Meu daimon – VI

Cipriano arrumou-se com sua melhor túnica e saiu à rua, acompanhado de Kelek, que andava com seus quatro membros ao lado de Cipriano, sem roupas humanas, com todo aquele pelo negro ela mais parecia um cachorro grande. Alguns velhos pragejavam nas esquinas dizendo que um cachorro deve andar com coleira. Cipriano não atinava, pois para ele Kelek era uma garota peluda.

Diante do templo de Juventa Cipriano encontrou Helena, uma amiga de infância. Ela ficou assustada com Kelek, mas gostava muito de Cipriano. O convidou para uma conversa particular. Cipriano levou Kelek por que ele não queria que tivesse segredos entre eles.

– Cipriano, hoje nós entramos para a vida adulta. Eu queria que soubesse que eu te amo. Aceite-me como sua mulher.

Helena abriu seu roupão mostrando seu corpo jovem em formação, os quadris curvilíneos, os seios firmes e suas coxas esculturais como colunas e seu arbusto de pelos negros. Cipriano gostava de Helena também e teve a reação que qualquer homem teria diante da nudez de uma mulher. Kelek nada disse, apenas observou curiosa. Saindo do templo, Apolônio, um rival de Cipriano, que trabalhava com os estranhos sacerdotes do Deus Cadáver, não gostou de ver Helena entregando-se a Cipriano. Ignorando a presença de Kelek, o empurrou com força.

– Saia daqui, Cipriano! Você ainda é criança! Helena deve ter um homem! Saia daqui e leve esse seu cachorro feio!

Kelek não gostou de ver seu mestre machucado. Colocou-se em pé, sobre suas pernas e esmurrou Apolônio, jogando-o longe, para o outro lado da rua. Helena, assustada em ver Kelek sobre duas pernas, como humanos, saiu correndo. Cipriano olhou para a cena, mas não repreendeu Kelek.

– Venha, Kelek, nós temos que entrar no templo de Juventa. Eu quero ser homem.

Ambos entraram no templo, sem que os sacerdotes protestassem com a presença de Kelek. Diante da estátua de Juventa, Cipriano ofertou seu brinquedo mais querido, sua velha túnica e seu cabelo cortado e enfaixado com uma fita vermelha. Kelek observou em silêncio e com respeito. Assim que saíram, Kelek resolveu falar.

– Mestre é homem. Desde que nasceu, mestre é homem. Kelek não entende templo. Vazio. mestre deve ofertar a alguém presente. Kelek gosta mestre. Pode ensinar a evocar Deus. Mestre ama Helena? Kelek tem mesma coisa que Helena. Kelek pode cortar pelo como mestre fez.

Usando suas garras, Kelek debasta seu pelo até restar uma cabeleira sobre sua cabeça e uma touçeira entre suas pernas. Cirpiano ruborizou ao ver Kelek, idêntica a uma garota.

– Kelek, se quer andar como humanos, deve usar uma segunda pele, como eu. Vamos, eu acho que podemos achar uma túnica feminina para você no templo de Juventa.

Andaram ao redor do templo de Juventa e encontraram, como se fosse uma benção da Deusa, uma toga feminina aos pés da estátua da Deusa. A toga milagrosamente serviu perfeitamente para Kelek. Cipriano ficou feliz em ver Kelek parecer mais humana, mas achou por bem não fazer pouco dela em dizer que aquele era um presente de Juventa.

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