A cor do céu – I

Um dia tranquilo e comum, as pessoas vão de um lado a outro, concentradas em seus afazeres, enquanto a natureza segue com seu desfile. De repente, um estrondo, como um trovão, ressoa de longe, de algum lugar por entre as montanhas ao longe. Alguns transeuntes olham para o céu em busca de nuvens, mas apenas se vê o infinito azul. Outros, mais inteligentes, buscam por traços indicando a passagem de algum avião, mas faz séculos que não passam aviões nessa rota. Passageiros de um trem percebem uma coluna de fumaça subindo de um ponto da montanha de Iris, uma plácida e calma montanha, da cor do marfim.

Sirenes, carros acelerando, viaturas da polícia, bombeiros, ambulância e até militares seguem em disparada até a montanha Iris, para investigar o que aconteceu e resgatar sobreviventes, se houver. General Seuss e sua filha, a major Catarina, vão no comboio. Não muito longe, seguem alguns veículos de particulares e algumas vans, certamente dos laboratórios científicos de Cantebury. Eu ainda não apresentei a cidade de Cantebury, uma cidade não muito pequena como Reisly nem muito grande como Londres. Uma cidade que é tão urbana quanto campesina. Cidade de pessoas comuns e ao mesmo tempo orgulhosas, divididas entre o progresso e antigas tradições.

O cenário é de devastação, os bombeiros vão lançando jatos de água e espuma, tentando combater o fogo. A polícia tenta manter os curiosos afastados e os paramédicos não encontram vítimas entre os escombros. Os militares chegam pouco tempo depois que o incêndio foi totalmente extinto e o General Seuss com sua filha assumiu o comando das operações, para o desgosto de policiais e cientistas. A passos largos e confiantes, o general e a major escalam os troncos das árvores que foram dispersas pelo solo como se fossem palitos de dentes, até chegar ao núcleo do impacto, uma imensa cratera de quase um quilômetro, com a terra ainda fumegante. O general Seuss permanece impávido como uma rocha, observando o fundo da cratera, donde uma luz emanava.

– Major, inicie o teste com o contador Geiger.

– Imediatamente, senhor.

Catarina liga o contador Geiger e observa a leitura dos níveis de radiação. A seta indica pouca atividade de radiação, mas uma curiosa emissão eletrostática que parece estar espalhada por toda a extensão da cratera, até uma altura de um kilômetro acima do chão. Como se houvesse uma imensa bolha esférica feita de eletricidade. Esta informação não interessava ao general, ele esperava e gostaria muito que tivesse algum nível radioativo no foco da cratera, seja lá qual fosse o objeto que lá estivesse. Decepcionado, o general desce até o epicentro e observa algo pequeno, enrugado e de cor marrom claro, parecendo muito com uma semente de pêssego.

– Não vejo qualquer utilidade nesse objeto. Vamos deixar isso com os cientistas.

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