Arquivo mensal: agosto 2014

Os monges do culto do medo – II

Os cinco monges perambulam pelas ruas da cidade, seguindo a orientação dada pelo forrageiro e encontra a dita Taberna do Macário. Sentem um calafrio da cabeça aos pés, este certamente parecia muito com uma visão do Inferno. Homens bêbados, mulheres seminuas, muita comida, bebida, as pessoas faziam música e amor públicamente como se fossem coisas normais, naturais e saudáveis. Em todo lado, estátuas, totens e os inúmeros sinais da presença de demônios. Escondem-se atrás de um enorme fardo de feno, fazem o sinal da cruz, rezam o Padre Nosso e vão em frente. Dentro da taberna a cena era ainda mais escandalosa e os monges imaginam ser assim que era Sodoma e Gomorra. O mais antigo e líder dos monges se adianta e se aproxima do balcão dessa estalagem maligna.

– Saudações minha senhora. Nós somos viajantes, viemos de longe e estamos cansados. Poderia nos ceder um bom quarto para descansarmos?

– Ora, ora! Vejam só o que Zéfiro nos trouxe! Um punhado de monges do Deus Cadáver. Vão querer um quarto aos cinco ou preferem um quarto para cada?

– Eh… não, senhora, nós não somos monges do Deus Cadáver. Nós somos viajantes. Um quarto para os cinco é suficiente, vivemos com pouco.

– Que seja! Aqui na minha taverna não importa quem você é, de onde veio ou o que faz! Todos são bem vindos! Eu tenho a melhor comida, a melhor bebida e certamente os melhores quartos. Sigam-me.

Os pobres monges seguem a voluptuosa e vultuosa senhora pelas escadarias, tentando não imaginar os inpumeros pecados que esta pobre mulher deve ter cometido em tal antro para sobreviver, sem ter conhecido ao senhor, nem ter ouvido sua Palavra. A senhoria leva os monges até o sexto pavimento, um quarto do lado esquerdo, com vista para a praça central e ao enorme tronco de carvalho esculpido.

– Como os senhores podem ver este é um quarto bem espaçoso. Tem três camas, duas mesas e um sofá. Caso queiram algo, seja o que for, basta tocar a campainha e falar por este aparelho.

– Muito grato, senhora, mas não nos disse ainda o preço do quarto.

– Mirtes. podem me chamar de Mirtes. Para sacerdotes, meu preço é dois guinéus por dia. O jantar será servido às oito da noite. Tenham um bom descanso.

Mal a senhoria fecha a porta e os monges desandam a falar.

– E agora? Todos percebem que somos monges. Como iremos ensinar a Palavra a tais bárbaros?

– Como sempre fizemos, irmão. Com paciência, perseverança e disciplina.

– Eu creio que este será o nosso maior desafio. Eu vejo sinais da dominação do Diabo em cada centímetro dessa vila. Eu temo que possamos enlouquecer, como falou o campônio.

– Impossível, irmão. Nós temos a unção do Senhor, dada por nosso bispo, devidamente consagrado pela nossa Santa Igreja, pelo próprio Papa, que é o Vigário do Senhor. Nós somos os portadores da Palavra, que é a Vida e a Verdade. Amanhã de manhã pensaremos em alguma estratégia.

– Se os senhores não se importam, eu gostaria de descer e jantar. Eu estou com fome e sede.

– Excelente ideia, noviço. Vá e abra bem os olhos e ouvidos, observe o Inimigo e depois nos conte tudo. Saberemos de suas forças e de suas fraquezas.

Os monges do culto do medo – I

“Não é o sono da razão que engendra os monstros, mas a racionalidade vigilante e cheia de insônias” – O Anti – Édipo.

– Nós passamos por quantas cidades até agora?

– Muitas. Com a graça de Deus, foram todas evangelizadas e os demônios foram expulsos.

– Quantas mais ainda teremos que passar?

