Arquivo mensal: janeiro 2015

Tome posse e poder do seu corpo

“Leis sobre sexualidade, aborto, eutanásia, esterilização, drogas, liberdade de expressão e privacidade, entre outras, muitas vezes limitam um direito que deveria ser fundamental para qualquer ser humano. O reconhecimento da autonomia do indivíduo sobre seu corpo é um dos principais desafios jurídicos atuais.

Uma sociedade não pode ser considerada livre se seus membros não tiverem o direito de dispor de seus próprios corpos. O núcleo do direito à liberdade é a autonomia sobre o próprio corpo e justamente por isso o Direito, a moral e a religião se ocuparam durante tanto tempo com a imposição de regras para regular a livre disposição dos corpos.

O direito ao próprio corpo ainda está longe de ser conquistado e reconhecido como um direito fundamental da pessoa humana. As normas limitando a autonomia dos corpos estão por todas as partes: limitações à sexualidade, ao uso de drogas psicotrópicas, à liberdade de expressão e até mesmo à vida e à morte. Tudo em nome de um suposto bem maior: a coletividade. A maioria destas normas de regulação dos corpos, porém, não evita que haja lesão a direito alheio, mas tão somente impõe um modelo de conduta que a maioria julga adequado.

Estado democrático de direito – é sempre bom frisar – não se confunde com ditadura da maioria. As liberdades individuais só podem ser limitadas se – e somente se – o exercício de uma determinada autonomia provocar dano a outrem. Assim, as pessoas, maiores e capazes, deveriam ser livres para dispor sobre seus próprios corpos desde que com suas ações não prejudicassem a ninguém. Na prática, porém, o Direito está repleto de normas que limitam ações completamente neutras a terceiros”. [Túlio Vianna]

“Sexualidade é uma parte integral da personalidade de todo ser humano. O desenvolvimento total depende da satisfação de necessidades humanas básicas tais quais desejo de contato, intimidade, expressão emocional, prazer, carinho e amor.

Sexualidade é construída através da interação entre o indivíduo e as estruturas sociais. O total desenvolvimento da Sexualidade é essencial para o bem estar individual, interpessoal e social.

Os direitos sexuais são direitos humanos universais baseados na liberdade inerente, dignidade e igualdade para todos os seres humanos. Saúde sexual é um direito fundamental, então saúde sexual deve ser um direito humano básico. Para assegurarmos que os seres humanos e a sociedade desenvolva uma sexualidade saudável, os seguintes direitos sexuais devem ser reconhecidos, promovidos, respeitados e defendidos por todas sociedades de todas as maneiras. Saúde sexual é o resultado de um ambiente que reconhece, respeita e exercita estes direitos sexuais.

  1. O DIREITO À LIBERDADE SEXUAL – A liberdade sexual diz respeito à possibilidade dos indivíduos em expressar seu potencial sexual. No entanto, aqui se excluem todas as formas de coerção, exploração e abuso em qualquer época ou situações de vida.

  2. O DIREITO À AUTONOMIA SEXUAL, INTEGRIDADE SEXUAL  E À SEGURANÇA DO CORPO SEXUAL – Este direito envolve a habilidade de uma pessoa em tomar decisões autônomas sobre a própria vida sexual num contexto de ética pessoa e social. Também inclui o controle e p prazer de nossos corpos livres de tortura, multilação e violência de qualquer tipo.

  3. O DIREITO À PRIVACIDADE SEXUAL – O direito às decisões individuais e aos comportamentos sobre intimidade desde que não interfiram nos direitos sexuais dos outros.

  4. O DIREITO A LIBERDADE SEXUAL – Liberdade de todas as formas de discriminação, independentemente do sexo, gênero, orientação sexual, idade, raça, classe social, religião, deficiências mentais ou físicas.

  5. O DIREITO AO PRAZER SEXUAL – prazer sexual, incluindo autoerotismo, é uma fonte de bem estar físico, psicológico, intelectual e espiritual.

