Dos males, o menor – III

Assustados, quatro cidadãos de Slugville seguem por uma trilha no meio da floresta densa, para encontrar aquele que é chamado de Mestre do Sabat. Eles estão há muitas milhas de seus lares, de qualquer indício da presença humana, tendo apenas o solo pedregoso da trilha os separando da floresta escura e amendrontadora.

– Tem certeza de que é por aqui?

– Hein? Ah, claro, eu tenho certeza.

– Por que estamos aqui? Nós vamos morrer e nem vamos perceber isso.

– Nós fomos escolhidos, lembra? Todos concordaram em procurar e contratar esse tal Mestre do Sabat para enfrentar as Irmãs do Capuz, senão não poderemos retomar nossas vidas.

– Mas nós não concordamos em confiar no tal do Profeta do Profano nem nessa solução desesperada.

– Eu também não, mas eu estou aqui com vocês. Problemas desesperadores exigem medidas desesperadas e aqui estamos. Tentem controlar o medo. Se nossas vidas estivessem em perigo, nós teríamos morrido há tempos.

– Isso não vai nos acalmar. Como iremos falar com esse tal de Mestre do Sabat? Chegamos, nos apresentamos e pedimos assim, do nada, que nos ajude a resolver nossos problemas?

– Mais ou menos isso. Eu ainda não pensei nisso. Podemos mostrar o panfleto do Profeta do Profano falando dele. Talvez nos ajude.

– Isso se conseguirmos chegar vivo nesse lugar e voltarmos vivos para casa.

Chegaram em uma clareira e visualizaram o esconderijo do Mestre do Sabat. Uma típica casa de filmes de terror. Tocaram a campainha. Uma típica música de filmes de terror. Depois de algum tempo, surge o dono da casa. O Mestre do Sabat tem algo em torno de dois metros de altura, corpo esquelético, pele cinza, com olhos agudos e profundos e com um estranho halo azul escuro saindo de sua cabeça.

– Hã…boa tarde…Mestre do Sabat. Nós somos moradores de Slugville. Achamos o senhor graças às indicações dadas pelo Profeta do Profano. Nós gostaríamos de fazer um pedido ao senhor.

– Hmmm. Boa tarde. Slugville? Nunca ouvi falar. Mas ninguém ouviu falar de mim também. Ah, esse Profeta. Eu pedi a ele para segurar a língua. Paciência. Então, os senhores querem me pedir algo. Por que eu os ajudaria?

– Bom… hã… nosso problema é que nossa cidade ficou inabitável por causa das Irmãs do Capuz e…

– Hmmm… Irmãs do Capuz. Eu ouvi falar delas. Pestinhas justiçeiras que combatem o mal, assim dizem.

– Elas mesmo. Mas a presença e ação delas tem inviabilizado nossas vidas com o excessivo zêlo às leis, sendo que muitas deixaram de ter sentido.

– Isto não é novidade. Em termos mundiais, planetários, cósmicos e universais, os heróis são mais um mal do que um bem. Mas eu ainda não tenho por que os ajudar. Por que ajudaria pessoas que adoram um Deus Cadáver?

– Nós não adoramos o Deus Cadáver. Deixamos de crer nesse Deus tem um século ou mais. Seus sacerdotes nos deixaram, assim que redescobrimos nossa verdadeira origem e identidade. Nós recuperamos a religião de nossos ancestrais.

– Hmmm… isso é promissor. Eu posso ajudá-los, mas eu devo avisá-los que meus métodos são… bem heterodoxos, para falar um eufemismo. Depois eu não quero ouvir queixumes ou reclamações.

– Nós estamos conscientes de nossa responsabilidade e estamos dispostos a aceitar as consequências. O senhor vai nos ajudar?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s