O ultimo presente

Squaredom tinha um rei justo, fiel e honesto. Em todo seu reino seus súditos adoravam o Deus Touro e a Deusa Serpente. Então um dia o rei Jones e a rainha Miriam tiveram mais um herdeiro, uma menina. Por anos o reino teve jubilo e festas todos os anos. Até que a princesa entrou na pubescência. Ela se tornou uma jovem incrivelmente atraente, mas por algum motivo isso a deixava envergonhada e seu pai nervoso.

– Mamãe, eu estou inchando! Eu tevo estar doente! Eu vou morrer?

– Não, querida, você está se tornando mulher. Em breve você terá quadris e seios, tais como eu e toda mulher tem.

– Não! Eu não quero! papai está ficando estranho também! Ele não vem mais colocar minhas roupas, não toma mais banho comigo, nem dorme mais comigo na cama! Mesmo na escola, os adultos olham de um jeito estranho para mim! Isso deve ser alguma maldição de uma bruxa!

– Não, querida, isso é normal, natural e saudável. uma mulher quando chega em um certa etapa de sua vida, torna-se atraente para os homens e é invejada pelas mulheres. Você será em breve mais desejada do que eu pelos homens.

– Não! Eu não quero! Eu quero ser a menina do papai e da mamãe! Para sempre!

– Querida, não há nada que possamos fazer.

Mas Lidia estava decidida. De noite, depois que todos foram dormir, ela saiu do castelo, por uma passagem que poucos conheciam, que dava na praça central da cidade. Disfarçada, perguntou aos camponeses onde ela poderia achar uma bruxa. Com dificuldades ela conseguiu em uma taverna a localização de uma bruxa e para a humilde cabana no campo ela foi.

– Princesa, o que esta velha pode fazer por vós?

– Evora, todos dizem que a senhora é uma bruxa. Eu fui amaldiçoada por uma bruxa. A senhora pode quebrar essa maldição?

– Desculpe, princesa, mas vossa majestade não está amaldiçoada. na verdade, tens a bençãos de Afrodite, Venus, Ishtar e Innana. Não haverá em lugar algum uma mulher que possa se equiparar com sua beleza, atração e sedução. Seu poder se estenderá para além das Montanhas Eternas.

– Eu não quero! Eu não quero nenhum homem colocando suas mãos sujas em mim, eu não quero que meu corpo seja maculado com o toque de um homem!

– Querida princesa, daqui a alguns dias será solsticio de verão. Vossa majestade receberá uma visita que irá mudar seu espírito de menina para o de uma mulher.

Lidia fugiu, com lágrimas nos olhos. Ela não aceitava que tinha nascido mulher e estava destinada a ser mulher. A sociedade a tratou como se fosse uma menina, ela crescia sem saber de sua benção e se acostumou a viver cercada de brinquedos. Ela então pediu a seu pai que fizesse uma lei, punivel com morte, proibindo de qualquer homem se aproximar dela. Assim Jones fez e dividiu o castelo em duas alas: uma para mulheres e outra para homens. E nunca mais Jones viu sua própria filha, que passou vários dias nesse santuário imaculado. Até chegar o solstício de verão.

– Capitão da guarda! Dobre, triplique, centuplique a guarda. Nenhum homem pode se aproximar da princesa. Qualquer um, mesmo eu, que se aproximar da princesa, deve ser executado imediatamente!

Centenas de guardas foram colocados nos muros, as ameias foram armadas com canhões, cavaleiros patrulhavam as ruas com lanças e espadas, prontas para tirar a vida de qualquer home que ousasse se aproximar da princesa. O reino parecia tranquilo e calmo, mas Lidia estava tendo uma noite ruim.

– Mamãe, eu estou sentindo um comichão no meu peito, minhas coisas estão ficando úmidas, mas eu não estou com vontade de ir ao banheiro.

– Meu amor, que alegria! Você teve sua primeira menstruação! Você é agora uma mulher, como sempre foi. Eu lamento que você tenha vivido um papel e uma personagem que não era você. Mas vivemos em uma sociedade que acha que a idade nos torna mais mulheres ou menos. Vá durmir, amanhã será o solsticio de verão, você acordará com outra ideia e disposição. Nós podemos ir juntas ao Festival do Verão e pegar alguns gatinhos, que tal?