  6. O DIREITO À EXPRESSÃO SEXUAL – A expressão é mais que um prazer erótico ou atos sexuais. Cada indivíduo tem o direito de expressar a sexualidade através da comunicação, toques, expressão emocional e amor.

  7. O DIREITO À LIVRE ASSOCIAÇÀO SEXUAL – significa a possibilidade de casamento ou não, ao divórcio, e ao estabelecimento de outros tipos de associações sexuais responsáveis.

  8. O DIREITO ÀS ESCOLHAS REPRODUTIVAS LIVRE E RESPONSÁVEIS – É o direito em decidir ter ou não ter filhos, o número e tempo entre cada um, e o direito total aso métodos de regulação da fertilidade.

  9. O DIREITO À INFORMAÇÃO BASEADA NO CONHECIMENTO CIENTÍFICO – A informação sexual deve ser gerada através de um processo científico e ético e disseminado em formas apropriadas e a todos os níveis sociais.

  10. O DIREITO À EDUCAÇÃO SEXUAL COMPREENSIVA – Este é um processo que dura a vida toda, desde o nascimento, pela vida afora e deveria envolver todas as instituições sociais.

  11. O DIREITO A SAÚDE SEXUAL – O cuidado com a saúde sexual deveria estar disponível para a prevenção e tratamento de todos os problemas sexuais, precauções e desordens.

Durante o XV Congresso Mundial de Sexologia, ocorrido em Hong Kong (China), entre 23 e 27 de agosto p.p., a Assembléia Geral da WAS – World Association for Sexology, aprovou as emendas para a Declaração de Direitos Sexuais, decidida em Valência, no XIII Congresso Mundial de Sexologia, em 1997″. [DHNet]

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Direitos sexuais

A Organização Mundial de Saúde considera a sexualidade como um aspecto fundamental na qualidade de vida de qualquer ser humano, estando presente no que somos, no que sentimos e no que fazemos.Sim, que a sexualidade é integrante de nossa personalidade como seres humanos, já sabemos! Também que se constrói ao longo de nossas vidas, a partir das histórias pessoais e do ambiente no qual vivemos, e em contato com a cultura e políticas que nos rodeiam… Ok! Mas, que relação pode existir entre sexualidade e qualidade de vida?

Uma relação forte, muito mais forte do que podemos imaginar…

O desenvolvimento total da sexualidade é essencial, pois um problema sexual pode causar um impacto profundo nas várias esferas da vida de uma pessoa. Isto porque a saúde sexual é uma experiência processual que comporta bem-estar físico, psíquico e sociocultural. Além é claro, de todos os benefícios que uma vivência sexual saudável pode nos proporcionar (aqui).

Sabemos que a saúde é um direito humano fundamental. Então também a saúde sexual é um direito humano básico e universal baseado na liberdade inerente, dignidade e igualdade para todos, segundo a própria OMS. Portanto, para assegurar o direito do homem a partilhar uma sociedade com um desenvolvimento saudável ao nível das questões sexuais, em 1999, a Associação Mundial de Sexualidade em conjunto com a OMS, emitiu a Declaração dos Direitos Sexuais. Isto mesmo, nós temos direitos sexuais! São eles:

