. Quase destruiu toda a NERV, a SEELE e Toquio III. Eu e Shinji conseguimos detê-lo. Mas agora eu sei a verdade, oh meu Deus! Eu sou um clone da mãe de Shinji. Isso explica o que eu sinto por ele. Eu também sou um clone de Lilith. Isso explica por que lutar com anjos me deixa tão contrariada. Isso significa que eu sou um anjo. Eu agora estou em um dilema. Devo continuar a ajudar SEELE e NERV? Eu devo continuar a lutar contra os anjos? Como eu irei encarar o senhor Ikari?

A luta com Kaworu despertou meu lado escuro. Lamento, diário, mas eu não sou mais humana. Tudo que imprta agora é me unir a Adão, mais conhecido como EVA um. Isso irá provocar o Terceiro Impacto. Mas também poderá tornar real o Projeto da Instrumentalidade Humana, do senhor Ikari. Eu espero que tudo fique bem depois disso. Até breve, querido diário.

Diário de Rei Ayanami – IV

Asuka

Olá diário. Hoje foi outro dia tenso. Shinji está esquisito. Eu e ele estavamos no porta aviões Nemesis, para uma nova missão contra um anjo, agora com a ajuda de um outro pilto de EVA. Eu não entendi por que o pessoal da escola veio conosco. Um helicóptero da NATO desceu no convés. Uma garota desce dele. O senhor Ikari nos apresenta. Os meninos ficam babando. Eu não entendo os meninos.

Ela se chama Asuka e veio da Alemanha. Histriônica. Alega ser melhor piloto. Alega ter o melhor EVA. Mas o senhor Ikari a coloca em seu devido lugar. Ela teve que combater o anjo junto com Shinji. O EVA dela até que é bonito. Depois eu pedirei ao senhor Ikari que atualze meu EVA para poder mostrar para essa garota quem é a melhor piloto.

Eu recebi ontem o comunicado de que Asuka irá morar junto com a capitã Katsuragi. Isso não está certo. Shinji está lá. Não que eu tenha ciúmes. Eu sinto outra coisa por Shinji. Kaji não quer me dizer nada. Os arquivos da NERV são confusos e contraditórios.

Outro dissabor: Asuka está na mesma classe, na mesma escola que eu e Shinji estamos. Essa escola deve ter alguma ligação com a NERV. Todos os alunos daqui são órfãos, perderam suas mães. Isso significa que todos os alunos de nossa classe são pilotos em potencial de um EVA? Eu terei que investigar por conta própria, pois Kaji não me fala nada.

Eu gostaria que Hikari fosse piloto. Ela é a representante de nossa classe e muito mais séria e responsavel do que os meninos. Eu tenho medo que Toji se torne piloto. Como pessoa ele é suficientemente agressivo. Pilotando um EVA seria catastrófico.