Pensando positivo em uma Skoulicracia

Nota pessoal: Skoulicracia: Governo dos Vermes.

Leia com ironia e sarcasmo sem moderação.

O pessoal do esoterismo, do ocultismo e do espiritualismo gosta de falar da importância de pensar positivo em qualquer circunstância.

Considerando que o Brasil irá se tornar o IV Reich a partir de primeiro de janeiro de 2019, eu irei ajudar o brasileiro e eu direi como pensar positivo durante o Reich Tupiniquim.

Fim do comércio informal nos transportes públicos.

Sabe aquele cara chato, que entra no ônibus e fica te empurrando coisas inúteis ou fica te constrangendo a “colaborar com a obra”? Finalmente você vai poder transitar no caminho casa – trabalho – trabalho – casa sem incômodo.

Fim do comércio informal nas ruas.

Sabe como é chato andar pelo centro de uma metrópole e ter que desviar daquelas barraquinhas de camelô? Você vai poder andar tranquilo e não vai correr o risco de comprar mercadoria contrabandeada, ilegal, vencida ou defeituosa. Por sinal, isso vai refletir nas famosas ruas de comércio popular. Aqui em São Paulo vai acabar a Santa Ifigênia e a 25 de Março.

Fim da população de rua.

Sabe aquele incômodo diário de ver gente largada nas ruas, sujas, doentes, drogadas, bêbadas? . Pobres, mendigos e drogados serão inclusos nos programas de “internação compulsória”. Finalmente sua consciência pequeno-burguesa não vai mais sentir culpa diariamente. Você vai poder continuar a fazer caridade para os institutos de assistência social que tiverem permissão e autorização do governo. Gente em situação precária você só vai ver na televisão, nas propagandas desses institutos.

Fim da “invasão estrangeira”.

Sabe aquele bando de gente, refugiado, que não contente em vir para sua cidade, só fala na língua dele? Quem não for brasileiro nato, nascido, se não tiver “visto de estrangeiro”, vai ter que voltar para o país de onde veio. Igualzinho ao que faz o Trump. Se você for morador da região sul e sudeste, essa restrição pode ser estendida aos nordestinos.

Fim dos vagabundos.

Sabe gente que não tem o que fazer? Quem nem trabalha nem estuda? Essa gente fará parte do programa de “trabalho compulsório”. Serviços de baixa escolaridade ou sem qualificação podem ser perfeitamente preenchido por presidiários, indigentes, mendigos, drogados.

Fim das favelas.

Sabe aquelas construções que surgem, sabe se lá de onde, por obra de quem? Vai acabar essa folga de gente chegar, sabe se lá de onde, invadir terreno público e, com materiais precários [de origem suspeita], vão fazendo seus barracos. Só pode residir quem trabalha ou estuda, em unidades urbanas aprovadas pelo governo.

Fim do ensino inútil.

Sabe aquelas matérias que você é obrigado a decorar sem que tenha utilidade alguma para sua vida ou seu trabalho? Ou de conteúdos que não condizem com os valores de sua cultura ou sociedade? A-ca-bou. Todo conteúdo transmitido em sala de aula terá um fim pragmático.

Fim do feminismo.

Isso devia ter parado lá em 1950. Mulher tem que ser mulher. Afinal, leis, direitos e deveres são para todos, não tem que ter diferenças ou privilégios para a mulher, só por causa do seu gênero e sexo. A mulherada vai ter que parar com a frescura. Vai ter fiu-fiu sim. Vai ter cantada sim. Vai acabar essa conversa de violência ou assédio sexual.

Fim do vitimismo.

Sabe aquele cara que você não pode olhar nem falar nada que fica todo cheio de mimimi? Vai acabar. Homem tem que ser homem, tem que saber se impor, se garantir. Vai acabar esses privilégios só porque alguém pertence a uma “minoria social”. Aliás, vai acabar essa coisa de “minoria social”.

Fim do coitadismo.

Está carente? Precisa de ajuda? Que vá procurar nos institutos de assistência social [os autorizados pelo governo]. Não venha com essa de que é deficiente, que precisa de cuidados especiais, que sofre segregação social. Quem quer moleza, que vá sentar no pudim. A pessoa que é cidadã tem consciência de seu papel social, vai trabalhar, vai dar duro, vai empreender e vai prosperar.

Fim do Politicamente Correto.

Sabe aquele pessoal que vive patrulhando aquilo que você diz ou faz, na vida real ou na virtual? Eles estarão inscritos no programa de “reeducação compulsória”. As coisas tem que ser chamadas pelo nome que são. Vai rolar palavrão na arquibancada. Vai rolar palavrão no trânsito.

Fim dos sindicatos.

A vida social de nós todos é definida por aquilo que trabalhamos. Os sindicatos nunca ajudaram a criar ou gerar empregos. Os sindicatos só servem para atrapalhar e atazanar com greves. Os sindicatos só servem como antro de subversão, contestação e manifestação contra o sistema social. A relação entre patrão e empregado não precisa de tutores.

Fim dos partidos políticos.

Associações de pessoas são perigosas. Veja o exemplo dos sindicatos. As inúmeras opções de partidos políticos só servem para nos deixar mais confusos. Os partidos políticos somente colaboram para conchavos, acordos e esquemas de corrupção. Tudo que uma pessoa precisa é escolher um time de futebol. O resto é dispensável.

Fim da televisão comercial aberta.

Os canais de televisão comercial aberta são repletos de fake news, sensacionalismo e mentiras. Abusando da liberdade de expressão, as emissoras têm disseminado programas com conteúdo que avilta os valores tradicionais da civilização ocidental cristã. Ninguém aguenta mais os constantes comerciais de produtos, antes, durante e depois das atrações. Ninguém aguenta mais propagandas cheias de promessas falsas e ilusórias. Todos os canais de televisão serão privados, com conteúdo avaliado e permitido pelo governo. A pessoa que adquirir o serviço terá que escolher e declarar quais canais e os motivos das escolhas.

Fim da bagunça religiosa.

Finalmente nós poderemos dizer que essa é uma Nação que pertence a Deus. Brasil será um país cristão. Sem dúvidas, sem inquietações, sem controvérsias. Aqui só existirá a Igreja de Cristo. Aqui será uma terra de crentes no Evangelho. Todos deverão estar na missa aos domingos. Será o fim da espiritualidade alternativa e do ecumenismo. Qualquer um com outra forma de crença fará parte do programa de “educação religiosa”. Reticentes e reincidentes poderão ser ingressos nos outros programas oferecidos pelo governo.

Fim da putaria.

Sabe aquela coisa de formas de famílias diferentes, de relacionamentos paralelos, de relacionamentos “não naturais”, aquela conversinha diferenciando sexo de gênero, entre outras coisas típicas dos progressistas, liberais e esquerdistas? Acabou. Isso inclui todo tipo ou forma de erotismo, pornografia e prostituição. Menino vai ser educado para ser menino. Menina vai ser educada para ser menina. Sexo, só depois do casamento. Vai deixar de existir separação, divórcio, adultério, bigamia. Educação sexual só para maiores de 21 anos. Namoro só para maiores de 18 anos. Pessoas que não sigam nem se encaixem no padrão farão parte do programa de “reeducação e reorientação sexual”. Reticentes e reincidentes poderão ser ingressos nos outros programas oferecidos pelo governo.

Eu acredito que seja o suficiente. Mas se quiser acrescentar algo, use o campo de comentários.

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Como criar uma assassina

Um navio queima no porto de Londres. Algo um tanto inconveniente para os britânicos. O que poderia se transformar em um incômodo e até um escândalo, se a população soubesse que aquele era o famigerado Cutty Sark, nome conhecido por bucaneiros e corsários, disfarçado como mero navio mercante britânico. Comércio legal ou ilegal, só depende de que lado do Governo a companhia se coloca ou é situada. Muito embora as ações do Governo não são muito distintas dos procedimentos executados pela Máfia.

Em algum ponto da baía de Cliff, dois sobreviventes saem das águas do Tâmisa. Lau, nobre chinês e presidente da representação da Companhia de Comércio Shangai, está gravemente ferido, mas não fatalmente. Semiconsciente, ele vê o vulto de uma mulher.

– Mamãe… é você, mamãe?

– Não, mestre. Sou eu, Ran Mao.

Com dificuldade, respirando pesadamente, apertando o lombo do lado esquerdo para segurar o sangramento, Lau consegue sair da posição deitada para a posição sentada.

– Ah, é você, minha gatinha. O que aconteceu? Onde estamos?

Ran balança a cabeça e solta um suspiro. Ela está com a roupa inteira ensopada e seu belo penteado desfeito, mas é bem típico de Lau simplesmente se desligar da realidade.

– O senhor encarou o conde Fantomhive e eu lutei contra o “mordomo” dele. Cutty Sark está em chamas e em breve dormirá no fundo do Tâmisa após ser alvejado pelos canhões do Forte Hannover.

– Ah, sim! Verdade! Esse pequeno arranhão dá um toque realístico demais, mas agora que nós estamos “fora de cena”, nós temos que continuar o jogo.

Como se estivesse em seu palácio em Shangai, Lau fica em pé, ignorando por completo seu ferimento, secando suas roupas como pode.

– Me… mestre? Seu ferimento?

– Ah… sim… desconfortável, mas aceitável. Não se preocupe com isso, Ran. Eu sobrevivi a coisas bem piores. Vamos, não fique com essa expressão espantada e incrédula. Você também tem que secar suas roupas. E fechar suas feridas.

