A princesa rebelde – I

Contos de fadas são histórias que são parte do folclore de um povo e que foram publicados como livros pela pena dos irmãos Grimm, Charles Perrout e Hans Christian Andersen. Embora devamos agradecer pelo registro que estes autores fizeram do folclore popular, devemos estar cientes de que a coletânea muitas vezes foi distorcida e deturpada de seu sentido original. Uma coisa são estórias contadas pelos mais velhos de uma vila, outra coisa são os livros. O Mercado Editorial é muito sensivel para certas estórias. Publica-se apenas aquilo que é vendavel e o público em geral acaba se acostumando a livros medíocres e sem conteúdo.

Melusa era filha de um rei do Condado de Carol. Ela estava cansada de ouvir sua pajem lendo os livros com os contos de fadas. Diversas vezes seu pai ou sua mãe a colocaram no castigo por contestar a governanta quando ela colocava alguma lição de moral junto com os contos de fadas que não era assim que ela ouvia dos mais velhos. Ela era sempre lembrada que, como herdeira da coroa do condado, ela tinha que saber se comportar. Emburrada, ficava olhando os muros intransponíveis do castelo, ninguém conseguia sair tampouco entrar, sem ser notado ou barrado. Sua unica diversão era quando os camponeses entravam, em dias de festas, em dias de invasão, quando ela podia ouvir as velhas histórias como deviam ser contadas. Para o horror e medo de seus zelosos pais.

Seu pai, Foston VI, tinha percebido que sua filha seria rebelde. A cada dia que passava, ela mostrava ter uma forte identidade e personalidade. O velho reitor teorizou que ela havia recebido esse gênio herdado de algum tio ou tia. Mas isso não tranquilizava Foston VI. Com dor no coração, ele proibiu que sua filha saisse do castelo, que nem a Rapunzel da Torre. Não podia sair, mas Melusa andava bastante pelo castelo e o conhecia melhor que os servos que ali trabalhavam. Ela não podia sair, mas tinha uma ameia que dava para ver as montanhas ao longe, as montanhas que eram o lugar que mais se ouviam histórias. Ela adorava ouvir as velhas histórias e sobre seus ancestrais. Ali Melusa observava e recordava o que lhe contavam sobre a origem do seu nome. Ela queria saber mais sobre essa tal de Melusine, mas seu pai não iria deixar.

Melusa não ia esperar algum príncipe encantado, seria trocar a prisão do seu pai pela prisão de outro garoto. Quando podia, entre as aulas chatas de oratória, postura, latim e ciências, ela imaginava planos. Nas aulas de equitação, esgrima e caça ela podia avaliar armaduras e armas para a aventura. Ela sabia exatamente em quem podia confiar ao ponto de conversar sobre entradas e pontos fracos do castelo. Ela sabia exatamente como e quando poderia ganhar a liberdade tão almejada.

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