Dos males, o menor – VI

O Mestre do Sabat segue em passos rápidos em direção ao Quartel General das Irmãs do Capuz. Algom bem fácil de localizar, considerando a quantidade de equipamentos de vigilância e de segurança, de todos os tipos, modelos e tamanhos que se espalham feito adornos em torno de todo o quarteirão. Com sua magia, o Mestre do Sabat ludibriou todos os esquemas de segurança. Ao longe, os quatro moradores o acompanhavam, ainda que tivessem dito que discordavam de seus métodos.

O Mestre do Sabat conhecia bem o comportamento humano. Nós temos verdadeira aversão à violência, mas queremos saber dos detalhes de um acidente e tragédia. Nós temos um verdadeiro prurido em relação ao sexo e relacionamentos, mas queremos saber os detalhes mais picantes da vida de uma celebridade. Sabendo que não havia coisa alguma a temer, o Mestre do Sabat chama pela Irmã Vermelha bem às portas do Quartel General.

– Eu chamo a esta que se entitula Irmã Vermelha. Venha, apareça e me enfrente. Vamos resolver essa batalha de uma vez por todas.

– Será um enorme prazer! Você pesquisou sobre nós, eu pesquisei sobre você. Você acha que está em vantagem, mas eu tenho algo que irá empatar esse jogo.

A Irmã Vermelha surge empunhando algo que parecia uma simples adaga para uma pessoa comum. Mas o Mestre do sabat parecia estar incomodado.

– Hã… Mestre? O que aconteceu? Nenhuma arma consegui atingi-lo, por meios físicos ou mágicos. Por que o senhor parece agitado diante de uma simples adaga?

– Não é uma mera adaga, simplório morador. Esta é uma adaga cerimonial que pertence a uma sacerdotisa dos ritos antigos. Por minha natureza, por meu juramento, pelos Deuses que eu sirvo, esta adaga pode tornar-se uma arma que pode me atingir, se esta mulher souber como manuseá-la.

– Ah, eu sei, maldito e vou demonstrar fazendo alguns cortes nessa sua cara feia!

A Irmã Vermelha faz alguns gestos com as mãos, empunhando a adaga. Fachos de luz saem do chão, como enormes espadas, em uma linha em direção ao Mestre do Sabat. Este bloqueia o ataque com algum esforço, utilizando seu bastão cerimonial. Faíscas saem do contato do ataque com a defesa.

– Muito bem. Vejamos o quão treinada você foi, o quão traiçoeira foi em roubar um conhecimento que não é merecedora.

Ambos manuseiam os artefatos, executam movimentos e sinais, energias se chocam entre ambos, causando explosões e tremores. Humanos geralmente ignoram esse fato que, para combater o mal, o herói tem que ser igual ou pior que o mal que combate. A batalha é longa, árdua e não dá sinais de que irá acabar. Um pequeno deslize, um ataque ou desefa mal calculada pode virar a vitória para qualquer lado. A Irmã Vermelha demonstrou muita habilidade, concentração e disciplina no uso da adaga cerimonial, mas uma fração de segundo descuida da postura, uma brecha é percebida e ela está contida nos temíveis tentáculos do Mestre do Sabat. A mulher tenta se libertar, tenta algum truque, tenta operar a adaga de alguma forma, mas é inútil. Seu uniforme é rasgado e seu corpo é invadido pelos tentáculos. Caída, no chão, desfalecendo em êxtase, a Irmã Vermelha desperta do mesmo transe que suas outras irmãs sofriam.

– Eu te liberto, Babalon. Recobre sua identidade e memória.

– Eu te agradeço, Mestre do Sabat.

Com a derrota final das Irmãs do Capuz, a vida de Slugville volta ao normal ou, ao menos, com mais liberdade e felicidade. Os habitantes tem que oferecer, ao menos uma vez ao ano, uma jovem garota para o Mestre do Sabat, para manter o acordo e suas vidas. Dizem que um sábio uma vez disse que Deus e o Diabo lutaram pela sua alma. Mas quando surgiu o vencedor, era difícil dizer se era Deus ou o Diabo. Os moradores de Slugville aprenderam que dos males, o menor.

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