– Só Deus sabe. Nosso Senhor nos mandou divulgar a Boa Nova a toda criatura.

– E quando chegarmos ao Fim do Mundo?

– Pediremos para que Deus nos guarde, pois iremos evangelizar até o Diabo.

– Então louvemos ao Senhor que tem nos acompanhado até aqui. Vede! Chegamos a mais uma vila.

– Que demonstra de longe estar totalmente dominada pelos demônios. Eu vejo dois postes na entrada da vila com as faces malignas gravadas no tronco.

– Coragem, irmãos. Enfrentamos esses demônios diversas vezes e os derrotamos.

– As forças do mal não irão prevalecer!

– Devemos proceder com calma e cautela. Vamos passar por meros viajantes e solicitar estadia. Estes bárbaros ao menos conhecem as regras da hospitalidade.

– Saudações, homem do campo. Nós somos viajantes cansados. Poderia nos indicar alguma estalagem?

– Ah… os monges do Deus Cadáver. Eu os reconheceria em qualquer lugar. Eu lhes diria para evitar esta vila e seguir viagem, pois se aqui ficarem, ou ficam loucos, ou irão abjurar sua crença.

– Quê? Ah… não, meu bom homem do campo. Nós somos viajantes.

– Que seja. Os senhores irão encontrar boas camas e preço bom na Taberna do Macário.

Dos males, o menor – VI

O Mestre do Sabat segue em passos rápidos em direção ao Quartel General das Irmãs do Capuz. Algom bem fácil de localizar, considerando a quantidade de equipamentos de vigilância e de segurança, de todos os tipos, modelos e tamanhos que se espalham feito adornos em torno de todo o quarteirão. Com sua magia, o Mestre do Sabat ludibriou todos os esquemas de segurança. Ao longe, os quatro moradores o acompanhavam, ainda que tivessem dito que discordavam de seus métodos.

O Mestre do Sabat conhecia bem o comportamento humano. Nós temos verdadeira aversão à violência, mas queremos saber dos detalhes de um acidente e tragédia. Nós temos um verdadeiro prurido em relação ao sexo e relacionamentos, mas queremos saber os detalhes mais picantes da vida de uma celebridade. Sabendo que não havia coisa alguma a temer, o Mestre do Sabat chama pela Irmã Vermelha bem às portas do Quartel General.

– Eu chamo a esta que se entitula Irmã Vermelha. Venha, apareça e me enfrente. Vamos resolver essa batalha de uma vez por todas.

– Será um enorme prazer! Você pesquisou sobre nós, eu pesquisei sobre você. Você acha que está em vantagem, mas eu tenho algo que irá empatar esse jogo.

A Irmã Vermelha surge empunhando algo que parecia uma simples adaga para uma pessoa comum. Mas o Mestre do sabat parecia estar incomodado.

– Hã… Mestre? O que aconteceu? Nenhuma arma consegui atingi-lo, por meios físicos ou mágicos. Por que o senhor parece agitado diante de uma simples adaga?

– Não é uma mera adaga, simplório morador. Esta é uma adaga cerimonial que pertence a uma sacerdotisa dos ritos antigos. Por minha natureza, por meu juramento, pelos Deuses que eu sirvo, esta adaga pode tornar-se uma arma que pode me atingir, se esta mulher souber como manuseá-la.

– Ah, eu sei, maldito e vou demonstrar fazendo alguns cortes nessa sua cara feia!

A Irmã Vermelha faz alguns gestos com as mãos, empunhando a adaga. Fachos de luz saem do chão, como enormes espadas, em uma linha em direção ao Mestre do Sabat. Este bloqueia o ataque com algum esforço, utilizando seu bastão cerimonial. Faíscas saem do contato do ataque com a defesa.

– Muito bem. Vejamos o quão treinada você foi, o quão traiçoeira foi em roubar um conhecimento que não é merecedora.

