Os monges do culto do medo – I

“Não é o sono da razão que engendra os monstros, mas a racionalidade vigilante e cheia de insônias” – O Anti – Édipo.

– Nós passamos por quantas cidades até agora?

– Muitas. Com a graça de Deus, foram todas evangelizadas e os demônios foram expulsos.

– Quantas mais ainda teremos que passar?

– Só Deus sabe. Nosso Senhor nos mandou divulgar a Boa Nova a toda criatura.

– E quando chegarmos ao Fim do Mundo?

– Pediremos para que Deus nos guarde, pois iremos evangelizar até o Diabo.

– Então louvemos ao Senhor que tem nos acompanhado até aqui. Vede! Chegamos a mais uma vila.

– Que demonstra de longe estar totalmente dominada pelos demônios. Eu vejo dois postes na entrada da vila com as faces malignas gravadas no tronco.

– Coragem, irmãos. Enfrentamos esses demônios diversas vezes e os derrotamos.

– As forças do mal não irão prevalecer!

– Devemos proceder com calma e cautela. Vamos passar por meros viajantes e solicitar estadia. Estes bárbaros ao menos conhecem as regras da hospitalidade.

– Saudações, homem do campo. Nós somos viajantes cansados. Poderia nos indicar alguma estalagem?

– Ah… os monges do Deus Cadáver. Eu os reconheceria em qualquer lugar. Eu lhes diria para evitar esta vila e seguir viagem, pois se aqui ficarem, ou ficam loucos, ou irão abjurar sua crença.

– Quê? Ah… não, meu bom homem do campo. Nós somos viajantes.

– Que seja. Os senhores irão encontrar boas camas e preço bom na Taberna do Macário.

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