Arquivo mensal: fevereiro 2014

O Fruto Liberado

O sonho da Revolução Cultural broxou, disse o Profeta do Profano.
O alien de X1S diz, no Manifesto Onigâmico, que está apenas começando. Latência?
Em diversos países se discute [com bons resultados] o reconhecimento dos direitos e da cidadania da população LGBT. A despeito do discurso enfurecido, fundamentalista e homofóbico da Direita Religiosa.
Protestos feministas usam [a contragosto de outras feministas] a nudez como arma de conscientização.
Nina Hartley rediscute e redimensiona qual seria a real vocação e espaço da pornografia em uma sociedade sexualmente saudável. Na internet escreve-se sobre o sexo ser a salvação. Criamos incessantemente diversas fantasias sexuais, imagens, icones que abundam sexualidade e liberdade.
Qualquer opinião ou posição sobre amor, relacionamento e sexualidade vai acabar atingindo velhos tabus e proibições arraigados em nossa sociedade sexualmente doentia, sexista, machista, patriarcal. E não dá para não me referir à raiz do problema: Cristianismo. Mas mesmo a raiz do problema tem se demonstrado “acessível” a essa questão tão carnal, necessária e natural.
Nem mesmo tabus e proibições são nossas reais limitações. Matar nosso semelhante é um tabu e proibição da humanidade, mas não temos nem vemos problema algum na cultura de violência. Filmes americanos são um bom exemplo dessa cultura de violência e agressividade.
Então o problema, como sempre, está na humanidade. Ou melhor, no comportamento, em caráter coletivo e individual. Nisso não somos muito diferentes de nossos avós e ancestrais. Criamos fantasmas e medos desnecessários para algo que devia ser normal, natural, desejável, desfrutável, belo.
Refazer ou recriar comportamentos em cima de outros inculcados, impostos, não é nada fácil. Em minha jornada, quebrar com velhos hábitos arraigados é o meu maior desafio. Seja por criação familiar, por imposição social, seja por doutrinação religiosa, seja por mentiras que nos contamos sobre nós mesmos, aquilo que somos não é nossa real essência, mas algo que construímos para “funcionar” nessa sociedade, nesse mundo.
Devia ser bem simples. Todos são livres e tem o direito de amar quem quiser, quantos quiser, sendo em mutuo consentimento e tendo maturidade. Nascemos com isso e a sexualidade devia ser algo normal, natural. Eu sou homem e gosto de mulher. Outro homem pode ser homem e gostar de homem. Outro homem pode ser “mulher” e gostar de homem. Um homem escolhe o que ele é e gosta e definir seu tipo de relação: monogâmica ou poligâmica. O mesmo devia ser verdadeiro para a mulher, para o/a transgênero. Mas não funciona assim. Vivemos em uma sociedade onde novela e futebol é mais importante do que política.
Não temos problemas com a ingerência governamental, mas criamos problemas quando algo resvala nossas inseguranças, recalques ou preconceitos no tocante ao amor, relacionamento, sexualidade. Conversar sobre liberar a maconha é mais fácil do que conversar sobre liberar o amor.
Teorias revolucionárias forma majoritariamente escritas por homens. Como antigamente eram escritos livros sobre fidelidade, casamento, virgindade. Homens impulsionam a Industria da Pornografia, a Industria do Sexo, nós demos origem às boates e às trocas de casais. E continuamos insatisfeitos, porque o sistema se mantém enquanto nos mantivermos condicionados a viver essa sexualidade doentia, enquanto permitirmos sermos sexualmente reprimidos, oprimidos e alienados. Metade da humanidade, a mulher, está ainda mais restringida, lutando para cumprir com sua função social como trabalhadora e mãe, mantendo um contrato social [casamento] porque acredita na instituição e porque teme a punição social se ousar infringi-la. Metade da humanidade, a mulher, ainda mantém o sonho romântico medieval de fidelidade conjugal e de que não é próprio para uma “mulher direita” buscar sua plenitude, inclusive a sexual.
O Fruto está bem na nossa frente. A Iniciadora nos oferece. Não há Deus algum que nos proíba, nem há Deus algum que possa nos castigar. Na verdade, Ele está bem ao nosso lado, aguardando ansiosamente pelo nosso Despertar. O ato deve ser consciente. Cabe a nós querer colher o Fruto, saboreá-lo e receber o Conhecimento.

