Vida de uma vampira – I

– Escriba, esse título…

– Desculpe, minha senhora, mas a língua humana não tem uma palavra para descrever sua…existência.

– Há! Eu sei muito bem disso. Vocês, humanos, tão prepotentes, arrogantes, presunçosos, acham que vão conseguir compreender todo o mundo, o universo, a vida e a existência.

– Mais uma vez, desculpe, minha senhora. Não há coisa alguma que eu possa fazer.

– Eu espero que pelo menos você seja um bom escriba, como me disseram.

– Faço o que posso, minha senhora.

– Nesse caso, minha condição é que será bem pago se fizer bem teu ofício. Do contrário, deverás pagar com teu sangue por ter desperdiçado meu tempo.

– Hã…claro, minha senhora. Como podemos começar a história?

– Para começar, escreva que “começar” também não é adequado. Humanos tem essa idéia fixa que tudo tem que ter início, meio e fim. Vocês estão tão presos a este mundo material, essa ilusão de que o “tempo” passa que eu fico irritada quando ouço humanos falarem em evidências. Mas adoro a expressão que fazem quando eu apareço no meio das sombras da noite e os seco até os ossos.

– Hã…começamos por onde?

– Dificl dizer em termos que vocês humanos possam entender. Veja bem, escriba, eu sou uma vampira. Idiotas acham que eu não existo ou que eu sou folclore, superstição. Imbecis acham que eu sou um demônio…curiosamente até o Diabo foi uma criatura de um estranho Deus.

– Começamos por Deus?

– Qual Deus, escriba? Eu conheci muitos. Imagine o que existia antes de existir tempo e espaço.

– Huh…o Caos?

– Pode ser, se esta é a palavra que os humanos entendem. Eu chamo de Bruma. Uma Noite Eterna. Um enorme véu de veludo roxo. E no meio um ovo, ou se preferir, uma singularidade. Para uns o ovo eclodiu, para outros houve o Big Bang. Explicações semelhantes para a mesma coisa. Humanos nem percebem que isto que chamam de ciência usa a mesma linguagem dos mitos.

– Eeee…a senhora viu tudo isso?

– Eu era um bebê nos braços de minha mãe. Meu pai construiu teu mundo com as próprias mãos. E como agradecem? O chamam de Diabo.

– Minha senhora, por favor…eu nada tenho com esses sacerdotes do Deus Cadáver.

– Foi por isso que eu confiei nas indicações e permiti que estivesse diante de mim.

– Então…começo do cosmo, tal como o concebemos. Quando que os vampiros começaram a predar os humanos?

– Nós? Se eu lembro bem, foram os humanos que começaram a predar a natureza e o mundo como se realmente fossem filhos do Criador.

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