Ran fica alguns minutos pasma. Mas ela faz o que Lau lhe disse fazer. Sem qualquer pudor ou vergonha, ela remove o caríssimo vestido de seda, torce e sacode três vezes e pronto, seco e fresco como se tivesse acabado de sair da gaveta.

– Excelente, gatinha. Agora que estamos äpresentáveis, nossos concidadãos que vivem aqui em Londres devem chegar em breve para nos conduzir em segurança.

Como bom clichê de filmes, um carro popular em péssimas condições de conservação se aproxima com vários elementos suspeitos gritando “Táo”.

– Ah, lá vem nossos concidadãos.

– Mestre Zhen, o senhor está bem?

– Perfeitamente bem. Vamos, nós temos muito que fazer.

Ran acompanha seu mestre e entra no apertado espaço. Lau, evidentemente, tira proveito da situação para bolinar sua assassina pessoal. Os demais capangas só olham, babando, sonhando em ter algum dia a chance de conferir o  corpo curvilíneo de Ran. Alguns até tentaram, mas as mortes que tiveram foram horríveis demais até para o submundo.

Quem olha Rao, com visão pouco acurada, vê somente uma garota entre 16 e 18 anos, 158 cm de altura, olhos dourados, cabelos negros com rico penteado enrolado como dois chifres e enfeitado com alguma flor rosada, cujo generoso corpo é coberto com um casual e curto vestido chengsan de cores preto, lavanda decorado com pétalas de rosa escuro, calçada com sapatilhas e tendo tornozeleiras douradas com sinos. Infelizmente seu par de chuís estão irremediavelmente perdidas no fundo do Tâmisa.

– Mestre… o seu ferimento…

– Hm? Ah… não se preocupe, gatinha. Dê uma olhada [Lau abre uma das dobras de seu rico changshan]. Viu? Está cicatrizado… ou quase.

Ran observa incrédula. Ela viu inúmeras feridas, traumas, bem como a forma como o corpo reage. A ferida está com crostas de pus e sangue seco, mas em processo de cicatrização. Impressionante e admirável. Ran tem um estalo e então recorda de quando ela conheceu seu mestre, mas pouco ou nada sabia dele de antes, assim como ele nunca lhe perguntou sobre seu passado. Isso ficou combinado implicitamente quando Lau apareceu no Templo das Quatro Beldades e a levou.

Aliás, Ran mal lembra de como chegou no Templo das Quatro Beldades, mas lembra muito bem de seu longo, duro e árduo dias de treinamento. Ela acha que foi alguns dias, semanas ou meses depois do fim da Guerra do Ópio. Disso Ran lembra terrivelmente bem. Da chegada dos gweilos. Da morte de seu pai e de sua mãe. De seu encarceramento forçado na Missão São Tomé da Índia Oriental como órfã.

Ela fugiu com inúmeras outras crianças, provindas de tantas regiões, da China e outros países. Rixa entre sacerdotes budistas e sacerdotes cristãos, ou camponeses descontentes com a invasão dos gweilos. Quando Ran conseguiu achar um lugar seguro, dormiu e sonhou com uma nobre dama que se identificou como sendo Diaochan e então acordou no Templo das Quatro Beldades.

– Seja bem vinda a esse nobre templo. Por gentileza, lave o rosto, vista estas roupas. Eu a estou aguardando no pátio de treino.

Como se fosse um sonho acordado, Ran se vê de volta à infância, naqueles trapos, mal se distinguindo das demais crianças que se perfilavam no pátio. Magros, esquálidos, alguns doentes, todos famélicos, mas dispostos a qualquer coisa por um pedaço de pão.

– Saudações, jovens aspirantes. Nós os acolhemos sem perguntar por suas vidas. Suas vidas antes de entrar por nossos portões morreram. O que importa, agora, é quem ou o quê vocês se tornarão. Nós daremos a vocês os meios e os métodos. Eu sou Mestre Pai Mei. Diante de vocês, jovens aprendizes, estão as ferramentas. Escolham.

Ran piscou três vezes, sem entender. As demais crianças, famintas, só pensavam em acabar com a instrução e comer. As mas rápidas pegaram as diversas espadas. As seguintes, foram se servindo de diferentes formas de lanças. As lentas tiveram que se contentar com armas de mão.

– Algum problema, jovem aprendiz?

– Mestre, ferramentas são coisas para usar, para acrescentar, para aprimorar nossas habilidades naturais e inatas?

– Ora, ora, parabéns, jovem aprendiz. Qual ferramenta te complementa?

– Eu gostei destas, mestre.

As demais crianças riem. Foi o primeiro encontro de Ran com as chuís. Menores, sem cores, mas igualmente mortais.

– Intrigante escolha, jovem aprendiz. Consegue manuseá-las?

– Consigo, mestre.

– Excelente, jovem aprendiz. Junte-se aos seus irmãos e irmãs. Começaremos a prática.

Timidamente, com alguma dificuldade, Ran obedeceu, ignorou as risadas e as piadas.

– Jovens aprendizes, a forma mais rápida e eficiente de aprender a Arte da Luta é lutando. Eu lhes pouparei aulas chatas sobre equilíbrio, respiração e pose. Escolham um dos círculos, escolham um adversário. Vejamos como se saem.

Ran lembra nitidamente daquele garoto, pomposo, orgulhoso, no círculo central, desastrosamente se vangloriando de sua espada, sacudindo e desafiando a todos. Ah, a expressão de indiferença, de escárnio, de desprezo que ele fez quando Ran aceitou o desafio! Foi rapidamente apagada por dor, medo, desespero e sangue! A bela espada deixou de ser tão bonita, despedaçada e empoeirada no chão. Naquele dia, apenas seu primeiro, Ran foi a única “jovem aprendiz” que restou em pé.

– Gatinha? Seu corpo está aqui, mas seu espírito está em outro lugar.

– Perdão, mestre. Velhas memórias.

– Qualquer dia nós teremos que nos sentar e nos contar nossas deliciosas memórias, gatinha.

Em um local da Chinatown pouco saudável para estrangeiros conhecerem, homens de feições duras e ameaçadoras rodeiam Lau, aguardando… ordens?

– Senhores, sejam bem-vindos. Eu lhes agradeço por suas presenças e paciência.

– Deixe o papo furado para os gweilos, Lau. Nós queremos resultados.

– Perfeitamente, Higarawa san. Nossos irmãos do Japão poderão nadar no ouro inglês em breve. O ato, a encenação que eu executei com perfeição foi apenas um ato do teatro. Agora, deixemos o conde Fantomhive agir.

– Permita-me, honorável Lau. Nós iremos somente assistir?

– Sim, mestra Ananda. Nós agiremos nas sombras, como sempre fazemos. O importante, aqui, agora é manter nossa aliança. Aqui nós temos reunidos os quatro líderes do Submundo.

– Eu devo concordar com sir Lau. Nós devemos deixar para o governo as ações criminosas visíveis. Eu peço aos distintos presentes que sempre avisem suas ações, afinal, é o meu couro que está sendo arriscado.

– Bem lembrado, barão Cantebury. Nossas operações no Ocidente só são possíveis graças ao “portão” que o senhor nos abriu aqui na Inglaterra. Os navios piratas ingleses vem a calhar para lograr os navios espanhóis e holandeses.

– Desde que a partilha continue sendo interessante para nós, faça suas encenações, Lau. [Higarawa levanta e sai irritado]

– Eu considero que nosso pequeno rendez-vous acabou. Eu devo voltar aos bastidores da corte inglesa. Eu devo cuidar de muitos detalhes para a guerra, cuidando, obviamente, para aumentar nossos ganhos. [Cantebury levanta e sai com pose aristocrática]

– Ah, garotos são tão impacientes e impulsivos. Eu irei enviar o relatório aos nossos colaboradores no Oriente Médio. O que me dá chance de falar de sua acompanhante. Eu conheci muitos membros da seita dos Hashashin. Sua garota é boa no que faz?

– Minha gatinha? A melhor.

– Eu gostaria muito de testar pessoalmente. O corpo dela me agrada.

– Eu não recomendo, mestra Ananda. minha gatinha seria demais até para a senhora.

– Mesmo? Veremos. Quem sabe o dharma ou o karma nos faça nos encontrarmos.

Com a saída dos convidados, Lau muda radicalmente o humor. Sério, levanta do sofá brega e pegando na mão de Ran.

–  Minha gatinha, me perdoe. Eu vou ter que abusar mais de seus generosos dotes.

– Minha vida é servir meu mestre.

– Mesmo assim, gatinha, eu me sinto constrangido. Se algum dia desejar algo, diga e eu te darei.

– Minha existência consiste em satisfazer meu mestre. Mas eu sinto falta de minhas duas amigas.

– Ora, ora… você ficou mesmo fora do ar. Venha, gatinha, que eu tenho dois brinquedos novos para você.

Ran seguiu sem pensar, sem questionar. Lau fez questão de segurar a surpresa. Fez uma enorme firula enquanto abria a porta dupla para seu salão privado, falando “taram”. Os olhos de Ran brilharam e lacrimejaram. Ali, repousando em cima do rico tapete persa, duas chuís, novas em folha.

– Me… mestre! Elas são para mim?

– Evidente, gatinha. Elas não combinam comigo.