Viver sem limites

Alguns dias, semanas e meses depois, Dora e Luiz são convidados para o casamento entre Chris e Liza. No casamento, a sociedade consagra sua aceitação aos relacionamentos, até mesmo os proibidos, até mesmo os não-consentidos.

A sociedade nos impinge suas regras de moral enquanto, ao mesmo tempo, permite o sucesso da Indústria Pornográfica e da Indústria da Prostituição. Uma sociedade doente precisa ter uma válvula de escape. Mas o escape acaba piorando e aumentando a repressão, a opressão, o recalque, a frustração e a insatisfação presente em nossas vidas erótico-afetivas.

No entanto, não existem vítimas ou carrascos. Temos as vidas que queremos e merecemos. Preferimos viver nessa indigência amorosa a sermos honestos, sinceros e verdadeiros com nossos corações. Naquela cena de casamento, ao mesmo tempo idílica e esquisita, Dora e Luiz pensam no futuro. Em um ano muita coisa muda. Em um ano, Luiz será “maior” de idade enquanto Dora ainda será “menor” de idade. Por uma diferença de meses, semanas, horas, o amor entre os jovens passará a ser “tabu”.

O consolo de ambos é que não estão sozinhos. Em pequenos e seletos grupos, ora em clandestinidade, ora em zonas de tolerância, muitas pessoas redescobrem que apenas o Amor é a Lei. Corajosos e valentes sábios escrevem, desafiando os limites, as fronteiras, que os senhores da sociedade nos impõem. Destes, deleitam-se os indomados com a leitura dos livros do Profeta do Profano. A sabedoria do Profeta do Profano nunca será conhecida e apreciada pelo público. Suas obras nasceram fadadas ao ocaso.

Mas não devemos esmorecer. O Amor é a Lei. Venera-sama irá conquistar o mundo. Pelas mãos de uma criança escolhida, a portadora da estrela, a portadora da luz, o mundo cairá de joelhos e a humanidade reencontrará sua vida, sua liberdade. Que todos tenham o direito e a liberdade de amar quem quiser, quantos quiserem. Que a luz de Zvezda brilhe por todo o mundo.

A caixa de Dora – X

Por alguns instantes as pessoas olhavam uma para outra. Um ou outro ainda estava com o ânimo exaltado. Como ninguém se habilitava a incitar a audiência para alguma ação violenta, permanecia um silêncio ensurdecedor. Alguns instantes mais tarde surge uma viatura policial que leva o professor e a aluna para a delegacia. Findo o espetáculo, toda aquela gente vai se dispersando.

Sobram apenas Luis e Dora. Ela, ainda ao longe, observa seu jogador com um sorriso enigmático em seu rosto. Ele havia abaixado a guarda, então ele estava perdendo. Mas ela gostou, então ele estava ganhando. O jogo sempre é surpreendente. Dora se aproxima, pronta para começar a segunda fase do jogo.

– Então, “Lobo”…você entregou o jogo. De tantos com quem eu joguei, você certamente é o melhor. Acho que você está preparado para conhecer a minha caixa.

– Esse seu jogo pode acabar muito mal algum dia, Dora.

– Relaxe! Até agora ninguém morreu nem foi morto. Agora que você perdeu, tem que me seguir. Para conhecer a minha caixa, nós temos que ir a um lugar reservado.

– Eu perdi? Se você vai mostrar sua caixa para que eu a conheça, então eu ganhei. O que é e o que tem essa caixa?

– Paciência, “Lobo”. O perdedor tem que obedecer. O que você sabe é meu sobrenome. Pendragon. Eu pertenço a uma longa linhagem de sacerdotisas dedicadas a Pan. Eu possuo uma caixa que é chamada então de Pan-Dora. Abrir a caixa libera o poder de Pan. Pode criar o universo ou liberar o caos. Mas para abrir a caixa o jogador tem que merecer. Você conquistou esse mérito.

– Eu ouvi falar algo a respeito. Só não entendi por que é necessário o jogo.

– Um teste, “Lobo”. Conhecer a caixa e abri-la é resultado do jogo. A questão é se você tem a chave e está preparado para conhecer e abrir minha caixa.

