Jornada de uma alma – V

O perdido que eu chamo de Emissor segui conosco, indicando o caminha. Passamos por corredores, portas, montanhas, vales, rios, mares e cidades sem conta, percorrendo uma distância incrivel para os padrões humanos. Paramos certamente em uma região que estava em outro continente, ou outro nivel, ou outra dimensão.

– Aqui podemos encontrar vários Supervisores. No caso deste perdido, vale a pena tentar, mas não criemos espectativas. Supervisores estão tão próximos de uma natureza limitrofe que eu não tenho como garantir que venham a nos ajudar.

– Ora, Emissor, isto não são formas de se referir a um Supervisor. O senhor guarda alguma mágoa de algum Supervisor?

Bem a nosso lado, uma entidade, ou uma presença, quase translúcida, mas notável, nos interpelou. Sua aparência remetia ao anjo em minhas memorias da vida humana.

– Evidente que não, senhor Supervisor. Do contrário eu não seria um Emissor, como o senhor mesmo me nomeou. A Providência e a Fortuna nos aproximaram para a felicidade deste perdido.

– Emissor, como pode falar da Providência e da Fortuna? Acaso as conhece? E o que nossas rainhas tem com este perdido?

– Talvez coisa alguma, talvez alguma coisa. Ele me foi trazido por esse Informante e o histórico incomum deste perdido pede pela consideração do senhor Supervisor.

O Perdido que eu chamo de Emissor, com ajuda do Informante, contaram os eventos que me conduziram até este momento. O Supervisor parecia ouvir tudo com condescendencia e paciencia, como avós ouvindo seus netos.

– Entendo. Então o senhor recuperou parte de suas memórias humanas com sucesso e aceitou sua atual condição sem resistencia ou negação. Realmente, raro. Se quer que eu te diga algo, deve se identificar. Como deve ter percebido, levamos, ainda que provisório, nomes ou títulos.

– Senhor Supervisor, pode me chamar de Profeta do Profano. O que tiver que me contar, diga-o sem reservas, pois eu irei entender e aceitar os fatos.

– Providência e Fortuna. Talvez eu deva incluir Destino. Seu desejo de ser conhecido neste mundo pelo título que usava no mundo humano tem um motivo e mostra que tem a capacidade. Que seja. Se escolher voltar ao mundo dos humanos, seja fiel ao seu papel, seja sincero, honesto e honrado. Conte exatamente como foi sua jornada. Podemos evitar os desvios de muitos perdidos.

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