A cor do céu – III

A criatura escolheu uma casa abandonada para traçar seu plano, enquanto repassava a análise que fez dos humanos. Tendo em vista as crenças humanas, a criatura decidiu fazer daquela casa abandonada um palacete, afinal o domicílio era um importante símbolo de alta posição na sociedade humana. Isto decidido, a criatura esquematizou uma função ou título para o personagem que iria se transformar. Com a devida aparência física, cronológica e vestimenta, o personagem inventado teria mais credibilidade diante dos humanos. As funções que mais aparentavam ter prestígio entre os humanos eram os espécimes que ocupavam cargos na esfera militar, na esfera do governo e na esfera da igreja.

A criatura ciente da credulidade humana, decidiu mesclar as três funções em um único personagem, que teria a estatura e porte de um humano adulto, masculino. Um homem de família nobre, da classe dos guerreiros e com um bom histórico dentro da igreja humana. Por acaso encontrou uma placa escrita Landlord, isto serviria como nome de família. A rua onde a casa ficava tinha por nome Alphonse, um nome comum mas com um ar aristocrático o suficiente.

Como bom observador, combinou as feições e tamanhos dos humanos que havia assimilado, além de improvisar com combinações próprias, a criatura chegou a uma perfeita aparência britânica. Roupas, pode conseguir várias, recolhendo de lixo e de suas vítimas. Para um simulacro de identidade, personalidade e outras documentações, a criatura sabia que podia achar vários diplomas, certificados e títulos na biblioteca local. Com a aparência escolhida e o calhamaço de documentos, não foi dificil a criatura obter dos registros públicos uma averbação e confirmação de sua identidade, personalidade e título. Com esse simulacro, consegui receber uma boa quantidade do papel que os humanos atribuem valor, dando mais respeitabilidade e coerência ao status que a criatura queria imprimir em seu personagem.

Embora fosse uma farsa do início ao fim, a credulidade humana funcionou como era esperado. Adiquirido capital, fez com que o capital aumentasse. Reformou a casa onde morava para melhorar ainda mais a fachada de seu logro. Não demorou para seu domicílio ser um local de reuniões de figuras da alta sociedade, da nobreza, do exército, do governo, da igreja. Todos o procuravam para obter alguma vantagem, alguma solução, alguma opinião. Tentavam enganar o malandro e saíam achando que tiveram êxito, mas apenas reforçavam o sucesso da empreitada.

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