Vida de funcionário – V

Por melhor que eu escreva e crie histórias, eu não posso dizer o que Paula pensou depois da declaração de Pedro. Ao contrário dele, que vive em um mundo criado pela indústria de mídia, por revistas adultas masculinas e uma completa ausência de educação erótico-afetiva, Paula é uma mulher prática e pragmática. Ela continuou a trabalhar, a cuidar da casa dela, de seus filhos, de seus pais, de sua neta, do namorado. Pedro continuou sendo um colega, um amigo. Se ele ficou amuado, o problema é dele. Realista, Paula não pensa em talvez, em se. Ela se lembraria de Pedro em situações muito peculiares. Então aqui começa a minha ficção.

– Alô, Pedro? Paula. Eu preciso que você me faça um favor. Um enorme favor.

– Claro, Paula, pode pedir. Seu pedido é uma ordem.

– Desculpe por pedir um favor complicado desses. Mas meus filhos não podem ajudar, meus pais estão idosos e meu namorado estará trabalhando. Eu preciso que você me ajude com o tratamento médico de meus pais.

– Sem problema. Eu anotei o que você precisa e o que eu terei que fazer.

– Ótimo! Assim que tiver tudo, me liga. Eu prometo que eu vou dar uma chance para nós, em troca.

– Olha, eu faço porque eu quero. Você não precisa sair comigo.

– Imagina! Eu percebi que, mesmo depois da minha resposta, que você continuou a me dar atenção, carinho e amor. Sabe que mais? Você está certo. Eu mereço me divertir, ter um tempo pra mim, deixar ser amada. Uma mulher sempre gosta de receber atenção e amor, desde que seja respeitoso e cortês. Eu sei que não foi fácil para você me amar, mas eu vou pelo menos tentar te recompensar.

– Desde que você não esteja se sentindo na obrigação, eu topo.

– Que nada, bobo. Uma mulher inteligente tem que apreciar um homem como você.

Pedro teve alguma dificulade, mas persistiu até conseguir tudo que os pais de Paula precisava. Entregou tudo para ela e marcaram um dia do fim de semana, para passearem, conversarem, almoçar. Como bons amigos. Paula gostou de Pedro, gostou da companhia dele. Foi Paula quem acabou convidando Pedro para irem a um motel, onde passaram o resto da tarde juntos, fazendo amor. Ao voltarem para suas casas, seguiram com suas rotinas. No dia seguinte, foi Paula quem resoulveu ligar para Pedro.

– Oi Pedro. Amor, obrigada pela tarde maravilhosa. Desculpe por ser tão teimosa. Perdi muito tempo, mas prometo consertar isso.

– Oi Paula. Sou eu quem te deve agradecer. Não se desculpe, temos todo o tempo do mundo.

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