Arquivo mensal: novembro 2014

O presente especial – IV

– Léo? Sou eu, Letícia. Você e Vânia podem ficar com a Carla no sábado? Nós queremos fazer uma festa surpresa para o aniversário dela.

O telefonema veio pouco antes do fim do expediente de sexta. Por desencargo de consciência eu liguei para Vânia, que, evidente, sabia de tudo. Cansado e exausto que eu estava, com sono acumulado, eu apenas pensei em tomar banho, fazer um lanche e dormir. O dia seguinte prometia ser um sábado igual ao que eu tive no clube. Mas minha libido me deu um descanso.

Sábado de manha, tomei café, naveguei na internet e chequei as notícias. Vânia desceu bem depois para tomar o café quando a campainha tocou. Letícia e Carla haviam chego. Eu abri a porta e lhes ofereci café. Letícia ficou atiçando Vânia por ainda não ter acordado. Carla ficou acessando a internet. Antes de ir, Letícia sussurrou algo em meu ouvido que me arrepiou.

– Olha lá, hem, cunhadão! Não vai tarar sua sobrinha! Você só pode fazer com ela o que faz comigo, certo?

Eu não sei se Letícia fala do evento no clube ou de nossa juventude, quando ainda éramos solteiros, quando eu praticamente namorava ela e Vânia. Depois que Letíca vai embora e eu deixo Vânia no serviço dela, eu encontro Carla sentada no sofá, assistindo tevê.

– Senta aqui, tio. Nós temos que terminar a conversa que começamos no clube.

– Carla, nós não podemos…

– Quem disse? A geração antiga não podia sonhar. Sua geração podia sonhar. A minha geração veio para tornar real os sonhos. Eu não sou minha mãe ou a tia Vânia para ficar curtindo sonhos e desejos sem realizá-los.

Eu me sentei para tentar assimilar e racionalizar algo que eu sempre defendi e apoiei, mas jamais esperava que um dia a humanidade pudesse alcançar tal nivel evolutivo. Carla sentou no meu colo, tascou um beijo apaixonado em mim, enquanto sua mão alisava entre minhas pernas.

– Eu leio seus contos, tio e concordo com tudo que o senhor escreve. Então por que o senhor resiste? O senhor não me acha atraente? O senhor não gosta do meu corpo? O senhor não me ama?

– Carla, escrever é uma coisa, tornar real é outra. Se alguem perceber algo, eu sou um homem morto.

– Então o senhor está em um dilema. Por que se não fizer coisa alguma, está traindo seus ideais. Se não fizer coisa alguma, eu inventarei. Mas se fizer bem feito, apenas mamãe vai saber. Eu sei que ela quer o senhor.

Carla tira sua roupa, mostrando seu belo corpo, perfeito, totalmente formado. Eu percebo que ela pergunta algo, mas meu corpo responde melhor que minha mente. Sem demora, ela tira minha roupa e demonstra que sabe o que quer e que está consciente do que quer. O que restava de razão ou consciência se esvai, eu me entrego ao instinto e fazemos amor ali na sala mesmo. Cansados, suados, babados, tomamos banho juntos, trocamos carícias e descansamos.

Eu peguei Vânia no serviço e pouco depois Letícia chegou para levar Carla. Antes de ir, ela me deu um beijo e um abraço, sussurando em meu ouvido algo que eu achava que existisse apenas em meus contos.

– Obrigada, tio, o senhor me deu um presente especial, o melhor que eu poderia ganhar.

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O presente especial – III

Eu acordei duas vezes de madrugada para ir ao banheiro. Na primeira, Letícia saiu de dentro, com uma lingerie que pouco escondia. Na segunda, eu estava saindo do banheiro e me deparei com Carla, com uma lingerie ainda mais provocante.

– Viu alguma coisa que gostou?

Piadas, palavras de duplo sentido, provocações. Letícia nem parece ter a idade que tem, nem que teve uma filha. Ela mudou quase nada da época que eu a conheci. Carla, então, poderia passar fácilmente por irmã de Letícia, ou uma cópia melhorada. O sono, que veio dificil, ficou ainda mais caprichoso. Quando eu conseguia dormir, os sonhos eram fantasias que não poderiam sequer ser publicadas em revistas adultas masculinas. Acordei com sono acumulado, nem o café pode me ajudar.