Em um local reservado, Dora levanta sua saia e mostra suas partes íntimas. Ela não usa roupa de baixo, deixando bem exposto seus cabelos pubianos, ruivos como a dona, cobrindo sua úmida entrada. O corpo de Luis responde imediatamente, deixando Dora impressionada com o tamanho do volume da ereção. Quando ele a abraça, ela treme e geme, os corpos estão quentes e receptivos, tornando desnecessário qualquer palavra. Ali mesmo tornam-se um só, ele encaixa a “chave” e a “caixa” se abre generosamente. Ambos abandonam todo o pudor e se permitem ser arrebatados no êxtase. Sem se importar se vai haver um amanhã. Se o universo continuará. Ou se será liberado o caos.

Equipe Roquet

A Equipe Rocket é uma organização interessada em dominar o mundo. Dirigida por Giovanni, planejam roubar e explorar os Pokémons para o lucro e o poder. Apesar de toda a pose e jargões de efeitos, são meras figuras cômicas, haja visto a facilidade como seus planos são desbaratados.
Após a dominação mundial, Venera-sama pretende utilizá-los em espetáculos de stand-up comedy.

A caixa de Dora – IX

– Foi ela! Ela é culpada! Foi Dora quem perturbou minha mente!

– Dora não tem culpa alguma. O senhor que é perturbado.

– Do que está falando, senhor Wolf? O senhor deve ter visto como ela se veste, como ela se posta, como ela fala. Ela provoca! Como se fosse um jogo!

– Senhorita Simpson, a vida é um jogo. O amor é um jogo. Tudo é um jogo. A senhorita tem o seu jogo. A senhorita não me engana com essa personagem de inocente estudiosa.

– Senhor Wolf, o senhor não pode estar falando sério! A senhorita Simpson é uma moça recatada e religiosa, bem diferente da senhorita Pendragon.

– Faz parte do personagem. Ela percebeu que o senhor era perturbado. E que Dora mexia com o senhor. Ela soube muito bem como usar no momento certo os truques dela para se aproveitar de sua fraqueza, insegurança e inexperiência.

– Como ousa? Eu sou uma dama! Uma moça de família!

– Que devia estar desesperada para mudar essa fachada, desesperada para não ficar atrás, desesperada para ter seu momento de debutante, desesperada para desabrochar. Agora é uma mulher. O que vocês farão daqui para diante é que é o desafio.

– O que está sugerindo, senhor Wolf?

– Aquilo que muitos pensam, mas poucos tem a coragem de dizer ou assumir. Nós somos indigentes no amor. Vivemos uma vida cheia de recalques, proibições, opressões, frustrações, regras. No que isto nos tornou? No que isto nos adiantou? Veja aonde o senhor chegou por não ser sincero consigo e com os outros, senhor Darland.

– Absurdo, senhor Wolf! O que acontecia comigo e a senhorita Pendragon é inadequado e o que aconteceu comigo e a senhorita Simpson foi um acidente!

– Inadequado é o seu comportamento em relação ao seu corpo, ao amor e ao prazer, senhor Darland. O senhor não é inocente tão pouco e não foi um acidente. O senhor colheu a flor da senhorita Simpson com muito grado por que tentava fugir do que sentia por Dora.

– E o que o senhor propõe, senhor Wolf? Que vivamos vidas desregradas e promíscuas? Que nos entreguemos aos apetites da carne? Que tenhamos vidas desenfreadas?

– Seu protesto e indignação demonstra como e tão funda são as causas da repressão e opressão. Malditos sejam estes que privam as pessoas do amor e do prazer, unicamente para angariar mais poder, prestígio e riqueza. Não aceitem que os manietem. Sejam autores e atores de suas vidas. Libertem-se das amarras. O Amor é o Todo da Lei.

A caixa de Dora – VIII

Luiz respira aliviado, conseguiu terminar um dia inteiro em uma escola sem que acontecesse alguma confusão. Ao sair no pátio da escola, vendo tantos alunos, professores e pais em uma crescente conturbação, sentiu uma certa agonia por alguns instantes, mas ao ver que não era, desta vez, o centro das atenções, relaxou.