Ambos manuseiam os artefatos, executam movimentos e sinais, energias se chocam entre ambos, causando explosões e tremores. Humanos geralmente ignoram esse fato que, para combater o mal, o herói tem que ser igual ou pior que o mal que combate. A batalha é longa, árdua e não dá sinais de que irá acabar. Um pequeno deslize, um ataque ou desefa mal calculada pode virar a vitória para qualquer lado. A Irmã Vermelha demonstrou muita habilidade, concentração e disciplina no uso da adaga cerimonial, mas uma fração de segundo descuida da postura, uma brecha é percebida e ela está contida nos temíveis tentáculos do Mestre do Sabat. A mulher tenta se libertar, tenta algum truque, tenta operar a adaga de alguma forma, mas é inútil. Seu uniforme é rasgado e seu corpo é invadido pelos tentáculos. Caída, no chão, desfalecendo em êxtase, a Irmã Vermelha desperta do mesmo transe que suas outras irmãs sofriam.

– Eu te liberto, Babalon. Recobre sua identidade e memória.

– Eu te agradeço, Mestre do Sabat.

Com a derrota final das Irmãs do Capuz, a vida de Slugville volta ao normal ou, ao menos, com mais liberdade e felicidade. Os habitantes tem que oferecer, ao menos uma vez ao ano, uma jovem garota para o Mestre do Sabat, para manter o acordo e suas vidas. Dizem que um sábio uma vez disse que Deus e o Diabo lutaram pela sua alma. Mas quando surgiu o vencedor, era difícil dizer se era Deus ou o Diabo. Os moradores de Slugville aprenderam que dos males, o menor.

Dos males, o menor – V

– Isso foi…

– Magnífico? Sim, eu sei.

– Não, foi…cruel. O senhor precisava deixar a pobre garota nua e ainda por cima fazer aquelas… coisas?

– Vocês vieram a mim e me pediram ajuda. Vieram por que souberam que eu sou o melhor. E eu avisei que meus métodos são bem heterodoxos. Estas Irmãs do Capuz são conhecidas por seu estranho senso de justiça. Assim que eu as estudei, eu percebi qual a fraqueza e que a única forma de derrotá-las é tirando sua… pureza.

Ao invés de agradecer os quatro homens criticavam e reclamavam. Isso o Mestre do Sabat esperava. As críticas e reclamações pararam assim que se viram cercados por mais quatro das Irmãs do Capuz. Verde, Marrom, Rosa e Laranja.

– Alto, maldito! Você pode ter desonrado nossa irmã, mas não é páreo para nós quatro!

– Então, senhores. Como vai ser? Eu devo ou não prosseguir?

– Sim… e que os Deuses nos perdoem.

– Apenas lembrem, senhores, que todos os atos de amor e prazer são rituais dos Deuses.

As quatro irmãs atacaram com tudo que tinham, com todas as forças, com todas as magias. Assim como a Amarela, nada funcionava, nada o atingia e, da mesma forma que sua irmã decaída, elas encontraram seu fatídico destino, foram presas, despidas e penetradas por tentáculos. Perderam toda força, todo poder, as armas viraram cinzas e elas voltaram a si, como se estivessem em transe hipnótico. Todas perguntaram a mesma coisa.

– Onde estou? Ah! Eu estou nua! E toda satisfeita! Quem é você e o que fez comigo?

– Eu sou o Mestre do Sabat. Eu te libertei de suas amarras pelo prazer e pelo sexo. Vá, minha jovem, você está livre.

Os cidadãos que acompanhavam o Mestre do Sabat apenas abriram os olhos depois que as garotas conseguiram se cobrir com alguns lençóis pegos de algum varal.

– Com estas foram cinco. Restam apenas mais três e a mais terríverl delas… a Irmã Vermelha.

– Falando nisso, vamos cortar o caminho e atacar a Irmã Vermelha. Isso irá poupá-los de mais embaraço.