– Ah, mestre! Obrigada!

Ran envolve Lau em seus braços, o beija e o abraça de tal forma que deixaria qualquer homem excitado.

– Devagar, gatinha, eu sou um homem em convalescência. Mas como você gostou tanto do meu presente, que tal estrear? Que tal uma revanche contra o “mordomo”? Agora, para valer?

Ran abre enorme sorriso e aperta o coitado do Lau.

– Mesmo? Eu posso, mestre?

[ai]- Sim, você pode. Depois da lua cheia. Quando o conde e seu “mordomo”terão feito a parte que eu estimo que irão fazer. A melhor parte das estratégias é quando suas “peças” fazem exatamente o que você quer sem perceber.

Duas semanas. Muito tempo para esperar. Dedicada, Ran aproveitou o tempo para treinar e praticar mais as coisas que ela aprendeu e aperfeiçoou.

O conde Fantomhive tinha deixado de existir. Quïtou sua “dívida” com o Inferno. O “mordomo”, Sebastian, ainda estava saboreando a alma do seu “dono” quando percebeu que tinha companhia.

– Quem está aí?

– Eu vim exigir revanche. Aquela luta foi encenada. Agora nós podemos lutar para valer.

– Você é aquela garota do Lau… Ran Mao, certo? Garota, volte para casa. Essa é uma luta sem sentido que você não pode ganhar.

– Acha que é o único ser cuja alma e origem remonta do Inferno? Suas maiores e mais  fatais falhas são essa prepotência, arrogância e vaidade. Lute ou morra.

Sebastian, nome humano utilizado por aquele demônio, ficou assombrado e arrepiado enquanto Ran deixava flui a energia negra pelo seu voluptuoso corpo.

– Mas… isso não é possível! Quem… ou o quê… é você.

– Eu sou aquela que vai te mandar de volta de onde você veio.

Alô criançada o Bozonaro chegou

Eu sou de 1965 mas, como a maioria dos brasileiros, eu não percebia o que acontecia no meu país. Foi só com o governo Figueiredo [com a tal da “abertura, lenta e gradual”] que o Brasil e os brasileiros começaram a dar conta que vivíamos em um Regime de Exceção, uma Ditadura [Civil] Militar.

Ditadura militar no Brasil ou Quinta República Brasileira foi o regime instaurado em 1 de abril de 1964 e que durou até 15 de março de 1985, sob comando de sucessivos governos militares. De caráter autoritário e nacionalista, teve início com o golpe militar que derrubou o governo de João Goulart, o então presidente democraticamente eleito. O regime acabou quando José Sarney assumiu a presidência, o que deu início ao período conhecido como Nova República (ou Sexta República). Apesar das promessas iniciais de uma intervenção breve, a ditadura militar durou 21 anos. Além disso, o regime pôs em prática vários Atos Institucionais, culminando com o Ato Institucional Número Cinco (AI-5) de 1968, que vigorou por dez anos. A Constituição de 1946 foi substituída pela Constituição de 1967 e, ao mesmo tempo, o Congresso Nacional foi dissolvido, liberdades civis foram suprimidas e foi criado um código de processo penal militar que permitia que o Exército brasileiro e a Polícia Militar pudessem prender e encarcerar pessoas consideradas suspeitas, além de impossibilitar qualquer revisão judicial. [Wikipedia]

A mudança [se é que se pode definir assim] foi nomeada de Abertura Política que culminou em uma série de acordos, convenções e leis, como a Lei da Anistia.

A Lei da Anistia, no Brasil, é a denominação popular dada à lei n° 6.683, promulgada pelo presidente João Batista Figueiredo em 28 de agosto de 1979, após uma ampla mobilização social, ainda durante a ditadura militar de 1964. [Wikipedia]

Eu lembro bem desse tempo, do governo Figueiredo e do governo Sarnei. Eu duvido que mais alguém lembre da Lei Falcão.

A Lei Falcão (Lei nº 6339/76) foi criada em 1 de julho de 1976 e recebeu o nome de seu criador, o então Ministro da Justiça, Armando Falcão. Esta lei foi criada durante o governo Geisel (vigente de 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979) e visava implementar mudanças em relação às propagandas eleitorais transmitidas por televisão e rádio no território brasileiro . A partir da promulgação da lei, que propôs uma nova redação ao art. 250 do Código Eleitoral, candidatos de quaisquer partidos estavam proibidos de anunciar, em suas propagandas, outras informações além de breves dados sobre sua trajetória de vida. Também era vetada a veiculação de músicas com letra – bem como discursos ou imagens. A única exceção era em relação à foto do candidato, que poderia ser exibida na televisão, juntamente com seu respectivo nome, partido e a leitura de seu currículo. Era permitido, ainda, a menção do horário e local dos comícios. [Wikipedia]

Esse período de transição foi marcado pela maior manifestação pública até então conhecida [algo impossível e impraticável no Regime de Exceção] que foi a Campanha Diretas Já. Ali, o silêncio e a omissão da Rede Globo foi histórico. Foram necessários mais anos e outros eventos para que a Venus Platinada fizesse o Mea Culpa. Mas essa emissora não poderia agir de forma diferente, afinal ela surgiu e cresceu [tornou-se um monopólio, um império midiático] graças aos governos militares. Esse tipo de vínculo existe [embora de forma velada] em outras empresas de comunicação de massa e isso tem tudo a ver com o Sistema de Produção Capitalista, mas esse é outro assunto.

Após o [desastroso] governo Sarney, o Brasil e o brasileiro entra de cabeça no Fenômeno Collor.

Apresentado como “caçador de marajás”, como a “solução contra a corrupção” e como o “candidato anti-sistema”. Parece semelhante? Coincidência não existe. Como é de praxe, a Globo mexeu os pauzinhos, ajudou na eleição de Collor e na sua defenestração. Novamente, coincidência não existe.

Teoricamente nós estávamos vivendo na Sexta República, supostamente um período democrático, mas a propaganda eleitoral ainda seguia os moldes da Lei Falcão, pior, ainda era marcada pela influência do poder financeiro e pelas negociatas [chamadas de “alianças políticas”] por mais tempo de mídia.

Passado o pitoresco e curto mandato de Itamar Franco [o verdadeiro “Pai do Real”] nós tivemos o mandato duplo de Fernando Henrique Cardoso [pegando carona no sucesso do Plano Real, não teve escrúpulo algum em pressionar ou comprar votos pela emenda da reeleição].

O que foi inédito [quase comparável à eleição de Barak Obama nos EUA] foi quando Lula finalmente conseguiu eleger-se por dois mandatos consecutivos e gentilmente serviu de escada para Dilma Rousseff até o fatídico impeachment com ares de conspiração e golpe.

Provavelmente nós teremos que esperar por trinta anos ou mais para que alguém tenha coragem de esclarecer esse momento da História do Brasil, o fato é que desde 31 de agosto de 2016 o Brasil está, até janeiro de 2019, no comando do governo usurpador de Michel Temer. Quando então o Brasil, por escolha do brasileiro, entrará em mais um período ditatorial sob a batuta de Jair Bolsonaro, ex-capitão, deputado federal com inúmeros casos onde expressou publicamente machismo, misoginia, racismo e apologia à tortura e à Ditadura.

O Brasil de 2019 vai reprisar a Alemanha de 1930. Como chegamos a isso? Eu temo ter que desagradar o leitor, mas o ensaio dessa barbárie foi nas Jornadas de Junho de 2013, onde grupos [neo]fascistas deram as caras [ou máscaras], aproveitando os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus.

Foi seguindo a tendência que não demorou a aparecer os “patos amarelos” que [cooptados] ajudaram a Mídia na conspiração/golpe/impeachment. A mesma Mídia e gado que insuflaram o processo [tendencioso, suspeito e nulo] do “Triplex do Guarujá” que resultou na prisão [ilegal, injusta, arbitrária] do ex-presidente Lula. A mesma Mídia e gado que, enfim, apoiaram e ajudaram na eleição do Führer Tupiniquim, tornando o Brasil o IV Reich.

Isso ainda é pouco. Essa eleição ficou marcada na História pelo protagonismo [insidioso] de pessoas, grupos [ou bots] que disseminaram as chamadas fake news por redes sociais e aplicativos de mensagens. Os demais candidatos e partidos não estavam preparados para lidar e enfrentar essa “estratégia de guerrilha midiática”.

Infelizmente nós teremos que lidar com a mesma vergonha com a qual a Alemanha teve que passar.

Escreve Caminha

08cd0bb492207319b23fc1d8ce9c1259_400x400 Mas que raios está acontecendo na Terra de Santa Cruz? Com os padres e Cristo aqui nós chamamos de Terra de Vera Cruz. O que faço eu nesta terra também chamada de Quinto dos Infernos e que palavreado suspeito é este usado no título?

Enfim, eis-me de volta depois de quinhentos anos e não reconheço mais esta terra nem esta gente. Vá lá, nós aqui viemos para explorar e extrair o máximo de riquezas e o nosso modo de colonização não dava o mínimo para ambiente ou urbanização. Eu vi horrorizado e estarrecido na Terra do Além [que não fica Trás dos Montes] quando a Coroa [Portuguesa] veio cá, fugida de Napoleão e digo-vos que não entendo ainda como podem comemorar sete de setembro se não ficaram livres coisa alguma, apenas trocaram a Matriz de Portugal para Inglaterra e depois América do Norte.

