A princesa rebelde – III

Na noite de lua nova antes da Festa de Maio e da lua cheia, Melusa aprontou uma bagagem em um fardo de couro. Ninguem percebeu quando ela furtou as roupas de um cavalariço, nem deram falta por uma espada curta, cordas, charque e bússola. Na chegada da Festa da Colheita e da lua cheia, ela passou pelos corredores quase vazios do castelo, pelos corredores que ela conhecia muito bem, até o passadiço antigo, andando com acutela sobre a tábua envelhecida, até uma parte do muro que rachou. Ali, com lágrimas nos olhos, olhando pela ultima vez seu lar, pensando em seus pais, pensando em seus sonhos, Melusa pega a espada curta e corta seus belos e longos cabelos cor de cobre e veste as roupas do cavalariço, caso cruzasse com algum campônio que a conhecesse.

Primeiro ela faz passar o alforge de couro com seus pequenos tesouros e depois ela se espreme entre a fenda e a árvore que mantém o buraco, até sair do outro lado. Silenciosa e cautelosamente, anda por entre as árvores que estão adiante dela, sabe que se corre pode tropeçar ou fazer barulho e isso acabaria com sua missão. Ela cessa de andar apenas com o raiar do sol, bem longe do castelo que a mantia presa. Certa de que não pode ser avistada pelos guardas que ficam nas ameias, Melusa arma um precário acampamento e dorme até o sol estar bem alto.

Acordada pela fome, Melusa come um pouco de charque e consulta a direção que deve tomar pela bússola. O norte, de quem ela tanto ouvia falar, ou o leste onde ficavam as Montanhas de Lug? Ver o santuário do Deus de seus antepassados era tentador, mas conhecer suas origens era mais tentador. O norte tinha muito mais a contar e ensinar. O norte também não tinha muitas estradas, casebres ou castelos, ela não teria muito problemas em ser reconhecida ou detida. Seria uma jornada no meio de uma floresta cheia de histórias e lendas, mas era exatamente isto que ela queria ver e experimentar pessoalmente.

Ao longe, algumas trombetas e tiros de canhões anunciavam ou o fim da Festa da Colheita ou o alarme pela sua fuga. Agora era momento certo de corre o quanto podia, até onde aguentasse, o mais longe possivel, de preferência apenas para quando chegar em outro condado. O premio estava bem à sua frente, ela não hesitou nem chorou mais. Ela era, finalmente, uma mulher livre.

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