Dos males, o menor – IV

Depois de mais um par de dias, os intrépidos moradores de Slugville retornam ao seu lar, assim que entram na cidade são cercados por um tipo de cerca elétrica.

– De onde vem? Aonde foram? Não sabem que não podem fazer qualquer atividade no domingo?

– Irmã Amarela, essa lei foi revogada há um bom tempo, nós não guardamos o domingo.

– Bobagens! Vocês estão querendo me enganar! Domingo é o Dia do Senhor e ninguém deve trabalhar! Vão ter que ir para a prisão!

Os moradores estavam se espremendo entre si, esperando serem capurados ou coisa pior, quando a Irmã Amarela foi detida.

– Espere, Irmã Amarela. Estes homens não adoram mais o Senhor do Domingo. Eles agora adoram os Deuses Antigos. Deixe-os em paz.

– Quem é você? Eu nunca o vi em Slugville.

– Eu venho de longe. Eu sou o Mestre do Sabat.

– Mestre do Sabat? Nossa irmandade fala muito sobre você. Como eu sei seu histórico de crimes, você não me deixa outra escolha senão destruí-lo!

– Vá em frente. Tente.

A Irmã Amarela saca uma lança mágica e ataca o Mestre do Sabat com todas as forças que tinha. Move-se com rapidez e vigor, mas parece que tenta atingir uma sombra. Nenhum golpe, nenhuma mágica parece atingir o Mestre do Sabat. Na primeira brecha de seu ataque, o Mestre do Sabat domina completamente a Irmã Amarela com fortes tentáculos, vindo do chão, de seu corpo.

– Ah! Maldito! Você me pegou! Mas não vai conseguir me vencer!

– Será? Eu nem comecei com meus golpes.

Com um ligeiro aceno, os tentáculos se movem e rasgam o unifrome da Irmã amarela por inteiro, revelando sua beleza asiática.

– Oh! Pervertido! Isso não irá me deter!

– Realmente? Então eu tenho que começar a usar a minha técnica e mágica.

Com vigor, os tentáculos iniciam movimentos ao longo do corpo da Irmã Amarela, deixando-a excitada. Assim que seu corpo começa a demonstrar excitação. os tentáculos penetram por sua boca, ânus e vagina. Sem ter como escapar, a Irmã Amarela apenas geme, até atingir o orgasmo. Assim que ela atinge o êxtase, suas armas se quebram e ela volta a si, como se estivesse em um transe.

– Onde estou? Ah! Eu estou nua! E toda satisfeita! Quem é você e o que fez comigo?

– Eu sou o Mestre do Sabat. Eu te libertei de suas amarras pelo prazer e pelo sexo. Vá, minha jovem, você está livre.

Dos males, o menor – III

Assustados, quatro cidadãos de Slugville seguem por uma trilha no meio da floresta densa, para encontrar aquele que é chamado de Mestre do Sabat. Eles estão há muitas milhas de seus lares, de qualquer indício da presença humana, tendo apenas o solo pedregoso da trilha os separando da floresta escura e amendrontadora.

– Tem certeza de que é por aqui?

– Hein? Ah, claro, eu tenho certeza.

– Por que estamos aqui? Nós vamos morrer e nem vamos perceber isso.

– Nós fomos escolhidos, lembra? Todos concordaram em procurar e contratar esse tal Mestre do Sabat para enfrentar as Irmãs do Capuz, senão não poderemos retomar nossas vidas.

– Mas nós não concordamos em confiar no tal do Profeta do Profano nem nessa solução desesperada.

– Eu também não, mas eu estou aqui com vocês. Problemas desesperadores exigem medidas desesperadas e aqui estamos. Tentem controlar o medo. Se nossas vidas estivessem em perigo, nós teríamos morrido há tempos.