Depois do café da manhã e digestão, fomos na piscina. Ver minhas meninas de biquini me atiçou o apetite e o ciúmes. Na piscina, Vânia ficou perto, me alisando, me abraçando, me beijando, me pegando debaixo da água, até me deixar excitado e depois me largava, só para ver o que eu faria. Até aí, normal, eu e Vânia nos pegamos em público, sem problemas. Mas Letícia chegou perto e fez a mesma coisa.

– Não pense que eu não sei o que você quer, cunhadão. Olha lá hem? Se você não fizer direito, eu conto tudo pra Vânia e pro Pedro.

Armava meu circo, deixava meu palhaço animado e me largava, com um periscópio apontando debaixo da água. Eu escrevi diversos contos assim, mas a realidade é mais… complicada. Outros usuários conheciam Vânia e seus olhares reprovadores me fitavam, como se eu estivesse cometendo o mais horrível dos crimes. Não adianta falar para pessoas medíocres que niguém é dono de ninguém. Eu peguei uma cerveja bem gelada e coloquei em cima, para amenizar. Mas então veio Carla. Aí a coisa pegou fogo.

– Tio, eu sei o que você sente por mamãe e eu sei o que você sentiu ontem de madrugada. Olha, se mamãe não tem coragem, eu tenho. Mas se você não fizer direito, eu conto tudo pros meus pais, pra titia e pra Polícia.

Se os usuários pudessem, me enforcariam ali mesmo. Adultos não lidam muito bem com relacionamentos, lidam pior com a noção de idade de consentimento. Carla tem plena maturidade e seu corpo está formado, mas o preconceito etário vê apenas a idade cronológica. Eu tento raciocinar, mas o corpo funciona pelo instinto. Antes que a cena fique pior, uma chuva providencial começa a cair, todos começam a sair correndo da piscina. Vânia e Letícia nos chamam na borda, Carla sai primeiro e eu saio depois de enrolar uma toalha na cintura.

A chuva cessa quando chega a noite. Comemos um lanche e subimos para o quarto. Vânia e Letícia estão na frente, chamando o elevador quando Carla sussurra em meu ouvido algo que me arrepia.

– Não pense que acabou. Depois nós continuamos.

Os dias passaram feito trovão, sem outros incidentes. Voltamos para a capital e para a triturante rotina. Eu voltei a dormir normalmente lá pela quarta, depois de muita cerveja e whisky. Mas sempre tem a sexta feira.

O presente especial – II

Vem segunda, a rotina e o estresse nos rondando, prontos para dar o bote. O serviço se multiplica, quem é trabalhador sabe bem como é essa sensação de que se está enxugando gelo. Há mais de 20 anos que nossa função é executada do mesmo jeito, de forma precária, improvisada. Há tempos que eu desisti de lutar por melhorias, recursos e tecnologia. Para a diretoria, enquanto estiver funcionando, está bom. Mas a cobrança é pesada quando acontece uma falha ou lacuna. E não adianta brigar, falando pro chefe ou diretor que falhas e lacunas acontecem porque faltam recursos para a execução do serviço.

Passa terça, quarta, quinta. Chega sexta e todo mundo fica alucinado, olhando os minutos que faltam para o fim de semana. Todos doidos para tomar cerveja, ir para a balada, azarar as mulheres, gastar o dinheiro que não tem em boate. Eu fico até mais tarde, escrevendo meus contos, lendo notícias, procurando novidades, atendendo os últimos pedidos. Eu me sirvo de café, para controlar o sono acumulado, quando meu celular toca.

– Oi, Léo. Vem aí um fim de semana prolongado. Você vai estar de folga?

– Sim e a senhora está pagando.

– Se todos fossem como você, eu não me incomodava em pagar. Mas a maioria é preguiçosa. Escuta, eu e a Carla vamos no clube. Que tal você e Vânia virem junto?

– Eu vou ligar pra minha fofucha e perguntar. Qualquer coisa, nós ligamos de volta, para combinar.

– Eu falei com ela, mas ligue mesmo assim.

