Corações e mentes conturbados

Hoje no National Geographic acompanharemos o drama da família Monroe, ou para ser mais específico, da filha deles, Ashley. Uma criança normal, feliz que, repentinamente tornou-se mais fechada, reservada, amuada.

– Nós não sabemos o que aconteceu com ela. Mudou de um dia para outro. Parentes nos recomendaram procurar o doutor Pimenta, o psicopedagogo.

O doutor Pimenta é famoso por seu atendimento aos jovens em situação de conflito. Sua reputação é tanto elogiada quanto criticada, por seguir a escola Kinsey e a escola de Wilhelm Reich. Nossa equipe não pode acompanhar a consulta, então vamos entrevistar suas colegas e amigas de colégio.

– Ashley? Ela é legal. Ou melhor, era. Ficou esquisita. Ela evita a gente, tem medo de menino, não conversa, não joga mais com a gente.

– Dá licença? Eu sou a melhor amiga da Ashley. Eu sei bem o que ela está passando. Ela está virando mulher, ou melhor, desabrochando, porque nós nascemos mulher.

– Ah é. Ela tem um ano a menos que nós, embora esteja um ano adiantada na escola.

– Como e quando a senhorita percebeu a mudança?

– Meu nome é Cinder. Ashley e eu praticamente fomos criadas como irmãs. Eu e ela brincávamos muito, inclusive com meninos. Um dia eu trouxe a Lucy. Do nada ela ficou com ciúmes. Ali eu vi que ela havia mudado.

– Cinder, poderia nos indicar outra amiga ou parente com quem possamos falar?

– Hei, Lucy, venha cá! Eles querem saber da Ashley!

– Deixem a Ashley. Ela está passando por um período de conflito.

– Nós estamos apenas querendo entender o que está acontecendo com Ashley e ajudar outras meninas que passam por isso.

– Então tudo bem se eu falar. Ashley fez um escândalo em casa quando ela me viu com meu padrasto. Antes ela não ligava. Eu achava que ela ficava brava porque devia pensar que eu e Cinder éramos parceiras. Mas depois ficou claro que ela adquiriu um tipo de preconceito. Eu só não sei se foi influência de outra pessoa.

– Você acha que a Ashley teve influência externa?

– Pode ser. Quando chegamos em uma certa idade, nós começamos um conflito conosco mesmas, com nossa família, com nossos amigos. Procuramos, desesperadamente, por uma personalidade, uma identidade que reflita nossa transformação. Não queremos mais ser tratadas como crianças.

– Ashley sai do consultório. Vamos tentar falar com ela!

– Hei, Ash! Aaaash! Esse pessoal quer falar com você.

– Ai gente, que crise! Não tem o que falar. Passou. Eu encarei meus medos, inseguranças em relação ao meu corpo, em relação a mim mesma, em relação aos outros.

– Então você não vai mais pirar quando eu estiver com meu padrasto?

– Olha, se você me convidar e o seu padrasto quiser entrar na brincadeira, eu vou brincar com ele, tudo bem?

– Tudo ótimo! Minha Ash voltou!

– Avise a Cinder. Vamos todos fazer uma bela festa.

– Desculpem, meninas, mas vocês não acham muito incomum esses relacionamentos?

– Ih, o pessoal do National Geographic precisa de psicólogo. Grava aí. Não existe um modelo único, padrão, para o amor, para o relacionamento, para o sexo. Todos são livres e tem o direito de amar quem quiser, quantos quiser, desde que sejam maduros e haja consentimento. Amor é a Lei.

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