Quando eu passei desse mundo para o outro, eu conheci este gajo que se apresentou como John Smith que explicou-me como imigrantes ingleses foram ao Novo Mundo para construir uma nação. Em algum ponto desse sonho algo desandou e John fica cabisbaixo, contrariado e calado quando lhe pergunto sobre seus americanos. Nossos tutores [nesta paragens cada recém chegado recebe seu tutor] dizem que eu devo deixar que ele resolva por conta própria. Mas [Luiz] Camões esticou-me um calhamaço de papel desenhado, clandestinamente e eu acho que isso tem significado.

Eu creio que os mais novos aqui chamam a isso de quadrinhos e [Luiz] Camões esticou-me um tratado da companhia [editora] DC Comics de um gajo que identifica-se como Batman, ou homem-morcego, na minha língua.

Eu sou antiquado, seja assim que digam, eu sou um mero missivista, destas coisas do mundo moderno pouco entendo, mas lendo esta obra eu acho que consigo ver porque John está tão decepcionado com a nação que fundou.

Está a olhos vistos. Um gajo, filho de magnatas, tornando-se um vigilante, um justiceiro, depois que este gajo ficou órfão como resultado de um roubo seguido de homicídio.

Como disse-o anteriormente, eu pouco sei das coisas do mundo moderno, mas países e leis não veem com bons olhos quando o indivíduo age por conta própria para fazer justiça com as mãos.

Na Terra dos Mortos muitos ficaram segurando as tripas quando aconteceu a Guerra Mundial [estranha-me ver que dividiram em dois algo que parece-me bem uniforme]. A população aumentou progressivamente e muitos simplesmente se recusaram a crer que seus filhos e descendentes tinham apoiado e contribuído para este horror que é conhecido como Nazismo e Fascismo. Ora, pois, Batman [e esse Superman] é puro Nazismo e Fascismo e os guri leem essas coisas como se fossem revelações.

Batman é o gajo que usa seus privilégios e riqueza para reprimir e oprimir aquele que o gajo [arrogando a si o cargo de polícia, júri e carrasco] identifica e escolhe como bandido, portanto, adversário, que deve ser imobilizado, preso ou morto.

Interessante notar que o justiceiro vigilante não age sozinho. Ele tem colaboradores. Muitos colaboradores. No Governo, na Polícia, no cidadão comum. Nisso reside o perigo do Batman. Ele não age livremente de forma isolada. Ele consegue agir porque muita gente pensa como ele pensa e agiria exatamente como ele age. Então a violência que ele pratica acaba sendo permitida e endossada pelo rancor do cidadão comum. Tal como os líderes do Nazismo e do Fascismo. Aqueles homens eram meros personagens, pessoas onde a vontade oculta [e escondida] do cidadão comum cristaliza-se. O perigo não é aquela pessoa ou o grupo, mas a mentalidade sombria que está dentro do cidadão comum.

Eu passei de quinhentos anos, a humanidade mal conseguiu superar esse horror, mas corre novamente para esse abraço funesto passados oitenta anos. O que os brasileiros querem e esperam? Mais seis milhões de inocentes mortos? Outro Dachau, Auschwitz? O que vai dizer e falar quando alguém importante, alguém amado, parente ou familiar for colhido sem dó nem piedade nessa onda de ódio, agressividade e violência que o cidadão comum plantou e regou?

Qualquer que seja tua decisão, gentil leitor, faça-a, mas #elenao.

O jovem mestre

Existem dez reinos no Paraíso, dez reinos no Inferno e entre esses reinos tem o Mundo Terreno dividido por dez reinos. Os reinos oram se inclinam para um lado ou outro, os reinos ficam mais próximos ou mais distantes. Existem várias regiões onde as barreiras são tênues e coisas acontecem na fronteira. Não faltam grandes espíritos e grandes pessoas que acabam cometendo algum erro.

Em algum ponto entre Kunlun, Xuanpu e Yaochi, existe o Monastério de Âmbar, de onde saiu o monge Dharma, fundador dos templos do Caminho do Meio e da Arte da Defesa. Ali costumam acontecer muitos milagres e visagens, mas o Mestre Ancião, Len Shan, não estava preparado para o “pacote” que foi deixado nas portas do monastério.

[som de um gongo de bronze][som de pássaros em revoada]

– Haorang, continue o treino com os aspirantes. Eu vou ver quem está em nossa porta.

– Mestre Ancião, deixe que Difu Ling atenda!

– Não há demérito algum no serviço ou em quem o executa. Além do que, eu preciso esticar as pernas.

[risadinhas][sussurros]

– Aspirantes! Mantenham a atenção! O treino não acabou!

Len Shan levanta, alguns ossos estalam, ele respira fundo, suspira e caminha até o portão de entrada. As folhas do portão, peças únicas em madeira, são grandes e pesadas, mas não possuem tranca. O que mantém o monastério em segurança são os pergaminhos mágicos. Nenhum Deus [ou Diabo] pode entrar sem a permissão do Mestre Ancião. Haorang olha por cima do ombro, preocupado com a condição física e saúde do Mestre Ancião, que não tem dificuldade alguma em abrir as imensas folhas do portão com os dedos.

– Sim? Quem é?

Uma breve brisa levanta poeira, mas não há mais outra presença ali. Sábio, o Mestre Ancião nota os indícios de que alguém esteve ali, pelas pegadas e pela assinatura espiritual. Diante dele, tem um cesto, algo se mexe ali e emite sons estranhos.

– Ora… o que temos aqui? Oferenda? Doação?

Len Shan inspeciona o cesto, remexe a manta e descobre o conteúdo misterioso.

– Ora… mas isso é… um bebê!

Len Shan sabe o que é um bebê e sabe de onde vêm. O problema é quem ou como alguém subiu por essas montanhas sagradas [e perigosas] até o monastério para deixar esse bebê? Faz muito tempo que as rotas profanas foram fechadas ou desviadas. Apenas outros mestres velhos ou antigos monastérios sabem da existência do Monastério de Âmbar. Mesmo a frequência da chegada de aspirantes diminuiu nas ultimas décadas, então o abandono de bebês na porta dos monastérios foi algo muito incomum no século recente.

– Então, Mestre Ancião? Quem é?

– Haorang, você não estava treinando os aspirantes?

– Os irmãos gêmeos Qianlyan estão cuidando disso. Quem veio?

– Eu não sei. Ele ainda tem que crescer para nós sabermos.

– Que? Como? Ah! Isso é um bebê!

– Sim, Hoarang, um bebê. Chame Nioutou e Mamien. Eles vão cuidar de nosso pequeno aspirante.

– Mas mestre… um bebê?

– Sim, evidente. Todos que entram no monastério recebem o treinamento.

– Mestre… ele vai morrer!

– Sim, ele irá, se e quando for esse o destino dele.

[o bebê agarra o dedo de Len Shan, demonstrando sua força e espírito de luta]

– Oh, sim… eu vejo que em breve nós teremos um jovem mestre, alguém a quem eu poderei passar os segredos e as chaves desse monastério. Vamos, futuro jovem mestre, nós temos muito a fazer.

Len Shan entrega o cesto vazio para Hoarang e o deixa pasmo, parado no portão, enquanto carrega o bebê para o edifício central. Hoarang fica espantado, surpreso, ciumento e invejoso. Como o discípulo veterano, ele estimava ser o “herdeiro” da posição de mestre daquele monastério.

– Mestre! Mestre! Nós não podemos ficar com um bebê! Como nós iremos amamenta-lo?

– Como? Nossa Senhora Jiwang ou suas inúmeras donzelas irão amamenta-lo.

Len Shan colocou o bebê no chão e começou o “treinamento” dele.

– Mestre… como nós iremos chama-lo? Ele precisa de um nome!

– Precisa? Ora, muito bem. Janchu. Não se esqueça da cortesia ao lidar com o jovem mestre.

Isso não era o que Hoarang queria ou esperava. Agora, pelas regras do monastério ambos são irmãos e devem usar a cortesia. Hoarang queria que Janchu virasse presunto para poder assar, cortar e comer. Len Chan continuou o “treino” com Janchu, ignorando todo o restante.

Ao longo dos dias, Janchu era treinado pelo Mestre Ancião e sua vida corria riscos constantemente com as maquinações de Hoarang. Misteriosamente, as maquinações não funcionavam ou algo acontecia milagrosamente. Os aspirantes flagraram diversas aparições de donzelas no monastério que vinham, não se sabe de onde e saiam, não se sabe por onde, só para amamentar e cuidar do jovem mestre. Os mais afoitos ou ousados, tentavam abraçar e beijar as donzelas, mas as aparições se desvencilhavam feito névoa. Ao longo de quinze anos Janchu cresceu e tornou-se rapidamente o discípulo mais forte, mas rápido e mais esperto de todos.

Mais ou menos nesse tempo, em Svartalfheim, o rei Riguang conduzia, pessoalmente, o Torneio da Conquista, onde todos os jovens do reino podem participar para que o campeão seja o representante do reino na Batalha das Dimensões. Ao seu lado, a bela rainha Heiang não parecia estar interessada ou entusiasmada com a exibição de tantos jovens talentos.

– O que foi querida? Seu olhar está distante e você parece aborrecida com algo.

– Meu querido, meu amor, meu rei… perdoe sua esposa, sua mulher por incomoda-lo, mas eu tenho que falar de Silf.

