Fim de Férias – III

Eu volto ao meu setor sem o mesmo ânimo. Eu desperdicei pelo menso 10 anos dando carinho atenção e amor às colegas de serviço que eu achei que eram minhas amigas.

Como eu havia dito, é complicado ser eu. Eu nasci na época da Contracultura, da Revolução Cultural. Eu acreditei por muito tempo nesses ideais de Direitos Humanos, de Amor Livre, de Justiça Social.

Estamos no século XXI, mas a mentalidade de nossa sociedade ainda está no século XX, na década de 60. Em termos de amor, sexo e relacionamento, estamos na Era do Puritanismo Vitoriano, do Romantismo Medieval.

Nosso Código Penal reflete bem o espírito da época, um tempo de Ditadura Militar, onde falar em direitos, cidadania e consciência política era colocar um alvo nas costas. Um código de leis que ficou fossilizado. Precisamos reformar vários itens desse código, a começar pelos itens que tangem as questões de amor, relacionamento e sexo, incluindo a chamada “idade de consentimento”.

No CP ainda é proibido a bigamia, sendo que na prática faz anos que a sociedade aceita e os cidadãos tem seus casos e amores que não suas parceiras e elas também não ficam atrás. O CP deve acompanhar a sociedade deste tempo, incusive a Constituição deve ser reformada nessse quesito, reconhecendo e garantindo o direito de outras formas de conjunção, união e relacionamento.

Um assunto dificil de se legislar, considerando a intolerância e o preconceito contra a sociedade LGBT. Homofobia apenas perde para outra neurose e paranóia, que é a pedofilia.

Na década de 50, século passado, podíamos aceitar e afirmar que uma criança e um adolescente não tem maturidade ou consciência suficiente para consentir ou ter qualquer forma de relacionamento. Mas na Era da Internet, com tanto acesso à informação e a massiva presença do Erotismo na Midia de Massa, chega a ser ridiculo ainda acreditar que uma criança e um adolescente são criaturas assexuadas, ingênuas e inocentes.

Hoje em dia, a criança e o adolescente sabe e tem mais experiências erotico-afetivas do que nós quando tínhamos a idade deles.

O que eu proponho é revolucionário, perigoso, polêmico, controvertido, mas libertador. Todos tem o direito e a liberdade de amar quem quiser, quantos quiser, desde que sejam ambos maduros e haja consentimento mútuo. E maturidade não vem com uma determinada idade ou faixa etária.

Tudo que uma pessoa precisa é oferecer seu amor. Sem crise, sem neura, sem medo, sem constrangimento.

Tudo que uma pessoa que recebe a oferta precisa é saber se quem oferece é saudável. Interesse, atração, afinidade somente podem acontecer se for dada alguma oportunidade.

O casamento deixa de ser uma prisão ou um contrato com cláusulas fixas. Cada pessoa pode e deve optar por escolher como vai construir o relacionamento. Ninguém é dono de ninguém. Como bem descreveu Mauro Bartolomeu, esse é o regime da Onigamia.

Mas somente poderemos chegar lá se nos livrarmos de toda repressão e opressão sexual. Se nos reapoderarmos de nossos corpos, desejos e prazeres.

Um primeiro passo necessário: educação sexual. Com isso, diminuirá ou se eliminará a necessidade de revistas pornográficas, diminuirá os casos de violência sexual e se acabará com a discriminação etária.

Tudo que nós precisamos é Amor.

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