O presente especial – III

Eu acordei duas vezes de madrugada para ir ao banheiro. Na primeira, Letícia saiu de dentro, com uma langerie que pouco escondia. Na segunda, eu estava saindo do banheiro e me deparei com Carla, com uma lingerie ainda mais provocante.

– Viu alguma coisa que gostou?

Piadas, palavras de duplo sentido, provocações. Letícia nem parece ter a idade que tem, nem que teve uma filha. Ela mudou quase nada da época que eu a conheci. Carla, então, poderia passar fácilmente por irmã de Letícia, ou uma cópia melhorada. O sono, que veio dificil, ficou aina mais caprichoso. Quando eu conseguia dormir, os sonhos eram fantasias que não poderiam sequer ser publicadas em revistas adultas masculinas. Acordei com sono acumulado, nem o café pode me ajudar.

Depois do café da manhã e digestão, fomos na piscina. Ver minhas meninas de biquini me atiçou o apetite e o ciúmes. Na psicina, Vânia ficou perto, me alisando, me abraçando, me beijando, me pegando debaixo da água, até me deixar excitado e depois me largava, só para ver o que eu faria. Até aí, normal, eu e Vânia nos pegamos em público, sem problemas. Mas Letícia chegou perto e fez a mesma coisa.

– Não pense que eu não sei o que você quer, cunhadão. Olha lá hem? Se você não fizer direito, eu conto tudo pra Vânia e pro Pedro.

Armava meu circo, deixava meu palhaço animado e me largava, com um periscópio apontando debaixo da água. Eu escrevi diversos contos assim, mas a realidade é mais… complicada. Outros usuários conheciam Vânia e seus olhares reprovadores me fitavam, como se eu estivesse cometendo o mais horrível dos crimes. Não adianta falar para pessoas medíocres que niguém é dono de ninguém. Eu peguei uma cerveja bem gelada e coloquei em cima, para amenizar. Mas então veio Carla. Aí a coisa pegou fogo.

– Tio, eu sei o que você sente por mamãe e eu sei o que você sentiu ontem de madrugada. Olha, se mamãe não tem coragem, eu tenho. Mas se você não fizer direito, eu conto tudo pros meus pais, pra titia e pra Polícia.

Se os usuários pudessem, me enforcariam ali mesmo. Adultos não lidam muito bem com relacionamentos, lidam pior com a noção de idade de consentimento. Carla tem plena maturidade e seu corpo está formado, mas o preconceito etário vê apenas a idade cronológica. Eu tento raciocinar, mas o corpo funciona pelo instinto. Antes que a cena fique pior, uma chuva prividencial começa a cair, todos começam a sair correndo da piscina. Vânia e Letícia nos chamam na borda, Carla sai primeiro e eu saio depois de enrolar uma toalha na cintura.

A chuva cessa quando chega a noite. Comemos um lanche e subimos para o quarto. Vânia e Letícia estão na frente, chamando o elevador quando Carla sussurra em meu ouvido algo que me arrepia.

– Não pense que acabou. Depois nós continuamos.

Os dias passaram feito trovão, sem outros incidentes. Voltamos para a capital e para a triturante rotina. Eu voltei a dormir normalmente lá pela quarta, depois de muita cerveja e whisky. Mas sempre tem a sexta feira.

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