Aos poucos, discretamente, Luiz foi se misturando ao povo, chegando mais perto do centro do fato, tentando ver e entender o que estava acontecendo.  Aqui e ali ouvia os comentários, falando em vergonha, absurdo, escândalo e palavras de baixo calão. Alguns mais exaltados fechavam os punhos ou pegavam em pedaços de pau. Alguma coisa que envolvia um professor e uma aluna. Seria por acaso a Dora que foi longe demais com seus jogos? assim que chegou no centro do turbilhão, Luiz vê, surpreso, que ali estão o professor “verde” e Lisa. Luiz conhece bem essa situação. As pessoas em volta não disseram coisa alguma, o professor deve ter se entregue por conta própria, por palavras, posturas ou ações. O que não se encaixava na cena é Lisa, Uma garota de família rigorosa, cheia de inseguranças, recalques, seguidora de uma estranha doutrina baseada nos ensinamentos de um profeta morto há séculos e uma aluna estudiosa. Este talvez seja o pivô que possibilitou a cena. Lisa desabrochou nas mãos do professor que também tinha seus problemas quanto a relacionamentos, amor, prazer e sexo. A afinidade os aproximou e os condenou…ou os libertou.

O professor tentando desesperadamente sair dessa sinuca esbravejava algo e apontava para alguém no meio daquela massa. Seguindo a mão esticada, Luiz vê um borrão vermelho. Cabelos vermelhos. Dora. Que assistia a tudo impassível e não atendia aos apelos daquele professor. Ele queria desviar a atenção das pessoas, queria tentar passar a culpa para Dora. Seria isso apenas mais uma parte do jogo para Dora? Sem saber muito bem por que, Luiz se intromete na discussão, em defesa de Dora.

A caixa de Dora – VII

Darland respirou fundo. Finalmente havia conseguido terminar seu primeiro dia de expediente. Na sala dos professores, conversava e tomava café com seus colegas de profissão, compartilhando incertezas e desafios do magistério. O problema não é que se passa dia a dia, mas como se preparar para o dia seguinte. Ao pensar nisso, Chris sentiu um arrepio ao passar pelo seu pensamento o tormento de resistir à tentação de Dora. Enquanto preparava mentalmente a matéria da aula do dia seguinte, sentiu que seu caminho estava impedido por alguém. O pensamento em Dora surgiu com naturalidade e força.

– Senhor Darland, podemos conversar?

– Senhorita Simpson? Algum problema?

– Sim, senhor Darland. E creio que o senhor sabe o “problema”. A senhorita Pendragon. O senhor é, evidentemente, um home decente e honesto. Não pode deixar que essa garota faça o que quer.

– Acredite, senhorita Simpson, eu estou tomando todas as medidas possíveis.

– Eu tenho certeza que sim. Mas eu queria falar com o senhor sobre outras coisas.

Lisa era uma das poucas alunas de sua turma que era esforçada e estudiosa. Conversar com alunos inteligentes e esforçados é a melhor recompensa ao professor. A conversa começa amena, ela tem dúvidas sobre história e tem uma percepção aguçada do processo histórico. Conforme a conversa evolui, aparecem os tratamentos menos formais, conversas frugais, uma certa proximidade e logo se inicia a amizade, o tratamento mais íntimo, demonstrações de carinho e afeto. Quando Darland se dá por si, ele está em cima de Lisa, dentro dela, os dois resfolegando e gemendo. Não dá para parar. Quando ele desperta, sente uma forte e prolongada ejaculação. Então se dá conta que não estava usando camisinha. Lisa está tão entregue ao orgasmo que nem nota. Nervoso e ingênuo, Chris pergunta-se como foi parar nessa situação. Nada em seus livros falava sobre isso. Nada na faculdade o preparou para isso. Nada no magistério irá ajudá-lo nesse “deslise”.

Com pressa evidente Chris tenta, ao mesmo tempo, se vestir e acordar a Lisa, antes que algum aluno ou professor os pegue nessa cena erótica. Olhando para os lados, não viu testemunha alguma. Lisa ainda estava meio grogue, mas ao menos estava vestida. Inevitávelmente teriam que passar pelo pátio da escola, um lugar aberto e visível. Chris imaginou centenas de cenários possíveis e milhares de declarações que poderiam livrar a cara dos dois. Mas nem o pior cenário imaginado se comparava com o pátio lotado, cheio de alunos, professores, pais e transeuntes. Até então ninguém da platéia voluntária havia dito qualquer coisa. Mas encarar tal multidão depois do ato cometido antecipou o estrago. Chris praticamente se entregou, por gestos e palavras desconexas que havia acontecido algo. Algo que envolvia ele e uma aluna.