A caixa de Dora – VII

Darland respirou fundo. Finalmente havia conseguido terminar seu primeiro dia de expediente. Na sala dos professores, conversava e tomava café com seus colegas de profissão, compartilhando incertezas e desafios do magistério. O problema não é que se passa dia a dia, mas como se preparar para o dia seguinte. Ao pensar nisso, Chris sentiu um arrepio ao passar pelo seu pensamento o tormento de resistir à tentação de Dora. Enquanto preparava mentalmente a matéria da aula do dia seguinte, sentiu que seu caminho estava impedido por alguém. O pensamento em Dora surgiu com naturalidade e força.

– Senhor Darland, podemos conversar?

– Senhorita Simpson? Algum problema?

– Sim, senhor Darland. E creio que o senhor sabe o “problema”. A senhorita Pendragon. O senhor é, evidentemente, um home decente e honesto. Não pode deixar que essa garota faça o que quer.

– Acredite, senhorita Simpson, eu estou tomando todas as medidas possíveis.

– Eu tenho certeza que sim. Mas eu queria falar com o senhor sobre outras coisas.

Lisa era uma das poucas alunas de sua turma que era esforçada e estudiosa. Conversar com alunos inteligentes e esforçados é a melhor recompensa ao professor. A conversa começa amena, ela tem dúvidas sobre história e tem uma percepção aguçada do processo histórico. Conforme a conversa evolui, aparecem os tratamentos menos formais, conversas frugais, uma certa proximidade e logo se inicia a amizade, o tratamento mais íntimo, demonstrações de carinho e afeto. Quando Darland se dá por si, ele está em cima de Lisa, dentro dela, os dois resfolegando e gemendo. Não dá para parar. Quando ele desperta, sente uma forte e prolongada ejaculação. Então se dá conta que não estava usando camisinha. Lisa está tão entregue ao orgasmo que nem nota. Nervoso e ingênuo, Chris pergunta-se como foi parar nessa situação. Nada em seus livros falava sobre isso. Nada na faculdade o preparou para isso. Nada no magistério irá ajudá-lo nesse “deslise”.

Com pressa evidente Chris tenta, ao mesmo tempo, se vestir e acordar a Lisa, antes que algum aluno ou professor os pegue nessa cena erótica. Olhando para os lados, não viu testemunha alguma. Lisa ainda estava meio grogue, mas ao menos estava vestida. Inevitávelmente teriam que passar pelo pátio da escola, um lugar aberto e visível. Chris imaginou centenas de cenários possíveis e milhares de declarações que poderiam livrar a cara dos dois. Mas nem o pior cenário imaginado se comparava com o pátio lotado, cheio de alunos, professores, pais e transeuntes. Até então ninguém da platéia voluntária havia dito qualquer coisa. Mas encarar tal multidão depois do ato cometido antecipou o estrago. Chris praticamente se entregou, por gestos e palavras desconexas que havia acontecido algo. Algo que envolvia ele e uma aluna.

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