Despedidas, palavras de duplo sentido, provocações, piadas, abraços e beijos trocados, eu ligo para a dona da pensão.

– Oi amor. Letícia ligou. Ela nos convidou para irmos ao clube nesse fim de semana prolongado. Vamos?

– Oi amor. Ela falou comigo também. Achei a ideia ótima. Sábado vamos todos no clube e ficamos três dias. Nós precisamos descansar.

– Ótimo. Então vamos acordar cedo no sábado, certo?

– Acordar cedo, não madrugar.

Despedidas, palavras de duplo sentido, provocações, piadas, abraços e beijos trocados. Eu acordo cedo, com de praxe, preparo o café. Vânia desce bem depois. Toca a campainha. Letícia e Carla chegam. Eu as convido a tomar café conosco. Piadas, trocadilhos, provocações, palavras de duplo sentido. Até parece que compartilham as mesmas coisas. Vânia pelo menos se arruma rapidamente. O transito ajuda e chegamos antes do almoço. Almoçamos, passeamos pela vila, tomamos sorvete, apreciamos o por do sol. Ao chegar na recepção dos quartos do clube, uma surpresa.

– Senhor, estamos com quase todos os quartos lotados. Há algum problema em o senhor e sua família dividirem um quarto duplex? Devido o incômodo, cobraremos o mesmo preço de dois quartos simples.

Eu tento processar a informação, mas pela alegria das minhas meninas, parece que está tudo bem. Não é a primeira vez que iremos dividir um quarto. Eu peguei a chave enquanto elas seguem adiante, fazendo mais piadas, mais trocadilhos e palavras de duplo sentido. A despeito da intimidade que tenho com elas, eu me sinto um pouco constrangido. Eu sinto adagas saindo dos olhos de outros hóspedes. Eu e Vânia ficamos com uma cama de casal, Letícia e Carla ficam com outra. Em instantes, todas dormem, mas o sono custa a chegar para mim. Eu escrevo contos assim, mas nunca imaginei que fosse vivenciar um.

O presente especial – I

– Léo, olha só essa blusa. Combina bem com essa saia?

– Eu acho que combina melhor com esta calça.

– Essa calça tem uma modelagem que não combina com a blusa e a saia tem uma estampa que não combina. Que tal essa blusa com essa calça?

– Nossa, tio, ficou show!

Eu acompanho pacientemente minha esposa, minha cunhada e minha sobrinha nas inevitáveis compras de fim de ano. Estamos passando pela quinta vez no mesmo lugar, mas eu gosto de acompanhar minhas meninas, com elas eu vejo coisas que eu não veria se fosse fazer compras sozinho. Sem falar que aprendo a cada dia um pouco mais desse maravilhoso, colorido e sensual mundo feminino que eu amo tanto. A beira dos 50 anos, eu não sou mais inseguro de minha sexualidade, identidade e opção sexual. Por tabela, acabei aprendendo sobre moda, assessórios, maquiagem, sem deixar minha masculinidade de lado.

– Fechou. Vamos pagar. A blusa você vai pagar pra mim, né, cunhadão?

– Qualquer coisa para você minha cunhada que eu amo de paixão.

Letícia ri. Vânia finge brigar comigo. Carla finge que não ouve. Eu conheci Letícia e Vânia no mesmo dia. Foi esquisito namorar uma, sentindo atração por outra. Depois Letícia acabou casando com outro homem e eu me casei com Vânia. Carla nasceu pouco depois, filha de Letícia e nossa sobrinha. Letícia e Vânia são irmãs como raramente se vê. Eu queria ter esse tipo de vínculo com meus irmãos. Enfim, pessoas diferentes, famílias diferentes.

– Tio, vamos comer? Toda essa compra me deixou com fome.

Eu e Vânia praticamente criamos Carla juntos com Letícia. Quando reformaram a casa, dormiram conosco. Depois da minha cirurgia, elas vinham me visitar e dormiram em minha casa. Eu tinha uma intimidade com Letícia que parecíamos namorados. Carla herdou essa intimidade, gerando algumas confusões e mal-entendidos, mas nada muito grave. Pedro e eu fazíamos churrasco juntos, bebíamos cervejas juntos e falávamos de mulher como se fôssemos solteiros. Se Pedro tinha ciúmes de mim, disfarçava muito bem.