  1. O direito à liberdade de expressão sexual – Possibilidade de expressar o potencial sexual, excluindo toda forma de coerção sexual, exploração e abuso em qualquer época ou situação de vida.
  2. O direito à autonomia sexual, à integridade sexual e à segurança física – Autonomia sobre a própria vida sexual em um contexto ético pessoal e social. Também inclui controle e prazer do corpo, livre de tortura, multilação e violência de qualquer espécie.
  3. Direito à privacidade sexual – Tomar decisões e comportamentos individuais sobre intimidade, de forma a não interferir nos direitos sexuais de outros.
  4. O direito à igualdade sexual – Liberdade de todas as formas de discriminação, independentemente de sexo, gênero, orientação sexual, idade, raça, classe social, religião ou deficiência física e emocional.
  5. O direito ao prazer sexual – Fonte de bem-estar físico, psicologico, intelectual e espiritual.
  6. O direito à expressão sexual emocional – Expressar a sexualidade através da comunicação, toques,expressões de carinho e amor.
  7. O direito à união sexual – Possibilidade de casasar ou não, ao divórcio e ao estabelecimento de outras formas de união responsável.
  8. O direito à tomada de decisões relativas à reprodução e à contracepção – Decidir por ter ou não filhos, número e espaçamento entre filhos e o direito de pleno acesso aos meios de regulação da fertilidade.
  9. O direito à informação científica – A informação sexual deve ser produzida por processos de investigação científicos e éticos propagados de forma apropriada a todas as classes sociais.
  10. O direito à educação sexual – Processo que ocorre ao longo da vida, desde o nascimento e que deve envolver todas as instituições sociais.
  11. O direito à saúde sexual – Os cuidados com a saúde sexual devem fazer parte de tratamentos de prevenção, preocupações, problemas e desordens sexuais.

A Declaração traz ainda que quando se refere às pessoas com incapacidades, assegura uma postura de igualdade de direitos e determina que, dado que esses indivíduos possuem necessidades especiais e podem estar em situação de vulnerabilidade biopsicosocial, a sua educação sexual deve ser prioritária.

Para assegurar a Declaração dos Direitos Sexuais, anos depois, durante o I Congresso Internacional de Sexualidade e Educação Sexual (realizado na Universidade de Aveiro – Portugal), em 2010,  expressa-se na Carta de Aveiro:

A necessidade de um esforço conjunto dos poderes públicos, nacionais e internacionais, organizações não governamentais e agentes da sociedade civil, no desenho de linhas de ação que encoragem o trabalho colaborativo entre as várias áreas de saber, para a promoção da saúde sexual, no respeito pela igualdade de gênero, multiculturalidade e diversidade sexual”.

Bem,  se os direitos sexuais são mesmo direitos humanos e universais por quê ainda há privação e negação da sexualidade? E é neste momento que uma indagação nos assombra… Todos, sem exceções, tem vivido, realmente, estes direitos?

Fonte: Sexualizando

O episódio proibido

No canal do Discovery Kids é transmitido o show da Luna. Uma garota que é a apresentadora e protagonista da TV Pinguim, ela explica a ciência para crianças de uma forma divertida. Mas foi achado nos arquivos da TV Pinguim um episódio que foi censurado, proibido de ser transmitido. Nós fomos até a casa da Luna para ouvir o relato dela.

– Olá pessoal, eu sou a Luna. Apesar do meu estúdio dizer que eu tenho pouca idade, eu lhes garanto que sou mais velha. Eu sempre gostei de ciência e quando o Kiko e a Célia me procuraram com um projeto de programa para ser transmitido por um canal de televisão, eu me empolguei. O roteiro era de matar, mas como o público alvo eram crianças que estão no ensino fundamental, era válido. O importante é que eu estava divulgando a ciência.

– E o episódio proibido?

– Esse episódio foi escrito por mim, com ajuda do meu irmão Júpiter. O episódio começa quando eu e Júpiter vamos visitar nossa tia que acabara de dar a luz. Então eu coloquei a pergunta: de onde vêm os bebês? Depois eu canto e danço a música tema.

– Por que foi proibido?

– Por que mexe com um tabu da sociedade. Mas para a ciência não existe tabu. A equipe e a produção tentaram parar a filmagem, então eu peguei alguns conhecidos e continuei a filmagem.

– Conte-nos como ficou esse episódio.

– Nós primeiro perguntamos para nossa tia, que não quis nos dizer. Nossos pais também não falaram nada. Eu tentei até falar com minha professora de ciências, mas ela também não quis contribuir para responder essa questão. Mas eu não desisti. Eu quero saber é meu bordão. Eu não podia desistir. Eu e Júpiter então procuramos por respostas, pela observação dos adultos, em um trabalho de campo.