– Pelos bigodes de Gondor… nós não podemos falar e discutir sobre isso agora.

– Nós temos e devemos discutir sobre isso, sim senhor, agora mesmo! Querido, você sabe muito bem que Silf deveria estar aqui! Foi apenas por sua teimosia que ela foi proibida de participar!

– Isso não será discutido aqui e agora porque foi decidido! Silf não pode participar ponto final! Ela é nossa filha e herdeira do trono. Pode imaginar os problemas que aconteceriam se ela…

[interrompendo]- Ela o quê? Se machucasse? Ficasse ferida? Meu amor, Silf enfrentou e matou sozinha um coelhurso. Eu temeria mais pelos demais participantes.

– Eu não estou te ouvindo, lalalala.

A rainha fica brava e contrariada, fecha a mão como se fosse dar um soco no rei quando o locutor do tornei faz um anúncio.

– Senhoras e senhores! Chegamos, enfim, ao combate final! De um lado, Conde Fourmore, tenente da Guarda Real e o favorito de todos![aplausos, gritos] De outro lado, a Desafiante Mascarada.[vaias, xingamentos] Só um será o campeão!

– Desafiante Mascarada? Que pitoresco. Evidente que Fourmore vai ganhar.

– Será que… eu acho… muito bem, meu amor, meu querido, meu rei. Eu aposto na Desafiante Mascarada. Se ela ganhar, você vai ter que aceitar meu pedido.

– Um pedido seu, hem? [alisando as barbas] Eu aceito a aposta, desde que você aceite um pedido meu, depois que Foursome limpar o chão com essa garota.

– Apostado, pelas barbas de Gondor.

– Apostado, pelas barbas de Gondor.

[mudança de plano][câmera na arena]

Foursome observa seu adversário com desdém.

– Desafiante Mascarada. Eu devo reconhecer que você deve ter tido muita sorte até agora garota. Mas acabou sua sorte. Eu sou o elfo negro mais forte, mais ágil e mais habilidoso que existe. Você não tem a menor chance.

[riso abafado]- Não tenha tanta certeza, “bonitão”. Infelizmente eu vou ter que amassar esse seu rostinho lindo.

[fazendo pose]- Eu sei que eu sou lindo. Não tem garota que não fique impressionada com essas linhas perfeitas. Eu preferiria “acabar” com você de outro jeito, mas paciência. Não leve para o lado pessoal, mas eu vou ganhar esse torneio.

[riso abafado]- Blablabla. Fale menos, faça mais. Mas não adianta chamar pela mamãe que eu não vou parar nem ter dó.

Foursome avança e ataca, com o espírito de luta inflamado. Não fazia diferença alguma a velocidade, a força ou a técnica empregada, era como se a Desafiante Mascarada fosse um fantasma. O inverso, por outro lado, estava sendo complicado, Foursome não conseguia ler os movimentos, os golpes vinham de onde menos era esperado e o impacto estava sendo dolorido. Cinco minutos depois, Foursome caia nocauteado. O locutor, surpreso e confuso, faz o anuncio.

– Senhora e senhores, nós temos uma campeã. Vamos aplaudir a Desafiante Mascarada.

– Mas… isso… é impossível!

– Não seja mau perdedor, querido. Nós temos que ir lá e entregar o troféu.

O rei foi, contrariado, mas ficou intrigado com o sorriso que a rainha desenhava no rosto. O assistente da organização passou o troféu ao rei para este entregar à vencedora. O rei não entendeu quando a rainha ficou do lado da Desafiante Mascarada.

– O meu pedido, meu rei, conforme a aposta que fizemos, é a de confirmar e aceitar como representante de Svartalfheim a desafiante Mascarada, ou devo dizer [tirando o capuz] Silf?

– Ma… mamãe!

– Si… si… si… Silf? [desmaia]

– Pa… papai!

– Ele está bem. Parabéns, meu amor. Você é a campeã e nossa representante na Batalha das Dimensões.

– Mas… como? Mamãe, como descobriu que era eu?

– Ah, meu anjo, isso é segredo de mãe.

Mais ou menos no mesmo momento que mãe e filha riam à beça, em lugar desconhecido, a Organização Caldéia está dando início à Assembleia Geral, para decidir a pauta do dia: a Grande Batalha do Graal.

– Senhoras e senhores, nós temos que decidir. Eu acabei de receber a confirmação de seis embaixadas, dos reinos do Paraíso e do Inferno, confirmando o alinhamento planetário, sinal de que ocorrerá em breve a Batalha das Dimensões. Nós temos apenas três meses para juntar e escolher o time para representar e defender o Mundo Terreno.

– Eu vou entrar em contato com o pessoal da Sailor Moon.

– Eu vou entrar em contato com o pessoal da Pretty Cure.

Depois de alguns minutos com cada delegado listar possíveis interessados, Christian Rosenkreuz consegue uma pausa para almoçar.

– Mestre! Mestre! Eu trago uma mensagem importante!

– Ah, oi Mash. Obrigado. Sente um pouco. Respire. Quer água?

– E… eu estou bem, mestre. Leia a mensagem.

– Mmmm… Loja Grande Oriente, blablabla, singularidade, blablabla. Opa, isso é interessante.

– O… o que é, mestre?

– O Mestre Ancião do Monastério de Âmbar está avisando que tem um candidato a Mestre para a Batalha das Dimensões. Os valores da avaliação são impressionantes. Arturia está disponível? Eu gostaria muito que ela fosse até o Monastério de Âmbar para analisar e avaliar o “candidato a Mestre”.

– Deixe comigo, mestre. Eu vou achar e comunicar Arturia sobre essa missão.

Mash levanta e sai trotando, provocando aquela movimentação sublime de seus seios e nádegas. Christian fica admirando e desejando aquele corpo, mesmo sabendo que é um corpo clonado, artificial. O que explica sua incrível disposição, forma física e resistência. Nos dormitórios dos Servos, Mash sabe exatamente o quarto onde está Arturia. A campainha soa aquela musica suave, um pequeno trecho de alguma musica clássica.

– Sim? Quem é? Ah, oi Mash. O que foi agora?

– Mestre Rosenkreuz confiou em mim para te transmitir essa missão. Você tem que ir até o Monastério de Âmbar para avaliar e analisar o candidato a Mestre.

– Mas que coisa… de novo a Batalha do Graal? Eu achei que isso tinha acabado.

– Não, não acabou. Vamos, nós não temos muito tempo. Nós teremos que trazer esse candidato a Mestre para a Organização Caldéia, antes que outra o faça.

Com pouca delicadeza e elegância, Mash invade o apartamento de Arturia, empurrando-a para tomar banho, trocar de roupa e arrumar a mala. Sem ter muita opção, Arturia se vê, sabe-se lá como, no aeroporto de Frankfrut, pronta para alçar voo até Kovd, Mongólia. Dali, esgueirar-se pelas cordilheiras, “invadir” a China até chegar à montanha de Kunlun. Desconsiderando o lapso temporal inexplicável, Arturia e Mash são recebidas por Difu Ling.

– Saudações nobres viajantes. Vieram pleitear por seu ingresso em nosso monastério?

– Não, porquinho. Nós viemos falar com aquele velho pervertido. Hei, Len? Leeeeen?

Mash afastou Difu Ling e foi entrando. Arturia seguiu, evitando ao máximo passar muito perto de Difu. Quando chegaram no pátio central, onde os aspirantes fazem os treinos, como que por passe de mágica o Mestre Ancião apareceu.

– Ooooi, Mash! Você continua linda e gostosa como sempre!

– Ah! Len! Seu velho pervertido! Ainda não perdeu essa mania de ficar apalpando meus seios não?

– Isso foi engraçado quando você acreditou que era parte da tradição local apalpar os seios como saudação. E quem é sua amiga gostosa?

– Len, essa é Arturia, Arturia, esse é o velho pervertido Len. Fique de olho nele e não o deixe apalpar seus seios.

– Aaah, Mash… só um pouquinho… a senhorita Arturia não se importa se esse pobre velho sentir só um pouquinho esses seus seios maravilhosos, vai?

Arturia cruzou os braços diante do tórax, só acenando negativamente, enquanto ficava entre enojada e escandalizada com esse comportamento vindo de um monge ancião.

– Não, não vai. Ela é praticamente uma rainha. Não é para o seu nível. Nós viemos para ver, avaliar e analisar o jovem mestre.

– Ah… vocês também vieram por causa de Janchu. Nós temos recebido muitas visitas depois da minha mensagem. Eu pude apalpar vários seios.

– Então você não precisa apalpar mais [tapa na mão – ai]. Mostre-nos o jovem mestre.

Len sacode e assopra as mãos. Mash é delicada, mas sabe como dar tapas doídos. No edifício central, Len fez uma reverência e a apresentação.

– Senhoritas, este é Janchu.

Mash ficou olhando o garoto, incrédula e desconfiada. Arturia pensou que o Mestre Ancião tinha ficado gagá de vez. Tecnicamente falando, Mash, Arturia e Janchu tem a “mesma idade”. Arturia duvida que um garoto de quinze anos consiga sequer segurar uma longsword.

– Mestre, quem são essas donzelas?

– Ah, você deve lembrar da Mash [Len tenta apalpar, mas leva outro tapa doido]. Ai! Bom, a outra donzela é Arturia.

– Prazer em conhecê-las. Perdoem os maus modos do Mestre Ancião.