– Vamos. O que vai ser dessa vez? Hamburger, esfiha ou pizza?

– Meu aniversário está perto. Vamos no rodízio de comida asiática?

– Poxa, vocês vão estourar meu cartão!

– Ah, mas nós merecemos! Nós somos suas meninas!

Eu desfilava ao lado das três, todo orgulhoso, eu sabia que muito homem me invejava e muita mulher me censurava. Em pleno século XXI, ainda vivemos em uma sociedade puritana e vitoriana.

Jornada de uma alma – VI

Do que você lembra de seu mundo, perdido, multiplique pelo infinito. Assim como o mundo humano tem diversas formas de vida, no Universo mais ainda. Assim como o mundo dos humanos tem diversas regiões, no Universo tem dimensões, níveis, esferas, dentro das quais bilhões de galaxias, planetas e seres existem. Pobre daquele que acha que a existência se resume ao que sua percepção e conhecimento entendem.

O que o humano chama de Universo é um Cosmo, uma das muitas possibilidades, conversões, formadas das manifestações de energias conscientes. A forma física, dentro destas a que usa carbono, é uma ínfima parcela. Aquilo que você é, de fato, não é restrito ao corpo ou aquilo que você limitatamente entendia por “você”.

Assim se dá com a percepção e conhecimento das coisas. Nós percebemos conforme a nossa natureza, nossa condição, nossa mente, nosso sentimento. De certa maneira, a forma como percebemos as coisas é influenciada por essa essência, essa natureza. Em mundos mais restritos, mais materiais, mais densos, a realidade toma a forma que o espírito coletivo, ou a natureza deste, assim determina. Aqui, neste mundo, sua percepção das coisas ainda não tem vínculo com o espírito coletivo, então tem atendência a perceber as coisas de forma nebulosa, indefinida, sombria. Isto se deve sua natureza humana, ainda arraigada ao modo de vida carnal.

Você encontrou dois perdidos, que chamamos de o padre e o ateu. Existem outras condições, algumas deprimentes, mas não pense que estes perdidos estão sendo castigados ou punidos por algum tipo de justiça divina. Neste nivel de existência, a forma como você percebe, vive e interage com a presente realidade, isto é definido por cada um, visto que ainda tem uma mente individualista, desconexa, egoísta. Cada um cria seu Paraíso ou Inferno, conforme sua mente, sua vontade, seu sentimento.

Com o tempo, mesmo aqueles que negam ou resistem à realidade dos fatos, você haverá de perceber as coisas como elas são. Verá que nomes, rotulos e títulos são recursos mentias para dar forma física a uma imagem, a manifestação energética receberá uma definição, ganhará contornos, textura, sabor, som, cheiro, conforme a idéia que sua mente tem de tal coisa, mas não será a coisa como ela realmente é.

Eu te disse de outros niveis e outras formas de existencia e mesmo de energias conscientes. Chame a estes de espíritos, entidades ou Deuses, se quiser, se assim sua mentalidade limitada precisa defini-los. Mas creia, com o dominio sobre si mesmo, sobre sua vontade, sobre sua mente, sobre seu sentimento, fará com que você seja capaz de criar seu próprio mundo, galáxia, universo ou existência corporal. Se conseguir entender isto, saiba que em todas as formas de existência reside o poder de ser ou um verme ou um Deus. Reside em cada um o poder de existir em um Paraíso ou um Inferno. Não apenas nesta, mas em quaisquer realidades.

Depois da preleção do Supervisor, o clima nebuloso, indefinido, sombrio, se desfez. Era de manhã, havia sol, havia luz, havia calor, havia água, havia vento, havia uma miriades de seres e incontáveis vortices onde mundos pulsavam. Quão pouco sabemos, o tanto ignoramos. Uma ameba não conseguiria definir, perceber, conceber nem entender como é um ser humano e é ridiculo negar que algo superior exista pelo simples fato que não entende ou não percebe.

Jornada de uma alma – V

O perdido que eu chamo de Emissor segui conosco, indicando o caminha. Passamos por corredores, portas, montanhas, vales, rios, mares e cidades sem conta, percorrendo uma distância incrivel para os padrões humanos. Paramos certamente em uma região que estava em outro continente, ou outro nivel, ou outra dimensão.