– Como foi essa pesquisa?

– Nós fomos a parques e outros locais. Observamos diversos casais. Acompanhamos e seguimos. Fizemos campana em um local chamado motel e pudemos ver o processo de fabricação de bebês.

– Processo de fabricação de bebês?

– Sim, nossa tia ganhou um bebê depois que se casou. Portanto, é necessário que tenha um homem. No entanto eu e Júpiter sempre andamos juntos, mas nunca produzimos um bebê. Então deve ter algum processo que resulte em um bebê. Ali no ambiente do motel, os adultos tem um comportamento diferente do que demonstram normalmente.

– O que observaram e em quê isto ajudou na pesquisa?

– Nós anotamos as ações que o casal tinha no motel. Depois nós testamos o procedimento em meu laboratório. Eu seria a cobaia feminina e Júpiter seria a cobaia masculina. Seguimos as anotações e registramos os resultados. O processo de fazer bebês é interessante, nós repetimos os exercícios de vez em quando. Mas não resultou em bebê. Nós tivemos que entrar disfarçados na biblioteca para ver algum livro que solucionasse a questão. Então descobrimos que é necessário que um espermatozoide fecunde um óvulo para produzir um bebê.

– E mesmo assim continuam com os exercícios?

– Sim, os exercícios são uma constante descoberta de diversos fatos científicos. Como eu ainda não ovulo, há poucas chances de ocorrer a fecundação. Mas, por via das dúvidas, eu passei a usar anticoncepcional e Júpiter passou a usar camisinha.

– Por que o episódio foi proibido?

– Por que nossa sociedade ainda acha que criança e adolescente são ingênuos e inocentes a respeito de sexo. Com o acesso à informação, com o sexismo em propaganda e novelas, com a internet, é um absurdo manter esse tabu.

– O que você pretende fazer?

– Eu e Júpiter estamos divulgando nossas próprias produções entre amigos e conhecidos. Eu espero que, em breve, acabe com toda essa discriminação etária e todos possam efetivamente ser livres para amar, se relacionar e ter relações sexuais, com quem quiser, com quantos quiser. Afinal, maturidade está no indivíduo, não na idade cronológica. Havendo consentimento, não há mal algum.

Corações e mentes conturbados

Hoje no National Geographic acompanharemos o drama da família Monroe, ou para ser mais específico, da filha deles, Ashley. Uma criança normal, feliz que, repentinamente tornou-se mais fechada, reservada, amuada.

– Nós não sabemos o que aconteceu com ela. Mudou de um dia para outro. Parentes nos recomendaram procurar o doutor Pimenta, o psicopedagogo.

O doutor Pimenta é famoso por seu atendimento aos jovens em situação de conflito. Sua reputação é tanto elogiada quanto criticada, por seguir a escola Kinsey e a escola de Wilhelm Reich. Nossa equipe não pode acompanhar a consulta, então vamos entrevistar suas colegas e amigas de colégio.

– Ashley? Ela é legal. Ou melhor, era. Ficou esquisita. Ela evita a gente, tem medo de menino, não conversa, não joga mais com a gente.

– Dá licença? Eu sou a melhor amiga da Ashley. Eu sei bem o que ela está passando. Ela está virando mulher, ou melhor, desabrochando, porque nós nascemos mulher.

– Ah é. Ela tem um ano a menos que nós, embora esteja um ano adiantada na escola.

– Como e quando a senhorita percebeu a mudança?

– Meu nome é Cinder. Ashley e eu praticamente fomos criadas como irmãs. Eu e ela brincávamos muito, inclusive com meninos. Um dia eu trouxe a Lucy. Do nada ela ficou com ciúmes. Ali eu vi que ela havia mudado.

– Cinder, poderia nos indicar outra amiga ou parente com quem possamos falar?

– Hei, Lucy, venha cá! Eles querem saber da Ashley!