– Ah! Até você, Janchu!

– Bom… hã… perdoe minha interrupção, mas eu tenho que confirmar. Ele é o jovem mestre?

– Ah… eu acho que não. Haorang tem mais tempo que eu como discípulo, as senhoritas devem ter vindo por ele.

– Baba de bisão. Haorang é egoísta, mesquinho, vazio de alma. Essas donzelas vieram para te visitar Janchu.

– Se é assim, jovem mestre, eu devo te analisar e avaliar. Siga-me até o pátio de treinamento.

Arturia caminhou firme e decidida até o pátio de treinamento, sem se importar com o Mestre Ancião babando atrás dela, olhando seu traseiro balançar enquanto ela andava. Janchu a contragosto largou a vassoura e foi ao pátio de treinamento ao lado de Mash.

– Muito bem, jovem mestre. Nós vamos usar espadas de madeira, para ninguém se machucar. Eu vou tentar pegar leve com você. Fique preparado e em posição.

Janchu parecia tímido e introvertido quando segurou a espada de madeira. Arturia respirou fundo e então atacou com movimento fraco e básico. Facilmente bloqueado. Então Arturia recuou e começou a graduar os ataques em técnica e força. Ela ficou surpresa ao ver seus melhores ataques facilmente bloqueados.

– Eu estou convencida de seu potencial, jovem mestre. Mas eu ainda quero fazer o ultimo teste. Eu vou usar parte da minha energia espiritual. Eu irei te atacar com a Excalibur. Com esta espada de madeira, o poder estará diminuído, mas servirá para medir sua força espiritual. Pronto?

Mesmo sendo manifestada por uma espada de madeira, Excalibur provoca rachaduras no solo, revoada de galhos e fende a muralha do lado oeste. O jovem mestre consegue bloquear e aguentar o impacto do golpe.

– Ufa. Isso foi cansativo e impressionante. Jovem mestre, pegue suas coisas, nós vamos leva-lo até a Organização Caldéia.

– Mas já? Olha, está ficando tarde e aqui venta muito de noite. Por que não pernoitam aqui?

– Só se você prometer que não vai tentar invadir nosso quarto, nem tentar subir em nossas camas e tão pouco tentar nos comer, Len!

– Ah, Mash! Não foi isso que você falou e fez na ultima vez que veio nos visitar.

– Shut up! Damare! Schweigen! Você prometeu que ia guardar segredo!

– Eu prometi não falar para ninguém fora do mosteiro. A senhorita Arturia está no mosteiro e duvido que ela não saiba de seus “passeios”.

Mash fica vermelha e muito brava. Bate e soca o Mestre Ancião que gosta tanto da “atenção” que fica com uma ereção. Arturia está pasma, em choque, congelada. Ventos assopram, cada vez com mais intensidade, o que faz com que todos entrem no edifício principal. Rapidamente escurece [nessas montanhas a luz, no verão, dura cerca de seis horas, no inverno, dura quatro horas] e todos tem que concordar e arrumar os quartos conforme a conveniência. No meio da noite teve tumulto, Len tentou invadir o quarto das meninas e fazer coisas com elas. Janchu deu tranquilizantes ao mestre Ancião e todos puderam dormir serenamente.

A manhã seguinte, gelada, foi recebida pelas neves eternas dos picos de Kunlun. Os discípulos e aspirantes acordaram e começaram os serviços do monastério. Arturia acordou poucos minutos depois, a despeito do frio, seguida por Mash. O Mestre Ancião dormia e roncava sonoramente, mas ninguém foi acorda-lo.

– Bom dia, senhoritas. Eu trouxe um chá bem quente para vocês.

[dueto]- Ah… obrigada.

[Mash]- E aí, Arturia? O que acha do jovem mestre?

[Arturia]- Hm? Ah, ele. Eu já disse minha avaliação.

[Mash]- Não estou falando disso, bobinha… eu falo de outra coisa.

[acanhada]- Isso não é apropriado, Mash. Nós estamos aqui por uma missão.

[cutucando]- Ah, qual é, Arturia? Ele é uma gracinha.

Arturia tenta segurara xícara, cutucada e impulsionada por Mash, mas sem sucesso. A bela e decorada porcelana se desfaz em pedaços pelo chão.

[brava]- Viu só o que você fez?

[choramingando]- De… desculpa! Não foi por querer!

[Janchu]- Senhoritas, algum problema? Ah! A xícara caiu. Vocês ficaram queimadas com a água quente? [sinalização negativa] Ah, que alívio. Deixe que eu limpo tudo.

Janchu ficou concentrado e compenetrado na limpeza. Não percebeu a expressão de tarada que Mash fazia, olhando para ele de joelhos na frente dela. Grosseiramente, cutucou ainda mais Arturia, fazendo caras e bocas na direção dela, como se insinuasse algo.

– Pronto. Agora, se me dão licença, eu vou me arrumar. Cinco minutos está bom? [sinalização positiva] Excelente. Nós nos vemos no portão daqui a cinco minutos.

Arturia teve trabalho para segurar e evitar que Mash seguisse o jovem mestre. Mash queria olhar “só alguns minutinhos” o jovem mestre se arrumando. Arturia deu uma bronca na Mash. Por causa de comportamentos assim que o Mestre Ancião se dá certas liberdades. A bronca durou bastante tempo. Janchu flagrou Arturia ainda repreendendo Mash.

– Senhoritas, eu estou pronto. Se tudo estiver certo, nós podemos partir.

[Arturia]- Hã? Quê? Mas já? [olhando o relógio] Bom… sim… tudo certo… nós podemos partir. [faz sinal de que vai ficar de olho na direção de Mash]

Um helicóptero Chinook decorado com o símbolo da NERV chega e pousa para embarque rápido. [leia as outras estórias para entender o vínculo da Organização Caldéia com a NERV] Arturia e Mash entram pouco depois que Janchu as ajudou a embarcar. Arturia ficou encarando Mash com expressão bem séria e brava porque Mash ficou com aquela expressão abobalhada e tarada quando pegou na mão do jovem mestre.

No mesmo momento em que o helicóptero segue voando até a Organização Caldéia, um avião [ou um pássaro mágico] levanta vôo, saindo do reino dos Elfos Negros com destino à Organização Caldéia. Entre os passageiros, está Silf, despedindo-se de sua mãe, comunicando-se com ela através de um cristal mágico.

– Eu te prometo, mãe. Eu vou acabar com esses torneios.

– Eu acredito em você, meu anjo. Você tem todo meu apoio. Você pode me chamar sempre que quiser, oquei?

– Eu também te amo, mamãe. O papai também. Diga que eu mandei para ele um beijo e um abraço.

– Digo sim, meu anjo. Boa viagem.

Não muito longe, enfurnado no trono, o rei está com um beiço enorme que sobressai na barba.

– Algum problema, meu querido, meu esposo, meu rei?

[resmungando]- Vocês estão indo longe demais. Como se não bastasse terem me forçado a concordar em enviar Silf como representante do reino, agora vocês estão conspirando com a destruição do troneio.

[respirando fundo]- Meu amor, você mesmo não proibiu Silf de participar com receio de que ela se machucasse?

[atrapalhado]- Sim… mas…

[interrompendo]- Então como bom regente, você deve pensar em todas as famílias de seus súditos, nobres ou cidadãos, no sofrimento que devem sentir por ter que mandar um filho ou filha para esses torneios, sem saber se irão vê-los novamente.

[constrangido]- Sim… mas… acontece que…

[interrompendo]- Então nossa obrigação com nossos cidadãos, nobres e futuros reis é o de acabar com esses torneios. Se tem alguém capaz de fazer isso, é nossa filha, Silf. Eu confio e apoio ela. Você deveria fazer o mesmo. Ela estará lá sozinha, não apenas por ela mesma, mas por nós e pelos seus irmãos e irmãs. Você não tem ideia do quanto ela nos ama.

[resmungando]- E… eu vou ao santuário de Gondor. Eu vou… orar pela segurança de Silf.

Escondido de todo mundo [até de sua amada esposa], o rei cai de joelhos e chora copiosamente diante da estátua de Gondor.

Voltamos para o cenário do aeroporto de Frankfurt. Nas pistas mundanas, o helicóptero Chinook pousa para que o jovem mestre, Arturia e Mash possam descer. Novamente, Arturia passa por dificuldade em controlar Mash, quando esta pega na mão do jovem mestre, gentileza oferecida para que elas pudessem descer. Depois ela dá outra bronca nela. Na área de pouso, Rin e Emiya aguardam a chegada dos três diante do veículo [blindado] da organização. Quando é seguro, Rin se aproxima e saúda o grupo.

– Saudações, jovem mestre. As recomendações que recebemos do senhor são as melhores possíveis. Como Mestra veterana, eu irei guia-lo e orienta-lo nas instalações da Organização Caldéia. Muito prazer, meu nome é Rin.

– O prazer é meu, Mestra Rin. Obrigado por vir me receber e por sua gentil orientação. Eu estou aos seus cuidados. Por favor, cuide bem de mim.

Enquanto Rin e Janchu apertam as mãos formalmente, Mash cutuca Arturia vigorosamente. Arturia reclama de dor e encara, muito séria e brava, Mash.

– Hei, Arturia… nós vamos só ficar paradas, olhando? Se não fizermos nada, Rin vai “experimentar” primeiro o jovem mestre.

