Os monges do culto do medo – II

Os cinco monges perambulam pelas ruas da cidade, seguindo a orientação dada pelo forrageiro e encontra a dita Taberna do Macário. Sentem um calafrio da cabeça aos pés, este certamente parecia muito com uma visão do Inferno. Homens bêbados, mulheres seminuas, muita comida, bebida, as pessoas faziam música e amor públicamente como se fossem coisas normais, naturais e saudáveis. Em todo lado, estátuas, totens e os inúmeros sinais da presença de demônios. Escondem-se atrás de um enorme fardo de feno, fazem o sinal da cruz, rezam o Padre Nosso e vão em frente. Dentro da taberna a cena era ainda mais escandalosa e os monges imaginam ser assim que era Sodoma e Gomorra. O mais antigo e líder dos monges se adianta e se aproxima do balcão dessa estalagem maligna.

– Saudações minha senhora. Nós somos viajantes, viemos de longe e estamos cansados. Poderia nos ceder um bom quarto para descansarmos?

– Ora, ora! Vejam só o que Zéfiro nos trouxe! Um punhado de monges do Deus Cadáver. Vão querer um quarto aos cinco ou preferem um quarto para cada?

– Eh… não, senhora, nós não somos monges do Deus Cadáver. Nós somos viajantes. Um quarto para os cinco é suficiente, vivemos com pouco.

– Que seja! Aqui na minha taverna não importa quem você é, de onde veio ou o que faz! Todos são bem vindos! Eu tenho a melhor comida, a melhor bebida e certamente os melhores quartos. Sigam-me.

Os pobres monges seguem a voluptuosa e vultuosa senhora pelas escadarias, tentando não imaginar os inpumeros pecados que esta pobre mulher deve ter cometido em tal antro para sobreviver, sem ter conhecido ao senhor, nem ter ouvido sua Palavra. A senhoria leva os monges até o sexto pavimento, um quarto do lado esquerdo, com vista para a praça central e ao enorme tronco de carvalho esculpido.

– Como os senhores podem ver este é um quarto bem espaçoso. Tem três camas, duas mesas e um sofá. Caso queiram algo, seja o que for, basta tocar a campainha e falar por este aparelho.

– Muito grato, senhora, mas não nos disse ainda o preço do quarto.

– Mirtes. podem me chamar de Mirtes. Para sacerdotes, meu preço é dois guinéus por dia. O jantar será servido às oito da noite. Tenham um bom descanso.

Mal a senhoria fecha a porta e os monges desandam a falar.

– E agora? Todos percebem que somos monges. Como iremos ensinar a Palavra a tais bárbaros?

– Como sempre fizemos, irmão. Com paciência, perseverança e disciplina.

– Eu creio que este será o nosso maior desafio. Eu vejo sinais da dominação do Diabo em cada centímetro dessa vila. Eu temo que possamos enlouquecer, como falou o campônio.

– Impossível, irmão. Nós temos a unção do Senhor, dada por nosso bispo, devidamente consagrado pela nossa Santa Igreja, pelo próprio Papa, que é o Vigário do Senhor. Nós somos os portadores da Palavra, que é a Vida e a Verdade. Amanhã de manhã pensaremos em alguma estratégia.

– Se os senhores não se importam, eu gostaria de descer e jantar. Eu estou com fome e sede.

– Excelente ideia, noviço. Vá e abra bem os olhos e ouvidos, observe o Inimigo e depois nos conte tudo. Saberemos de suas forças e de suas fraquezas.

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