– Deixem a Ashley. Ela está passando por um período de conflito.

– Nós estamos apenas querendo entender o que está acontecendo com Ashley e ajudar outras meninas que passam por isso.

– Então tudo bem se eu falar. Ashley fez um escândalo em casa quando ela me viu com meu padrasto. Antes ela não ligava. Eu achava que ela ficava brava porque devia pensar que eu e Cinder éramos parceiras. Mas depois ficou claro que ela adquiriu um tipo de preconceito. Eu só não sei se foi influência de outra pessoa.

– Você acha que a Ashley teve influência externa?

– Pode ser. Quando chegamos em uma certa idade, nós começamos um conflito conosco mesmas, com nossa família, com nossos amigos. Procuramos, desesperadamente, por uma personalidade, uma identidade que reflita nossa transformação. Não queremos mais ser tratadas como crianças.

– Ashley sai do consultório. Vamos tentar falar com ela!

– Hei, Ash! Aaaash! Esse pessoal quer falar com você.

– Ai gente, que crise! Não tem o que falar. Passou. Eu encarei meus medos, inseguranças em relação ao meu corpo, em relação a mim mesma, em relação aos outros.

– Então você não vai mais pirar quando eu estiver com meu padrasto?

– Olha, se você me convidar e o seu padrasto quiser entrar na brincadeira, eu vou brincar com ele, tudo bem?

– Tudo ótimo! Minha Ash voltou!

– Avise a Cinder. Vamos todos fazer uma bela festa.

– Desculpem, meninas, mas vocês não acham muito incomum esses relacionamentos?

– Ih, o pessoal do National Geographic precisa de psicólogo. Grava aí. Não existe um modelo único, padrão, para o amor, para o relacionamento, para o sexo. Todos são livres e tem o direito de amar quem quiser, quantos quiser, desde que sejam maduros e haja consentimento. Amor é a Lei.

Meu pecado é o seu medo

– Olá ouvintes de Alice Pergunta. Hoje nós estamos na Floresta Negra para entrevistarmos o Lobo Mau.

– Hei, essa área é particular! Intrusos não são bem vindos!

– Olá, Lobo Mau, eu sou Alice do programa Alice Pergunta, o senhor deve conhecer.

– Nunca tive esse desprazer. Eu vivo na Floresta Negra exatamente para evitar contato com humanos.

– Mas nosso programa também é feito para as criaturas mágicas que vivem nas florestas. O senhor deve ter visto nosso programa na internet.

– Internet? Eu não tenho sequer rádio. Quiseram me vender um telefone. Eu os comi.

– Ora, o senhor deve ler algum jornal local.

– Sim eu leio O Salgueiro. Ah, eu lembro de ter lido algo sobre seu programa. Mas o que a senhorita veio fazer aqui?

– Nós viemos para entrevistar o senhor, afinal, nosso programa sempre quer ouvir o outro lado da história.

– História? Que história?

– A do senhor com a Chapeuzinho Vermelho que muitos condenam como pedofilia.

– Pelos ossos podres do barão. Essa história de novo? Depois de tanto tempo? Eu vou dizer somente mais uma vez. Eu não sou pedófilo.

– Claro que não, Lobo Mau. Por isso mesmo que viemos para te entrevistar, deixar que o senhor conte o seu lado.

– Então vamos começar certo. Meu nome é Stuart. Lobo Mau é uma alcunha que meus detratores usam. Eu morava em uma vila aqui próximo. Eu tinha uma vida simples e feliz, ajudava até humanos nas celebrações aos Deuses. Mas vocês humanos são problemáticos. Sempre que vinham aconteciam problemas. Meu povo recorria a mim por que o humano tinha medo e respeito por eu ser lobo. Sabe como é dificil ter que fazer algo e carregar a culpa que nos atribui? Eu fiquei conhecido como Lobo Mau porque expulsei os humanos.

– Isto é incrivel, Stuart e acredite eu sei o que o senhor sente. Eu tive problemas com a Rainha de Copas. Mas e quanto a Chapeuzinho Vermelho?

