Cartoonland – V

Reinold acordou com um suave som. Andando pela floresta, conseguiu achar uma vila. Pequena. Os habitantes trabalhavam, não tinha nenhum pedinte ou mendigo. Não tinha muito progresso ou tecnologia, todos tinham vidas simples, mas plenas. Produziam o que precisavam e compartilhavam o excesso com os demais. Quando apareciam problemas, ou resolviam dividindo tarefas, ou decidiam por conselho, ou recorriam ao sábio ancião. Não havia brigas ou crimes. Ninguém invejava ou ansiava em ter as posses do seu próximo. As pessoas andavam juntas, moravam juntas e amavam juntas, também sem o senso de posse, propriedade, monopólio ou privilégio. As crianças eram cuidadas por todos daquela vila, de forma que aprediam tudo o que se precisa em poucos anos. Reinold não achou nenhuma igreja, mas percebeu que os habitantes se reuniam em um santuário no meio da floresta e cultuavam a Deuses que ele apenas ouvira falar em mitos antigos.

Reinold achou que estava sonhando ou delirando. Um lugar assim somente é possivel em histórias de ficção, em novelas, em Cartoonland. Pessoas vivendo vidas simples, sem estresse, sem ganância, sem ciúmes, sem ódio. Cuidavam de si mesmas, da comunidade e da natureza. Reinold não via nenhuma das maldições que acompanham a presença humana. Ele custou a crer que estava em um lugar real, até notar que havia pessoas vindas de diferentes lugares, de diferentes épocas. Reinold perguntou a si mesmo onde estava.

– Aqui é a Terra do Verão, Reinold.

Reinold virou-se e viu uma mulher que lhe parecia muito familiar.

– Relaxe. Você ainda tem que que se desligar de sua ilusão antes de perceber que voltou para sua verdadeira casa, sua verdadeira origem, sua verdadeira identidade.

– Eu sinto que a conheço e pelo vistio a senhora conhece-me. Quem é a senhora?

– Eu fui sua avô materna na vida de ilusão e poderei vir a ser sua filha, se por acaso ainda quiser voltar a viver no mundo da ilusão. Aqui eu sou tua alta sacerdotisa. Venha, você tem que comer e depois descansar. Teremos muito tempo para celebrar, dançar, fazer música e amor.

– Eu saí daqui? Por que? Por que eu te deixaria se sinto tão grande amor ao seu lado?

– Isto é normal e humano. Queremos voltar ao mundo da ilusão para tentar levar aos que ainda dormem um pouco dessa felicidade e plenitude. Muitos tentaram. Buda, Cristo, Maomé. Mas quem dorme irá distorcer tudo e irá usar a Verdade para reforçar seus jogos de poder. No entanto saiba que a Verdade está aberta a todos, mas desde que o peregrino queira reencontrá-la. A busca é pessoal, o esforço é pessoal, teu caminho que te levou de volta é apenas teu.

– Por favor, meu amor, não me permita sair daqui nunca mais.

– Por mais que isto eu queira e por mais que me doa te ver partir, ficar ou ir faz parte deste caminho que você escolhe. Mas não temas, nem se desespere, pois eu sempre estarei contigo. Eu e teu Pai. Eu sou a Deusa Estrela.

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