A princesa rebelde – IV

Melusa andou pela floresta, de onde vinham as histórias que os velhos contavam. Primeiro ela encontrou a Casa de Doces, mas esta não pertencia mais à bruxa, mas a Joãozinho e Maria que exploravam a pobre bruxa para fazer doces e vender aos viajantes. Depois ela encontrou o Lobo Mau que apressado corria por entre as árvores tentando fugir da possessiva Chapeuzinho Vermelho. Ela encontrou com o Chapeleiro Louco e a Lebre Maluca, devidamente curados depois que Freud passou por ali. Ela encontrou o Quebra Nozes e Pinocchio bebendo todas na taverna da Mamãe Ganso. Por onde ela passava, encontrava seus personagens favoritos, mas em uma realidade e uma vida que nenhuma história contava. Ela até encontrou Rapunzel que confirmou suas tristes expectativas, pois Rapunzel tornou-se apenas uma prisioneira de seu principe encantado. Tudo muda, até os personagens de contos de fadas continuam com suas vidas.

– Meus pais ficariam chocados se vissem o que eu vi.

– Desculpe, princesa, mas mesmo que volte, ninguém vai crer no que contar.

Melusa olhou para todos os lados, receando ter sido encontrada e identificada por algum campônio ou nobre de seu condado, mas não tinha pessoa alguma em volta.

– Aqui embaixo, princesa. Eu sou o Sapo Bardo. Não me confunda com o Sapo Rei. Aquele vigarista que enganou uma pobre princesa como vossa majestade.

Melusa olhou para baixo e custou crer que via um enorme sapo, todo vestido, como um bardo, com alaude e tudo, bem próximo dela.

– Você sabe quem eu sou?

– Infelizmente sim, princesa. O dom dado pelas Musas me faz ver e perceber o que não é visto e percebido pelos sentidos mais básicos.

– Por favor não conte coisa alguma para meus pais.

– Por que eu faria isso, majestade? Meu destino e fortuna é ditada pelos Deuses e seu condado não faz parte de minha jornada. No entanto, se me pedirem para cantar sobre vossa majestade, eu terei que cantar a verdade.

– Você canta apenas a verdade? Isso é interessante. Cantaria a verdade se perguntassem sobre o cavalariço ou cantaria a verdade se perguntassem sobre mim?

– As coisas não são como aparentam. Quem sabe pode ver. Mais coisas há entre o céu e a terra. Mesmo um cavalariço pode esconder um berço nobre.

– Haha! Seu canto é verdadeiro, mas enigmático. Pode cantar o futuro que eu terei?

– Vejo ontem como hoje. Lembro o que aprendi. Mas como névoa e sonho o futuro parece. Aprender com a experiência e usar da prudência são os melhores conselhos que eu posso dar.

– Venha comigo, Sapo Bardo, mas sem cantoria. Venha compartilhar desta jornada comigo.

– Com imenso e incomensurável prazer, princesa.

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