– Mash! Não fique falando indecências!

[Rin]- Algum problema aí? Servos não devem ficar conversando ou falando bobagens. Essa é uma conversa entre Mestres. Servos devem ficar calados. Senhor Janchu, entre comigo no veículo que meu Servo irá nos levar até a Organização Caldéia.

– Claro… mas e Mash e Arturia?

– Servos tem seus próprios meios de locomoção. Não se preocupe com elas. Vamos.

Mal Rin dá a volta na direção do veículo, Mash mostra a língua e abaixa a pálpebra de um olho com o dedo. Emiya viu e ficou com aquele olhar fulminante. Arturia estava desesperada, sem saber onde enfiava a cabeça.

– Lá vão eles. E a nossa chance de estrear o jovem mestre se foi.

[gritando]- Mash!

– Ai meu ouvido. Nem vem, Arturia. Você pode convencer os outros Servos e Mestres com essa sua fachada de donzela, mas não eu. Eu sei que você também ficou molhadinha e a fim de fazer safadeza com o jovem mestre.

[gritando]- Excalibur!

Próximo dali, na ala e asa não conhecida do aeroporto de Frankfurt, Silf desembarca com os demais passageiros. O estrondo exagerado do Espírito Nobre a atrai para o local do evento. Silf se depara com duas Servas, uma tostada e a outra muito irritada. Com naturalidade, Silf se aproxima das duas e se apresenta.

– Oi? Eu sou Silf. Eu vim representar Svartalfheim. E vocês, quem são?

Arturia arruma o cabelo e como se não tivesse acontecido coisa alguma, faz as apresentações.

– Saudações, Vossa Majestade. Eu a estava aguardando. Eu sou Arturia Pendragon, Serva classe Saber. Aquela é Mash Kyrielight, Serva classe Shield.

– Muito prazer. Por favor, pule essa coisa de “Vossa Majestade”, porque eu sou uma Serva como vocês, classe Rogue. Podem me levar até a Organização Caldéia?

Mais afastado dali, na rodovia, Rin estuda atentamente o jovem mestre.

– Eu espero que aquelas duas Servas não tenham aborrecido ou incomodado o jovem mestre.

– Hã? Quê? Ah! Não… não… elas não me incomodaram nem me aborreceram.

– Eu espero que não. Eu conheço aquelas duas. Seria muito ruim para a organização se elas fizessem coisas impróprias com o jovem mestre.

– Eu não creio que a senhorita Mash ou a senhorita Arturia sejam capazes de fazer algo impróprio.

– Eu acredito em você, jovem mestre. Mas se elas não fizeram é porque não conseguiram ou não tiveram a oportunidade. Como sua orientadora, eu devo alerta-lo que relacionamentos amorosos ou sexuais entre Mestres e Servos são proibidos. Muitas instituições e famílias ficaram maculadas com os boatos. Casos pontuais tiveram que ser rigidamente corrigidos. Se algo parecido ou similar acontecer com o jovem mestre, alerte-me imediatamente.

– Po… pode deixar… eu te aviso, Mestra Rin.

– Bom menino. [Rin levanta, senta e se posiciona de tal forma que fica bem perto do jovem mestre] Entretanto é bom que você saiba [alisando] que relacionamentos amorosos ou sexuais entre Mestres são permitidos e até encorajados. [apalpando] Você tem namorada? Amante? Ficante? Rolo, cacho, fuckbuddy?

– Eeeh? N… não, Mestra Rin [ficando excitado]. Mas eu tenho o conhecimento da Arte de Eros. Quando eu atingi a maturidade física, mental e espiritual, as donzelas celestes me ensinaram tudo o que eu tinha que saber sobre o contato carnal.

[risos]- Tudo, mesmo? [abrindo o ziper] Isso eu irei avaliar.

Enquanto Rin se ocupa em “avaliar” o jovem mestre mas detalhadamente, Silf, Mash e Arturia chegam na Organização Caldéia.

– Nossa! Isso aqui é enorme!

– Você não viu nada. Este é apenas um dos saguões de entrada. Venha, eu vou te mostrar o Parque Central.

Mash puxa Silf pela mão, sendo acompanhada de perto por Arturia, receosa do que Mash poderia falar, mostrar ou fazer com a recruta. As três pararam na larga varanda de um enorme corredor circular. Dois andares abaixo, Servos e Mestres de todo tipo e tamanho circulavam, conversavam, comiam e paqueravam. Mash fez um amplo movimento com os braços, abrindo-os, como se apresentasse o cenário.

– Tcharaaam!

– Uau! Quanta gente!

– Sim. E o que não aqui falta é sexo. Você vai encontrar muitos gatinhos aqui. Mas se preferir, também irá encontrar gatinhas.

– Mas… não é proibido?

– Oficialmente, sim. Nós temos que enganar o público. Internamente, não existem proibições ou restrições. Veja por exemplo a Arturia. [aponta] Todo mundo acha que ela é a donzela pura, virgem e intocada. Pois a “milhagem” dela é maior do que a minha.

[acanhada]- Não fique falando isso, Mash… eu fico com vergonha.

– Pois não deveria. Nada mais normal, natural e saudável do que as pessoas sentirem atração por outras pessoas e se esfregar. Vamos dar uma volta na multidão e vamos pegar alguns “lanchinhos”.

Arturia seguiu as duas, desanimada e decepcionada no começo, mas rapidamente deixou o recato de lado assim que enturmou e não demorou em achar um sortudo para rechear de creme seu lindo e precioso brioche. Mash acabou sumindo também e ocupou suas coxas com exercícios vigorosos. Silf perambulou no meio daquela multidão, conheceu, conversou, até que [sorte] ela encontrou o jovem mestre [ou ele a encontrou]. Não precisaram de muitas palavras, os corpos estavam muito mais eloquentes. Ambos esqueceram por completo o que os tinha motivado até aquele momento. Esqueceram e ignoraram qualquer aviso, proibição ou regra.

Final feliz: não existia mesmo qualquer regra ou restrição. Rin falou o que falou para tentar segurar o jovem mestre só para ela. Com os Servos e Mestres mais interessados [e ocupados] nessa ginástica de Eros e Afrodite, as lutas não ocorreram. Com o crescimento da presença de filhos e filhas resultantes das inúmeras consumações carnais entre Mestres e Servos, a Organização Caldéia aboliu por completo as chamadas Batalhas do Graal ou Batalhas das Dimensões.

Memórias apócrifas de Lilitu

[ATENÇÃO! NSFW!]

Como o ser humano imagina o Paraíso?

Como lugar de paz, tranquilidade, harmonia, serenidade e pureza.

A descrição da aparência física do Paraíso parece muito com comerciais de imóveis que nós conhecemos, mas não nos enganemos, ainda que dourada, é uma gaiola e nesse lugar de “perfeição” não há espaço para coisas mundanas.

Eu só sei que esse não é lugar para minha pessoa, eu sou pagão, meu lugar é em Tir Na Nog, junto com meus ancestrais, mas eu fui mandado para esse antro de carolas por causa de uma missão.

No meio desse monte de espíritos puros e retos, aréolas, harpas, asas e túnicas alvas, eu a vi. Bronzeando-se debaixo dos raios de luz que as torres do Paraíso emitem. Ela estava completamente nua, languida, sem medo ou receio de sua aparência. Eu sei quem ela é e ela me conhece. Eu aceno e ela desliza os óculos ray-ban por aquele nariz perfeito decorado com piercings, pra fazer aquele olhar de pôquer, olhando de volta para mim.

Eu a descrevi com bastante propriedade nesses termos:

“Eis a forma do espírito do vento que fala, assume sua mais exuberante forma, humana, fêmea, cabelos negros como a noite, seios cheios e redondos como a lua, pele alva como a neve, lábios vermelhos como sangue, olhos púrpuras, com dois chifres adornando sua bela fronte e seus pés parecem mais com os pés da coruja que vaga pelo crepúsculo.”

Ela desliza os óculos ray-ban de volta, com expressão de incômodo, de irritação. Sem muita preocupação com o publico em nossa volta, ela simplesmente se levanta, provocando aquele chacoalhar tão maravilhoso em seus seios e nádegas. Muitos daqueles “espíritos puros” desmaiam, entram em choque, tem ereções ou sangramentos nasais. Impossível ter algum controle quando se fala dela ou de vê-la. Eu sei que minhas calças estão sofrendo desde que eu percebi a presença dela. Alguma coisa parece perto de explodir quando ela fica diante de mim com aqueles seios, coxas, quadris… hã… onde eu estava mesmo? Ah, sim, Lilitu.

– Escriba, o quem faz aqui? Não tinha se aposentado? Ou melhor, morrido?

Eu explico o motivo de minha presença ali e de estar ainda trabalhando. A expressão dela, séria, rígida, irritada, dá lugar a um sorriso… aquele sorriso… ah, merda. Eu estou todo melado com meu próprio sêmen.

[risos]- Eu agradeço e me sinto homenageada e lisonjeada com tal imensa demonstração de devoção. Eu acho que você é o único que me perguntou e ouviu a minha estória. Eu acho que você é o único que conseguiu sobreviver ao meu… “tratamento”[risos].

– Então, podemos fazer uma entrevista de verdade, uma onde você conta sua história, com as suas palavras?

– Você quer dizer uma que seja as minhas palavras, sem intermediários e sem mistificação? Eu não creio que sua audiência esteja pronta.