– Aqui podemos encontrar vários Supervisores. No caso deste perdido, vale a pena tentar, mas não criemos espectativas. Supervisores estão tão próximos de uma natureza limitrofe que eu não tenho como garantir que venham a nos ajudar.

– Ora, Emissor, isto não são formas de se referir a um Supervisor. O senhor guarda alguma mágoa de algum Supervisor?

Bem a nosso lado, uma entidade, ou uma presença, quase translúcida, mas notável, nos interpelou. Sua aparência remetia ao anjo em minhas memorias da vida humana.

– Evidente que não, senhor Supervisor. Do contrário eu não seria um Emissor, como o senhor mesmo me nomeou. A Providência e a Fortuna nos aproximaram para a felicidade deste perdido.

– Emissor, como pode falar da Providência e da Fortuna? Acaso as conhece? E o que nossas rainhas tem com este perdido?

– Talvez coisa alguma, talvez alguma coisa. Ele me foi trazido por esse Informante e o histórico incomum deste perdido pede pela consideração do senhor Supervisor.

O Perdido que eu chamo de Emissor, com ajuda do Informante, contaram os eventos que me conduziram até este momento. O Supervisor parecia ouvir tudo com condescendencia e paciencia, como avós ouvindo seus netos.

– Entendo. Então o senhor recuperou parte de suas memórias humanas com sucesso e aceitou sua atual condição sem resistencia ou negação. Realmente, raro. Se quer que eu te diga algo, deve se identificar. Como deve ter percebido, levamos, ainda que provisório, nomes ou títulos.

– Senhor Supervisor, pode me chamar de Profeta do Profano. O que tiver que me contar, diga-o sem reservas, pois eu irei entender e aceitar os fatos.

– Providência e Fortuna. Talvez eu deva incluir Destino. Seu desejo de ser conhecido neste mundo pelo título que usava no mundo humano tem um motivo e mostra que tem a capacidade. Que seja. Se escolher voltar ao mundo dos humanos, seja fiel ao seu papel, seja sincero, honesto e honrado. Conte exatamente como foi sua jornada. Podemos evitar os desvios de muitos perdidos.

Jornada de uma alma – IV

Segui por corredores este perdido que eu chamo de Informante, no que eu acredito ser uma parte administrativa da rodoviária, se bem que pela extensão e quantidade de corredores que passamos, devemos ter saído da estrutura e entrado em uma estrutura principal. Ele parou diante de uma porta, provavelmente que dava acesso a alguma sala e fez um sinal para esperar.

– Com licença? Temos algum Coletor ou Emissor nesta sala?

– Eu sou um Coletor e também atendo como Emissor. Do que se trata?

– O senhor pode dar as informações que este perdido procura?

– Depende do nivel e das informações que este perdido quer. Há quanto tempo está desperto?

– Na minha avaliação, 60 ciclos.

– Um novato, sem dúvida. O Informante explicou as noções básicas?

– Sim e na minha avaliação, este perdido aceitou bem as informações básicas.

– Isto é um caso raro. Geralmente há resistência e negação. Aproxime-se perdido.

Eu me aproximei de um perdido com uma aparência idosa, com longas barbas brancas. Ele ajeitou um óculos preso ao nariz com pince-nez e ficou me observando.

– Sem duvida, raro. Eu posso buscar a memória dele, alguma coisa, não muito. O suficiente para ele lembrar quem era e de onde veio.

O Ancião virou-se na direção de algo que parecia um terminal de computador, parecia estar digitando alguns comandos em alguma forma de teclado e olhava as informações em um tipo de monitor. Ele fez um sinal para que eu me aproximasse e naquela tela eu pude ver quem eu era e de onde eu tinha vindo, eu acabei supondo o como e o porquê.

– Isto é o máximo que eu posso fazer. Para mais informações ou habilidades, o senhor Informante deve direcionar este perdido a algum Supervisor.

O Ancião agradeceu ao Emissor e caminhou para fora da sala, no que eu segui. A perspectiva é que eu terei que passar por mais corredores para encontrar um Supervisor.