– O nome dela era Shirley. Ela usa a alcunha de Chapeuzinho Vermelho para enganar seu povo. Humanos não sabem ficar no lugar deles. Shirley começou a vir para a vila, com outros jovens, supostamente para fazer rituais de bruxaria. Eu conheço bruxas. Aquilo que ela fazia era ridículo demais, mas os humanos a aclamavam como bruxa, como sacerdotisa da Deusa. Certamente alguma coisa que ela copiou de algum livro. Ela chegava com aquele capuz vermelho, acompanhado de outros jovens com capuzes marrons nas cerimônias, querendo participar. A quem meu povo recorreu de novo? Ao Lobo Mau. E eu tive que fazer jus à minha reputação. Shirley não gostou e começou a me difamar entre os humanos. Os humanos, preguiçosos, ignorantes, iludidos, acreditavam mais nela e em suas alegações do que no que eu dizia.

– Acredite, Stuart, nem todos humanos acreditaram nessa Shirley. Pena que sejamos poucos. Mas e quanto a acusação de pedofilia?

– Alice, vá até a vila onde eu morei por anos. Veja se há alguma denuncia, acusação ou processo contra mim. Se não fosse por Shirley e sua massa de humanos manipulados, eu continuaria a viver nessa vila. Mas acabei sendo banido da convivência com os meus pela palavra de uma descelerada.

– Então a acusação foi apenas verbal, parte da campanha de calúnia, injúria e difamação da Shirley?

– Completamente. Eu não espero que humanos entendam, afinal vocês são esquisitos e complicados. Meu mundo e meus valores são de outro mundo. Vocês acreditam que uma pessoa é capaz ou incapaz de certos atos de acordo com uma idade. Isso é discriminação etária. O que vocês chamam de pedofilia, que se tornou um tipo de histeria e paranóia, simplesmente não faz sentido. Segundo vocês, a pedofilia é o abuso sexual cometido contra menores. Abuso sexual é crime, independente da idade. Vocês criaram um limite arbitrário a partir do qual o abuso se torna mais hediondo. E nunca discutiram como é sem sentido esse limite da “idade de consentimento”. Eu perdi a conta de quantas vezes eu vi gente do seu povo ter que fugir, até nobres, de suas casas, só porque uma pessoa do casal estava abaixo da idade permitida. A senhorita deve conhecer Cinderela, Branca de Neve, Rapunzel.

– Sim, nós conhecemos. Mas eu ainda não entendi o que este caso tenha a ver com a Shirley.

– Tudo. Shirley procurou uma forma de ser aceita e reconhecida como bruxa e como sacerdotisa da Deusa. Eu acho que foi através dessa tal de internet que ela achou a Selene. Ela praticamente a adotou como avó e seu povo a chamou de Vovózinha. A quem Selene apelou para se livrar da mala? Ao Lobo Mau. Eu amo Selene. Eu faço qualquer coisa por ela. A idéia era de amedrontar a Shirley. Mostar apenas um pedacinho do que é Bruxaria. O problema é que Selene, apesar de ser Anciâ no ofício, tem somente três anos a mais do que a Shirley. Para seu povo ela estava em uma idade limítrofe, dependendo do caso e circunstância. Shirley não quis nem saber. Saiu correndo assim que Selene tirou a roupa para que eu realizassem com ela o Grande Ritual. Estava feito o estrago. A história dela foi divulgada e foi desconsiderado qualquer circunstância.

– Então a história que ela conta de que o senhor comeu a Vovózinha e depois tentou comê-la não é toda a história?

– Digamos que é a versão dela, que certamente traz grande satisfação aos psicólogos. Shirley no fundo queria ser Selene. Como muitas mulheres, ela vive um dilema entre o que sente e o que a sociedade do seu povo manda. Vocês são realmente esquisitos. Inventam regras para o amor. Inventam regras para os relacionamentos. Inventam regras para as idades. Depois ficam procurando soluções para os problemas que vocês mesmos criaram. Como se isso não fosse suficiente, colocam todos seus medos e inseguranças em coisas e seres, como se fossem culpados. Meu pecado é o seu medo.

