O presente especial – IV

– Léo? Sou eu, Letícia. Você e Vânia podem ficar com a Carla no sábado? Nós queremos fazer uma festa surpresa para o aniversário dela.

O telefonema veio pouco antes do fim do expediente de sexta. Por desencargo de consciência eu liguei para Vânia, que, evidente, sabia de tudo. Cansado e exausto que eu estava, com sono acumulado, eu apenas pensei em tomar banho, fazer um lanche e dormir. O dia seguinte prometia ser um sábado igual ao que eu tive no clube. Mas minha libido me deu um descanso.

Sábado de manha, tomei café, naveguei na internet e chequei as notícias. Vânia desceu bem depois para tomar o café quando a campainha tocou. Letícia e Carla haviam chego. Eu abri a porta e lhes ofereci café. Letícia ficou atiçando Vânia por ainda não ter acordado. Carla ficou acessando a internet. Antes de ir, Letícia sussurrou algo em meu ouvido que me arrepiou.

– Olha lá, hem, cunhadão! Não vai tarar sua sobrinha! Você só pode fazer com ela o que faz comigo, certo?

Eu não sei se Letícia fala do evento no clube ou de nossa juventude, quando ainda éramos solteiros, quando eu praticamente namorava ela e Vânia. Depois que Letíca vai embora e eu deixo Vânia no serviço dela, eu encontro Carla sentada no sofá, assistindo tevê.

– Senta aqui, tio. Nós temos que terminar a conversa que começamos no clube.

– Carla, nós não podemos…

– Quem disse? A geração antiga não podia sonhar. Sua geração podia sonhar. A minha geração veio para tornar real os sonhos. Eu não sou minha mãe ou a tia Vânia para ficar curtindo sonhos e desejos sem realizá-los.

Eu me sentei para tentar assimilar e racionalizar algo que eu sempre defendi e apoiei, mas jamais esperava que um dia a humanidade pudesse alcançar tal nivel evolutivo. Carla sentou no meu colo, tascou um beijo apaixonado em mim, enquanto sua mão alisava entre minhas pernas.

– Eu leio seus contos, tio e concordo com tudo que o senhor escreve. Então por que o senhor resiste? O senhor não me acha atraente? O senhor não gosta do meu corpo? O senhor não me ama?

– Carla, escrever é uma coisa, tornar real é outra. Se alguem perceber algo, eu sou um homem morto.

– Então o senhor está em um dilema. Por que se não fizer coisa alguma, está traindo seus ideais. Se não fizer coisa alguma, eu inventarei. Mas se fizer bem feito, apenas mamãe vai saber. Eu sei que ela quer o senhor.

Carla tira sua roupa, mostrando seu belo corpo, perfeito, totalmente formado. Eu percebo que ela pergunta algo, mas meu corpo responde melhor que minha mente. Sem demora, ela tira minha roupa e demonstra que sabe o que quer e que está consciente do que quer. O que restava de razão ou consciência se esvai, eu me entrego ao instinto e fazemos amor ali na sala mesmo. Cansados, suados, babados, tomamos banho juntos, trocamos carícias e descansamos.

Eu peguei Vânia no serviço e pouco depois Letícia chegou para levar Carla. Antes de ir, ela me deu um beijo e um abraço, sussurando em meu ouvido algo que eu achava que existisse apenas em meus contos.

– Obrigada, tio, o senhor me deu um presente especial, o melhor que eu poderia ganhar.

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