A princesa rebelde – V

Melusa conversava com o Sapo Bardo sobre tudo, das coisas visiveis e das coisas não visiveis, das certezas e das crenças, dos povos e dos costumes. Em um certo moneto, ela faz uma pergunta com um tom de malícia.

– Sapos são criaturas ambíguas. Não são nem da terra, nem da água. Não são nem peixes, nem répteis. Sapos são ambíguos no genero também? Você é sapo macho ou fêmea?

– Minha princesa, sapos são machos, femeas são rãs.

– Do que você gosta em uma rã?

– Eu não tenho certeza. Uma rã que me apetece deve ter uma boa estatura, pernas longas, olhos médios, boca média. Uma que saiba cantar e pular bem. Não muito colorida, nem muito monocromática.

– Você sabe o que agrada uma mulher em um homem?

– Não, minha senhora, eu não sei. Eu apenas sou o que eu sou.

– Sapos não são diferente de homens. Inseguros, medrosos, carentes. No fundo querem uma mulher para substituir suas mães. Um homem acha que tem o direito de fazer a corte a uma mulher, mas fica envergonhado se uma mulher toma a iniciativa. Um homem geralmente quer exclusividade do amor da mulher, embora não observe o mesmo para si. Um homem acha que manda na relação, mas é a mulher quem é dona dele. Tire todos os adereços, titulos, cargos, cultura, educação, crença e sociedade. Um homem ainda será um homem e uma mulher ainda será mulher. Tudo que uma mulher precisa é que o homem olhe para ela, goste do que vê, chegue perto e lhe ofereça o amor. Só o que conta são os dois, não existe regra, não existe limite, não existe tabu, não existe condição.

– Mas o que um homem precisa para que a mulher aceite o amor que um homem lhe oferece?

– Uma mulher não é muito diferente de uma rã. Ela é consciente de seu sexo e sexualidade. Ela tem auto-confiança em si mesma. Ela quer que o homem seja homem e não tenha vergonha de mostrar que ele sente atração por ela. Ela gosta de uma boa conversa, um bom passeio, companhia desinteressada. Um homem com uma boa estatura, saudável, que cuida de sua aparência, que se vista bem. Um homem que realmente esteja interessado em conhecê-la e em ouvir suas opiniões e sonhos. Um homem que saiba tocar em seu corpo e lhe dar prazer na cama. Você acha que consegue fazer isto a uma rã?

– Eu faço isto deste que eu era um girino, princesa, mas estranhamente as garotas da minha espécie sempre me rejeitaram, me desprezavam e me ignoravam. Iam para os braços de sapos que tinham dinheiro ou que tinham boa aparência. Geralmente acabavam se decepcionando e se tornavam amargas. Somente as Musas me aceitaram e me deram este dom que não ajuda em coisa alguma para andar no meio da cidade de sapos ou conquistar o coração de uma rã. Eu estou nesta jornada porque eu acabo sendo banido pelos de minha espécie.

– Pois pior para eles. Viverão em uma lagoa ou pantano por toda a vida enquanto você verá o mundo e subirá no mais alto dos montes. Com o que você tem e o que você é, eu seria uma mulher, uma rã, muito feliz, se eu tivesse seu amor.

– Princesa, acredita que o amor pode superar as diferenças entre as espécies?

– Tire a roupa e vamos descobrir.

Melusa e o Sapo Bardo se amaram por muitos dias, semanas, meses e anos. Quando os caminhos se separaram, não houve choro na hora da separação. A princesa construiu seu próprio reino e teve uma vida próspera e feliz. O Sapo Bardo infelizmente continua sua jornada até hoje. Nem todo conto de fada termina com um final feliz.

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