A caixa de Dora – III

Enfim, intervalo. Dora pega seu lanche e senta na sombra, junto com suas poucas mas sinceras amigas. A escola não era seu lugar preferido, mas enquanto estiver na casa de seus pais e tendo que ser sustentada por eles, ela não tem muita opção senão desperdiçar sua jovem vida assistindo aulas sem uma informação sequer que preste.

Os professores vão e vem, mudam as matérias, mas uma aula se resume a ler algum livro. Se isto é aula é ir à escola, Dora devia ser PhD. Ela assombrava seus tios e avós por ler sem dificuldade todo tipo de livro. Aos cinco anos Dora havia lido toda a enciclopédia, cada um dos cem volumes, do início ao fim. Muita teoria para pouca prática. Isso é o que Dora via em livros, nos professores e na escola.

Dora conta os dias que faltam para acabar o ginasial, conta os dias que faltam para que abram vagas no colégio técnico, conta os dias que faltam para ter um emprego e se sustentar sozinha. Sonha com os dias que estará livre de pais, de professores, de aulas. Sonha com os dias que estará livre da companhia de crianças. E não são apenas as que tem pouca idade. Apenas quando ela for livre que Dora poderá procurar por pessoas que sejam suas iguais. Pessoas sem limitações. Pessoas desenvolvidas. Pessoas efetivamente adultas.

De repente a conversa de suas amigas cessa, algo lhes chama a atenção. Pelo canto do olho, Dora percebe o professor “verde”. Quantos anos ele tem? Quanto tempo mais ele demorará até amadurecer? Ele não parece ser mais velho que seu irmão e se comporta como seu irmão mais novo. Se Dora tivesse compaixão ela sentiria pena de tanta insegurança, pouca auto-estima, inexperiência. Brinquedo fácil nas mãos de jovens cruéis. Dora havia jogado antes esse jogo. Mas não gosta de lembrar o resultado. Suas amigas tentam evitar falar no assunto, mas mesmo entre elas a fama de Dora estava maculada há tempos.

Mas em outras panelinhas, o foco está no outro “verde”. O aluno transferido. O chamam de Lobo Mau. Dizem que faz o que quer, quando quer, com quem quer. Que carrega nove escolas destruidas nas costas. Que carrega uma fila de professores mortos. E uma mais longa de professoras e alunas “comidas”. Dora dá uma boa olhada. Não é muito bonito, nem forte. Nem faz o tipo Bad Boy. Mas tem uma força, uma energia em seus olhos que é dificl de descrever.

– Vamos começar o jogo…

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