– Isso não vai nos acalmar. Como iremos falar com esse tal de Mestre do Sabat? Chegamos, nos apresentamos e pedimos assim, do nada, que nos ajude a resolver nossos problemas?

– Mais ou menos isso. Eu ainda não pensei nisso. Podemos mostrar o panfleto do Profeta do Profano falando dele. Talvez nos ajude.

– Isso se conseguirmos chegar vivo nesse lugar e voltarmos vivos para casa.

Chegaram em uma clareira e visualizaram o esconderijo do Mestre do Sabat. Uma típica casa de filmes de terror. Tocaram a campainha. Uma típica música de filmes de terror. Depois de algum tempo, surge o dono da casa. O Mestre do Sabat tem algo em torno de dois metros de altura, corpo esquelético, pele cinza, com olhos agudos e profundos e com um estranho halo azul escuro saindo de sua cabeça.

– Hã…boa tarde…Mestre do Sabat. Nós somos moradores de Slugville. Achamos o senhor graças às indicações dadas pelo Profeta do Profano. Nós gostaríamos de fazer um pedido ao senhor.

– Hmmm. Boa tarde. Slugville? Nunca ouvi falar. Mas ninguém ouviu falar de mim também. Ah, esse Profeta. Eu pedi a ele para segurar a língua. Paciência. Então, os senhores querem me pedir algo. Por que eu os ajudaria?

– Bom… hã… nosso problema é que nossa cidade ficou inabitável por causa das Irmãs do Capuz e…

– Hmmm… Irmãs do Capuz. Eu ouvi falar delas. Pestinhas justiçeiras que combatem o mal, assim dizem.

– Elas mesmo. Mas a presença e ação delas tem inviabilizado nossas vidas com o excessivo zêlo às leis, sendo que muitas deixaram de ter sentido.

– Isto não é novidade. Em termos mundiais, planetários, cósmicos e universais, os heróis são mais um mal do que um bem. Mas eu ainda não tenho por que os ajudar. Por que ajudaria pessoas que adoram um Deus Cadáver?

– Nós não adoramos o Deus Cadáver. Deixamos de crer nesse Deus tem um século ou mais. Seus sacerdotes nos deixaram, assim que redescobrimos nossa verdadeira origem e identidade. Nós recuperamos a religião de nossos ancestrais.

– Hmmm… isso é promissor. Eu posso ajudá-los, mas eu devo avisá-los que meus métodos são… bem heterodoxos, para falar um eufemismo. Depois eu não quero ouvir queixumes ou reclamações.

– Nós estamos conscientes de nossa responsabilidade e estamos dispostos a aceitar as consequências. O senhor vai nos ajudar?

Dos males, o menor – II

– Estão todos presentes?

– Os que não foram presos ou mortos.

– Então precisamos urgente de uma solução. Não dá mais para aturar essa tirania.

– Hoje mesmo eu quase não pude vir, pois queriam me prender por pegar água do poço.

– Meus Deuses! Não podemos pegar nem água no poço!

– Alegaram que tem uma lei que diz que é proibido pegar água do poço aos sábados.

– A lei é antiga, nem se usa mais. Foi dos tempos coloniais, quando ainda vivíamos com regras dos peregrinos Puritanos.

– Para ela sisso pouco importa. Por que nenhum prefeito emitiu um edital revogando a lei?

– Isso nunca ocorreu. Não faz sentido revogar uma lei antiga que ninguém mais observa.

– Não fazia. Só faltam nos fiscalizar dentro do banheiro.

– Não adianta brigarmos entre nós, temos que nos concentrar na raiz dos problemas.

– Então vamos votar! Quem é a favor de recorrer a um vilão levante a mão.

– Epa! Como assim?

– Contra um bem que se torna um mal, é necessário combater com um mal maior. Assim diz o Profeta do Profano.

– A questão é: podemos confiar nesse conselho, nesse Profeta?

– Acho que não nos restaram muitas alternativas. Votemos!