Lidia não entendeu coisa alguma. Ficou chateada com sua mãe. Ela gostava dessas coisas nojentas. Seu pai fazia muitas coisas nojentas com ela, mas de vez em quando ela se misturava ao povo, especialmente nas festas religiosas, dando a desculpa que era para adorar aos Deuses, mas no fundo Lidia sabia que ela gostava de fazer essas coisas imundas. A princesa então se fechou no quarto e se fez uma promessa que nunca mais sairia de seu quarto. Ela chorou muito e depois dormiu. Até dar meia noite. A janela de seu quarto irrompeu com um forte vendaval. Ela percebeu que tinha mais alguem com ela no quarto.

– Quem é? Não sabe que eu sou a princesa? Invadir o castelo é uma ofensa grave, invadir o meu quarto certamente lhe custará o pescoço!

– Tantos anos se passaram que vossa majestade me esqueceu? Houve um dia em que me jurava amor eterno. Diversas vezes eu ouvi vossa majestade chorar de ciúmes quando eu ficava ao lado da Deusa. Sabe que dia é hoje? Hoje é o meu aniversário. Vossa majestade, como herdeira do trono, deve saber de suas responsabilidades. Seu corpo está pronto, agora deve deixar que eu o faça desabrochar.

Lidia não podia crer. Diante dela estava o Deus Touro. Com exceção dos chifres, ele era exatamente como ela sempre o via no santuário, como um belo, galante, forte e atraente homem. Lidia começou a sentir seus seios comichando e suas coisas ficarem úmidas. Ela nunca olhou para um homem antes. Ela nunca havia sentido isso que sentia. Chegar perto de um homem lhe dava outras sensações antes, mas seu corpo estava quente, sua cabeça estava em uma névoa. Sem saber como nem de onde vinha esse sentimento, Lidia abraçou e beijou o Deus Homem, pegou em suas mãos e o levou para a cama.

No dia seguinte, Lidia tinha mudado seu espírito, tal como sua mãe havia dito. Ela era mulher, ou melhor ela retomou sua real natureza. Evidente, as aias começaram a gritar assim que viram o Deus Homem, nu, na cama da princesa, dormindo com um largo sorriso nos lábios. Os guardas vieram rápido, capturaram o invasor e avisaram o rei. Lidia tentou evitar o pior, tentou convencer a seu pai que agora ela queria ter contato com homens.

– Desculpe, meu amor, mas as coisas não são assim. Você me fez assinar uma lei. Se eu não a cumprir, o que será de nosso reino?

Com dor no coração o rei Jones prendeu, processou e condenou o invasor à pena de morte, por ter invadido o castelo, por ter invadido o quarto da princesa, por ter tocado nela de todas as formas que um homem toca uma mulher. Lidia chorava, copiosamente, então o Deus Homem aceitou seu castigo.

– Meu rei, minha rainha, minha princesa, meu povo. Eu aceito morrer e que com a minha morte que a lei seja cumprida e revogada. Hoje vós comemorais o solstício de verão. Pois bem, comemorem da forma certa. Sacrifiquem o Deus Touro. Meu sacrifício eu lhes dou, para que tenham vida. este é o meu presente para todos os seres viventes. Vivam! Comam, bebam, façam música e amor. Não permitam que o medo, o ódio, a inveja, o ciúme ou a ganância lhes turvem seu coração. Saibam que todo que existe é sagrado, é divino. Sejam ousados ou recatados. Sigam seu coração. Amor, desejo e prazer são meus rituais. Vosso corpo é o templo de minha morada, não o torne sujo, nojento, imundo. Não deixe que haja culpa ou pecado, pois estas coisas não existem onde habita o sagrado. Eu te dou minha vida, princesa, para que possa ter uma vida normal.

O invasor foi morto. Seu corpo foi carregado em júbilo por toda a cidade. O povo, em novena, visitou seu despojos e lhe ofereceu muitos presentes. Um banquete foi oferecido por todos os nobres a todos os presentes. Aos poucos, as ruas ficaram cheias de comida, bebida e música. Lidia deu a mão para sua mãe e as duas foram se divertir com seu povo. Lidia nunca havia sido tão feliz em toda sua vida. Ela era uma mulher e estava livre.

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