Fim de férias – II

Outubro de 2014 passou, meus 30 dias de férias merecidas acabaram.

Eu passei 8 dias em Salvador e optei por um passeio mais turístico. Mal voltei para São Paulo, o celular toca. Minha irmã me procurando para empurrar problema.

– Por que ninguem liga para perguntar se eu estou bem, se preciso de algo?

– Beto, por acaso você liga para perguntar se estamos bem, se precisamos de algo?

Não, eu não ligo. Mas não é esse o caso. O caso é de apenas lembrar de mim quando querem algo de mim. Quando eu preciso de algo, eu mesmo resolvo. Eu fui criado e cresci acostumado assim. Como o Patinho Feio de uma família enjeitada, eu tive que aprender a me virar sozinho. Parentes e familiares, durante minha infância e adolescência, fizeram questão de ignorar minha existência. Eu simplesmente estou devolvendo o favor.

Foi desgastante ter que remoer essas velhas mágoas que, pelo visto, continuam bem vividas e enraizadas. Eu tenho que me conscientizar que nada nem ninguem irá devolver o sacrifício, o esforço ou o prejuízo que tive durante 20 anos. Também não me ajuda nem adianta em coisa alguma ficar se apegando a estas mágoas. Eu tenho que exorcisar estes fantasmas de uma vez por todas. Nada é por acaso, disso eu sei, eu não teria chego até aqui sem passar por estas situações ruins. Eu não teria crescido, eu não seria independente, eu não seria razoavelmente bem sucedido, eu não teria uma casa e uma esposa. Provavelmente eu não teria encontrado o Caminho do Bosque Sagrado.

O que eu sei, experimentei, não precisa ser impedimento ou obstáculo. Tudo que eu tenho que fazer é não repetir o mesmo comportamento ou reação que me custaram tanta dor. A culpa, na maioria dos casos, é sempre de quem se posta de vítima. Eu terei que fazer por mais alguns meses o exercício do Orai e Vigiai. O que é bom, quanto mais eu praticar, mais próximo de meus ancestrais e Deuses eu estarei.

A volta ao serviço não é esperada, ansiada. Trabalhando há mais de 20 anos no Tribunal de Justiça, foram tantas experiências e tropeços que me fazem querer trocar urgentemente de ocupação, profissão, serviço. Como é virtualmente impossivel que meus livros venham a ser publicados, eu escrevo meus textos e contos simplesmente por gostar de escrever. A minha ultima satisfação nessas férias foi poder pagar um almoço para minha cunhada. O que me lembra meu maior desafio e dificuldade, que é falar e defender ideias sobre o amor, sexo e relacionamento que soam, se não utópicas, indecentes e imorais.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s