– Sua história é fantástica, Stuart! Eu tenho certeza de que nosso público entendeu e gostou de sua mensagem. A guisa de informação, a Chapeuzinho Vermelho, ou melhor, a Shirley, caiu em desgraça. Recentemente Selene em pessoa foi até a prefeitura local e desmascarou a farsante. Minha vinda aqui foi intencional. Eu quis trazer ao senhor um convite para participar de uma cerimônia de desagravo, onde o senhor poderá recuperar todas as suas atribuições.

– Oh, puxa… obrigado. Eu nem sei o que dizer, depois de ter me comportado tão mal. A senhorita merece um beijo.

– Depois da festa nós podemos conversar sobre isso. Aqui é Alice, sua apresentadora do Alice Pergunta. Até a próxima, pessoal!

Tire seus tabus de meus direitos

Sou assumidamente feminista, defendo os direitos das mulheres de se equipararem em direitos aos homens. Mas sempre fui contra os extremismos, acho que extremo beira o irracional. Assim como o preconceito, como o próprio nome já diz, conceituar previamente, sem conhecer.

É tão cansativa essa gente que rotula; “essas feministas amargas e mal amadas!”, “essa mulherada querendo ser igual aos homens”… e blá, blá, blá. Alto lá meu amigo! Amarga e mal amada? Trata-se disso lutar por direito e respeito, agora?! Lutamos sim, para nos equipararmos, mas em questão de direito, aceitação, respeito.  Não, nós não queremos ser literalmente iguais a vocês. É uma questão histórica a mulher ser tratada no pejorativo, e uma hora essa história tem que mudar, não é?!

Eu sempre defendo que o conceito é válido desde que , quando aplicado a ambos os sexos, seja igualmente justo, ou seja, chega dessa balela de que mulher dirige mal, meu bem. Já vi tanto homem barbeiro, e tanta mulher dando de mil nessa “macharada”!

Certa vez, em um papo de boteco, ouvi o seguinte absurdo: “Eu quero que a minha mulher trabalhe, mas quero ter condições pra que quando tenhamos um filho ela pare de trabalhar e se dedique exclusivamente a família.” Legal Bonitão, e o que a sua MULHER vai querer, já parou pra pensar?! Suponhamos estudar, trabalhar, ralar e, quando finalmente estiver alcançando o foco, largar tudo, porque seu companheiro é egoísta o suficiente para não pensar que a sua realização pessoal possa vir a ser a profissional!  Mais uma vez, em pleno século XXI o patriarcado chato! O “cavalheirismo” ultrapassado.

E a velha historia da mulher “fácil”?! O velho tabu, do garanhão e da “vadia”, o pegador que “come todas”, e aquela garota fácil que transou na primeira noite, ou que “já saiu com o meu amigo”. Eles não gostam de doce na hora H, mas acham que se torna muito fácil se conseguir de primeira. Oi?! Em que mundo você vive, meu bem?! Desde quando mulheres são bonecas de louça desprovidas de desejos carnais? E a liberdade de interesse? Quem foi o retrógrado que nos tirou isso?! Nesse mundo cada vez mais conectado de inúmeras formas, sabe qual a chance de fugir de um circulo de amizades?!

Difícil é agradar… Alias, esse é o ponto crucial. Não acho que se trate de uma questão de agradar a um segundo ou terceiro, trata-se de agradar a si própria, fazer o que nos faz feliz. Depilo-me porque gosto, me sinto bem e limpa, não porque sou mulher e por ser mulher preciso depilar(homens peludos também não são legais!). Me arrumo, vou ao salão, uso salto e maquiagem, porque faz bem à MINHA autoestima, não pra agradar aos homens e nem causar “inveja” às mulheres, como dizem muitos clichês. Elaboro minha meta profissional, trabalho, sou financeiramente independente, faço sexo por amor, faço sexo sem amor,  namoro quando gosto e quando namoro sou fiel, e fim. Sou feliz! Faço o que me faz bem, e não faço mal a ninguém!

