A festa de Eoster – I

No mundo Furry e na província de Nayloria, todos os habitantes são seres meio animais, meio humanos. Todos os anos, na ocasião de Eoster, jovens de todas as cidades aguardam ansiosamente pelo Dia da Iniciação. Neste dia, ele ou ela poderá, livremente, definir como vê, como sente e como quer expressar sua sexualidade. Ele ou ela poderá escolher seu gênero e como quer viver sua vida erótico-afetiva. Não existe vergonha, pressão ou imposição. Todos são livres para amar quem quiser, quantos quiserem.

Antes do Dia da Iniciação e da festa de Eoster, jovens fazem filas enormes nos templos dos Deuses, em busca de inspiração, conforto, coragem, orientação e aprovação. Uma coisa é alguém achar que está pronto, outra estar realmente pronto. Ao contrário das dimensões, mundos ou sociedades onde existe uma verdadeira doença mental que vê tudo que é relacionado com o corpo, o desejo, o prazer e o sexo como algo ruim, feio, proibido, sujo ou nojento. No mundo Furry e em Nayloria, estes assuntos são vistos como algo normal, natural e, portanto, belo e divino. Então é algo mais do que natural os jovens procurarem por tutores, mentores, orientadores. Nisto consiste o Dia da Iniciação. Este é um dia onde os jovens podem encontrar um tutor para desabrochá-los.

Vanity estava chegando em uma idade e maturidade em que as mudanças estavam começando, ela se sentia confusa, insegura, com medo do que acontecia com ela. Ela poderia falar com seus pais, que sempre estiveram ao lado dela e foram sempre bem francos e abertos ao diálogo, para qualquer assunto. Mas Vanity sentia vergonha de falar sobre o que estava acontecendo com ela, seu corpo, seu sentimento e sobretudo sobre os sonhos que ela estava tendo. A vergonha aumentava quando ela ouvia seus pais conversando alegremente sobre ela e o Dia da Iniciação.

– O que você acha, querido? Nossa menina está pronta?

– Eu não sei meu coração. Eu tentei conversar com ela um dia e ela fugiu, toda vermelha.

– Eu até entenderia ela, mas eu também tentei falar com ela e ela não parecia estar confortável e deixei o assunto de lado. O que fazemos?

– Eu acho que ela deve ter alguém, qualquer um, com quem ela se sinta mais segura, mais à vontade, para fazer essas confissões. Alguém da escola, do bairro, do templo.

– Eu quero falar com o tio Jack!

A declaração de Vanity, sem medo ou vergonha, aos seus pais atônitos, no meio da sala, em pleno café da manhã, surpreendeu os Red e os aliviou. Jack era meio-irmão de Claire Red e quase primo de John Red. Uma escolha perfeita.

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