A cor do céu – V

– Sir Landlord, eu tenho algumas dúvidas a respeito do senhor.

– Dúvidas, major Catarina?

– Exatamente. Eu pesquisei a respeito de sua família e nada encontrei.

– Minha cara major, meus títulos…

– Podem ser fácilmente comprados. O nome Landlord pertenceu a uma velha fábrica que existiu em Cantebury e não tinha relação alguma com qualquer família na Grã Bretanha. O nome Alphonse está bem na placa da rua que fica diante desta casa. Quem é o senhor, afinal?

– Ora, major, convenhamos. A senhorita não acha que eu…

– Eu não acho. Eu tenho certeza. De início eu suspeitei da cor de seus cabelos, de sua pele, de seus olhos, tudo em um tom azul. Então eu olhei os registros e os documentos. Farsas e fraudes. Não há nenhum registro de sua entrada, nenhum tiquete de viagem, nenhuma certidão de nascimento. Em toda Grã Bretanha não há um único registro. O senhor, portanto, vem de fora.

– Oh, sim, claro, que lapso o meu. Mas eu posso explicar. Eu venho das colônias britânicas. De Nassau, mas filho de britânicos. A senhorita sabe bem como são relapsos os prefeitos da coroa britânica nas colônias. O lugar onde eu nasci fez com que eu tivesse esse tom de pele e cabelo. Mas olhos azuis não são incomuns entre os britânicos.

– Não tente me enganar, sir Landlord, ou seja lá qual for seu nome verdadeiro. Eu e meu pai estivemos em Nassau. O senhor não tem qualquer característica dos britânicos nascidos nessa colônia. Não há qualquer referência a este tipo específico de tom de pele e cabelo na medicina. E a cor azul seus olhos são extravagantes até mesmo em países nórdicos. Eu o observei e pude ver que seus olhos parecem contas de vidro cheias de um líquido azul. Não tem expressão e amiúde olham para direções diferentes. Eu vou perguntar apenas mais uma vez. Quem é o senhor?

Landlord sente estar acuado. Seria possivel que ele tenha se enganado a respeito dos humanos? Seria possivel existirem humanos realmente lógicos, racionais e superiores? Se sim, quantos? São organizados? Tem armas? Sabem quem ou o que ele é? Os olhos de Landlord ficam turvos como o oceano produndo e, para o horror de Catarina, de seu tórax saem mais quatro membros, dois de cada lado, não-humanos, insectóides.

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