A caixa de Dora – IX

– Foi ela! Ela é culpada! Foi Dora quem perturbou minha mente!

– Dora não tem culpa alguma. O senhor que é perturbado.

– Do que está falando, senhor Wolf? O senhor deve ter visto como ela se veste, como ela se posta, como ela fala. Ela provoca! Como se fosse um jogo!

– Senhorita Simpson, a vida é um jogo. O amor é um jogo. Tudo é um jogo. A senhorita tem o seu jogo. A senhorita não me engana com essa personagem de inocente estudiosa.

– Senhor Wolf, o senhor não pode estar falando sério! A senhorita Simpson é uma moça recatada e religiosa, bem diferente da senhorita Pendragon.

– Faz parte do personagem. Ela percebeu que o senhor era perturbado. E que Dora mexia com o senhor. Ela soube muito bem como usar no momento certo os truques dela para se aproveitar de sua fraqueza, insegurança e inexperiência.

– Como ousa? Eu sou uma dama! Uma moça de família!

– Que devia estar desesperada para mudar essa fachada, desesperada para não ficar atrás, desesperada para ter seu momento de debutante, desesperada para desabrochar. Agora é uma mulher. O que vocês farão daqui para diante é que é o desafio.

– O que está sugerindo, senhor Wolf?

– Aquilo que muitos pensam, mas poucos tem a coragem de dizer ou assumir. Nós somos indigentes no amor. Vivemos uma vida cheia de recalques, proibições, opressões, frustrações, regras. No que isto nos tornou? No que isto nos adiantou? Veja aonde o senhor chegou por não ser sincero consigo e com os outros, senhor Darland.

– Absurdo, senhor Wolf! O que acontecia comigo e a senhorita Pendragon é inadequado e o que aconteceu comigo e a senhorita Simpson foi um acidente!

– Inadequado é o seu comportamento em relação ao seu corpo, ao amor e ao prazer, senhor Darland. O senhor não é inocente tão pouco e não foi um acidente. O senhor colheu a flor da senhorita Simpson com muito grado por que tentava fugir do que sentia por Dora.

– E o que o senhor propõe, senhor Wolf? Que vivamos vidas desregradas e promíscuas? Que nos entreguemos aos apetites da carne? Que tenhamos vidas desenfreadas?

– Seu protesto e indignação demonstra como e tão funda são as causas da repressão e opressão. Malditos sejam estes que privam as pessoas do amor e do prazer, unicamente para angariar mais poder, prestígio e riqueza. Não aceitem que os manietem. Sejam autores e atores de suas vidas. Libertem-se das amarras. O Amor é o Todo da Lei.

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