A festa de Eoster – VI

Vanity acordou animada, serviu-se do café da manhã especial que seu pai lhe havia preparado e foi com sua mãe até uma loja de vestidos para escolher sua roupa. Feliz, pegou um vestido de seda, levemente sensual, rosa com coral. Antes de chegar no Templo de Ishtar, Vanity pediu para sua mãe passar no mercado, para comprar flores e uma garrafa de vinho para ofertar para a sacerdotisa, sua tia Prudence.

Na frente do templo, uma fila de jovens aguardava pacientemente sua vez e com Vanity não foi diferente. O tempo estava agradável, com sol, algumas nuvens e uma leve brisa, trazendo o cheiro das guirlandas que enfeitavam as ruas. As portas do templo estavam abertas há um bom tempo e os servos faziam o que podiam para que todos pudessem entrar. Anotavam o nome, a idade, a origem e as medidas dos jovens para anunciá-los. Depois de algumas horas, Vanity foi anunciada.

– Vanity Red, da família Red, da Colina Cinzenta, tem idade suficiente, medidas normais.

Vanity entrou no salão cheio de cidadãos distintos dos mais diversos distritos de Nayloria, homens e mulheres, que observavam os jovens, meninos e meninas, com a única intenção de serem apresentados e terem seu Dia da Iniciação. As regras são rigorosas, os interessados em tutelar um jovem para iniciar em sua vida adulta podem cobiçar, lançar olhares, elogiarem, mas não podem tocar, não podem tomar a iniciativa, não podem escolher. Os jovens devem escolher quem será seu tutor ou tutora, a iniciativa deve ser do jovem, cabe a ele ou ela conduzir sue candidato até o reservado onde terão seu momento privado e íntimo.

Vanity estava indecisa e um tanto envergonhada com tantos olhares. Tantos homens, bem vestidos, cultos, refinados, com elogios que a faziam corar. Tantas famílias ali representadas que Vanity não sabia quem escolher sem paracer esnobe, pretensiosa ou deselegante. Recusas devem ser sutis para não parecer desfeita. Ela estava começando a ficar nervosa quando ouviu uma voz familiar.

– Vanity? Minha Vanity? O que faz aqui, querida?

Vanity vira-se para trás, curiosa e vê que a voz familiar é de seu tio Jack. Feliz, satisfeita e aliviada, não demora em abraçar e beijar ternamente seu tio, deixando claro para os demais pretendentes que ela tinha escolhido.

– Tio Jack! Que bom que o senhor veio!

– Sua mãe fez questão que eu viesse.

– Vamos, tio, que eu não quero desperdiçar um minuto a mais. Se eu tenho que ser inaugurada para que a sociedade me veja como adulta, eu não conheço ninguém melhor que o senhor.

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