Essa ditadura patriarcal é muito injusta, e por sorte já tem caído por terra. Já existem muitas mulheres no mercado de trabalho, sendo merecidamente reconhecidas, homens metrossexuais e/ou homens feministas, que acreditam que os direitos e deveres são iguais, que nos enxergam além das quatro paredes, nos respeitam pelo que somos, quem somos.

Entendam: sempre temos muito mais que o seu conceito machista permite enxergar, a oferecer, mesmo existindo pessoas que simplesmente não mereçam conhecer este nosso lado.

Julgue menos e ame mais! Olhe um pouco para o seu querido umbigo! Todos devem ter direitos iguais, independentemente de gênero! E o principal deles, o de ser feliz, é imensurável!

Por Pollyanna Caroline

https://sexoentreamigas.wordpress.com/2013/08/28/assumidamente-feminista/

Sexo, preconceito e opressão

O papo é sobre sexo e preconceito. Parto do seguinte princípio: toda e qualquer manifestação de ódio é patológica. Do xenofobismo explícito ao preconceito de gênero mais velado – todos têm raízes no que se busca esconder de si mesmo nas “gavetas” da alma, trancadas a “sete chaves”… algo bem profundo que está cravado no sub/in (não sei definir) consciente. E a troco de quê? Simplesmente para tentar esconder algo que vai contra o sistema (opressor) das normas de conduta sociais, talhadas a fogo, ao longo das gerações, nas mentes mais frágeis. Trata-se da tentativa de fazer parte do que parece ser o “lado mais forte”, para não demonstrar vulnerabilidade. Em outras palavras, é o oprimido cultuando o opressor. 

 

Há dogmas aplicados a todo o momento nas relações sociais, que não percebemos totalmente – nem a presença, nem as nefastas consequências, principalmente quando se trata de sexualidade. Piadinhas, repulsa ao próximo (“ah, tenho nojo de gay!”), maledicências (“também…olha a roupa que ela estava usando! Pediu para ser estuprada/agredida/mal falada”); os termos de decoro, o jogo de “mostra-esconde” para fazer parecer algo na sociedade, sede por status, necessidade de manter uma imagem. Tudo isso serve para fomentar um clima de ódio que, por sua vez, impulsiona o círculo vicioso de agressões gratuitas.
Interessante, no entanto, é observar as linhas de raciocínio dos que procedem no ódio por questões de gênero, sexo e/ou identidade. Por que relacionamentos, condutas individuais e preferências íntimas soam como afrontas a certas pessoas? Os argumentos mais usados dizem que o que é pessoal, individual e íntimo, teria dimensões coletivas e, por isso, prejudiciais. As bases para tal estariam na “tradição”, em manter as coisas como estão – oprimidos silenciados e opressores em seus pedestais – tão cômodo quanto perverso (egoísta, cruel, etc.).

Entretanto, essa visão de mundo, por pior que seja, é passível de análise. O interesse em subjugar o outro deriva de um instinto primitivo de preservação, mecanismo ativado pelo medo, quando se acredita que existe uma ameaça que precisa ser combatida. É conduta repreensível, com certeza – mas é, antes de tudo, animalizada e irracional. Em outras palavras, esse comportamento é fruto de uma mente insegura, vulnerável e que não raciocina muito bem. Digna de pena.

Há quem lute (da, contra ou pela) questão e há quem fuja dela. Sou da opinião de que é preciso tocar na ferida para saná-la, evitar que se instale a doença e o mal se espalhe. E você?

por Julianne Lam

https://sexoentreamigas.wordpress.com/2013/05/05/analisando-controversias-sexo-preconceito-e-opressao/