[provocando]- Desde quando isso te importa?

[dando de ombros]- Nunca. O couro é seu. Passa essa porra que eu escrevo.

Então, Juli-chan, sabe aquela parada de Jardim do Eden? Foi ali que eu nasci, se bem que o nome certo é E.din.gir, ou a Cidade dos Deuses, onde Anu chegou e fez a colônia para os Deuses das Estrelas. Tudo estava indo bem até que os servos [seres clonados] Igigi rebelaram-se contra seus senhores. Os Filhos de Anu [Annunaki] iriam precisar de outro “gado” para suas minas de ouro. Veio de Enki a ideia “genial” de usar as espécies com potencial de desenvolvimento para formar os protótipos de servos, os Lulum, seres de pigmentação escura, oriundos dos primatas. Enki pegou o DNA desses antropoides para dar forma para o Primeiro Humano [“ADaN”] que, por questão de economia e eficiência, era [para usar um termo humano] hermafrodita. Originalmente essa era a minha natureza e constituição, eu era a “outra metade” do meu irmão gêmeo.

Responda rápido, Juli-chan, porque Deus [aqui entendido este cultuado pela sua gente], “criou o mundo” em seis dias? Por que Ele, sendo Onipotente, tinha que “descansar no sétimo dia”? Seus amigos cristãos, judeus e muçulmanos não saberão responder por que o sétimo dia [sábado] é sagrado.

Desculpe o spoiler, mas tem a ver com a lua, aquela que rege os dias da semana e suas regras. O fim da tarde de sexta-feira, quando está para começar o sábado, nas tradições abraãmicas, é uma pobre imitação dos cultos e rituais feitos por todo o Oriente Médio à Rainha dos Céus, igualmente conhecida como Inanna, Ishtar, Astarte, Venus… Lucifer. Guarde bem seus muitos nomes, eu voltarei a falar dEla depois.

Voltemos para Enki e seus… assistentes… que sua gente conhece por Elohim. Seus amigos cristãos, judeus e muçulmanos vão negar, mas o Deus que eles cultuam é apenas um dos Deuses [nem o maior ou mais poderoso] que fazem parte do Elohim. A “pressa” em “entregar a obra” fica esclarecida. Mas… o que acontece com o que fica esperando para receber forma? O que acontece com o que fica “pela metade”? Acontece o que aconteceu. Seres inumanos, demônios, gênios, fadas, elfos, duendes, sombras, espectros e demais seres, os seres “das sombras”. Eu voltarei a falar deles depois. Vamos para a parte do drama.

Euzinha estava vivendo muito bem e tranquila, sequer sem me dar conta de que eu e meu irmão gêmeo éramos hermafroditas. Eu… melhor dizendo… nós… fomos escolhidos dentre os Lulum por nossas características, talentos e potencialidades. Em nossa inocência e ingenuidade, ser “escolhida”, ser “chamada pelos Deuses” era [ainda é] o sonho de toda criatura servil. Ah, sim… a ignorância… foi uma benção… nós caminhamos, saltitantes e alegres, através daqueles corredores, felizes e esfuziantes. Erro e ilusão. Gado sempre será gado.

Eu… melhor dizendo… nós… não entendemos coisa alguma quando fomos colocados, com brutalidade, naquela superfície lisa e gelada, debaixo de algo luminoso, tendo nossos membros firmemente presos em anilhas. Sim… confusão… medo… quando nós vimos aquela lâmina cerrada, que nós tínhamos visto tantas vezes sendo usadas em outros animais, agora pronta e apontando em nossa direção. Dor, muita dor, dor insuportável. Nós sentíamos nossas carnes sendo lentamente separadas, rasgadas, dilaceradas, por aquele serrilhado. Nós choramos, nós gritamos, nós suplicamos, mas nós não podíamos esperar qualquer compaixão ou misericórdia. Nós éramos gado, coisas, propriedades. Quando o “nós” virou o “eu”, a carne ainda queimava, latejava, pulsava e sangrava.

“Eis que o Homem foi feito à nossa imagem e semelhança”. Disse Enki, orgulhoso. Agora os Deuses teriam servos perfeitos e ideais, dependentes e mortais. Ao separar nossa natureza [perfeita e semidivina] em duas partes distintas, Enki quis dispensar a necessidade [custosa] de gerar mais clones, pois o Homem tornou-se capaz de gerar [pelo sexo] outra descendência. Esse era a ideia e o plano original. Eu mal tinha adquirido a consciência de minha identidade e personalidade [como indivíduo], mas meus “criadores” tinham previamente estabelecido de que teria que me acasalar com meu próprio irmão para que os “Filhos dos Deuses” fossem numerosos como as estrelas. Isso certamente deve constituir atualmente a base de muitas das frustrações, proibições e recalques que o ser humano adquiriu, mas regras, limites e tabus não existem para os Deuses. Não foi uma boa “infância”, mas lá estava eu e ADaN, sozinhos e nus, naquele laboratório.

Sim… podem me xingar, podem me condenar. Que digam que essa é a minha natureza, a minha inclinação. Eu só sei que sentia um terrível e enorme vazio. Ora bolas… eu tinha perdido metade do meu corpo original, eu tinha sangrado pracacete e eu tinha que aprender a lidar rapidamente com novas sensações e necessidades que meu corpo tinha despertado em mim. Usando palavreado humano, eu dei uma surra de xana em meu irmão. Ele não reclamou, que isso fique registrado, ele até gostou, considerando o volume daquele líquido quente, gelatinoso e esbranquiçado que ele injetou dentro de mim. Mal eu sabia o que era aquilo, mas eu fiquei rapidamente viciada e o coitado do meu irmão era a única fonte que eu conhecia. Eu quase matei meu irmão, drenando sua força vital das mais variadas formas. Eu só parei quando eu fiquei satisfeita e vencida pelo cansaço. Quando eu acordei foi que “aquilo” virou problema… que, pelo visto, continua até os dias de hoje [risos]. Eu fui separada do meu amado irmão porque… bem… eu só queria receber mais daquele líquido. A lenda que dizem que eu me rebelei porque me recusava a me deitar debaixo dele, supostamente por aquilo ser submissão e humilhação… esqueçam. Esse papinho pós-moderno [feminista?] que a mulher [fêmea] que cede é submissa nunca sacou nem percebeu que, mesmo debaixo do macho [homem], quem dita o sexo [o relacionamento] é a fêmea [mulher], submissão é parte do jogo, da estratégia, seus bocós.

Enfim, eu estava sendo levada, separada do meu primeiro e único macho. Dizem que deram outra para ele, uma Marcela Temer da vida, bela, recatada e do lar. Eu senti um tipo de dor diferente, eu aprendi ter raiva e ódio. Eu também voltei a sentir medo, porque não sabia onde me levavam. Jovem e inexperiente, eu achei que estavam me levando para fazer coisas horríveis e então me matariam. Um dos guardas que me levavam se chamava Samael e aquele pelotão teve uma ideia melhor de como usar os meus… talentos. Novamente, eu fiquei confusa e cheia de incertezas quando Samael explicou o que ele e “seus homens” queriam comigo, eu achei que eu tinha sido criada para ser “mulher de um homem só”, como infelizmente as mulheres humanas parecem acreditar. Foi ali que eu aprendi que todo homem é igual [no físico e nos desejos] e que eu conseguiria colher mais daquele líquido [incluindo a parte divertida] tendo mais parceiros. Eu não sei como sua gente vai entender isso, mas eu perdi a virgindade das minhas duas orelhas e das minhas duas narinas [risos]. Não me pergunte como isso foi possível… eu só sei que entrou e não sobrou orifício algum para explorar.

Melhor impossível, certo? Eu tive que aprender rapidamente que o que não falta é gente invejosa, ciumenta, frustrada, recalcada e infeliz [no amor e no sexo] que vai fazer de tudo para, como vocês dizem, “empatar a foda”. Lembra-se dos seres das sombras? Quando os Igigi deixaram de ser um problema [no estilo da máfia], os “controladores do cu alheio” inventaram que os seres das sombras eram [ou seriam] um obstáculo para o sucesso [e expansão] da Colônia dos Deuses. Qual foi a “solução genial” de Enki e companhia? Quem falou que eu fui “eleita” [escolhida, de novo] para sossegar os ânimos mais exaltados, ganhou um consolo XXXG. A lenda que dizem que eu “voei” [fugi, me exilei, me refugiei] na região do Mar Vermelho… esqueçam. Eu fui largada no meio daquele povaréu só vestindo uma fita de cetim amarrada em lacinho. Pode-se dizer que foi a minha primeira [e alegre] incursão no chamado “Terceiro Mundo” [risos]. Sim, eu cumpri com todo orgulho a minha função de embaixatriz… ou a palavra certa é meretriz? Ah, tanto faz. Você entendeu. Eu atendi a todos e fui amada por todos… sem exceções. Eu sei que isso apenas aumentou a minha reputação entre os humanos, mas o que eu posso fazer se eu sou tão… dedicada?

A minha ocupação como missionária era super bem sucedida. Você deve estar pensando nos… “efeitos colaterais”. Curiosamente eu nunca tive DST. Depois eu descobri que a enorme quantidade de parceiros tornou-me naturalmente imune [parece que a biologia diz isso]. Em compensação eu fiquei grávida incontáveis vezes, eu até botei ovos! Sim, eu tenho bilhões de uma linda descendência, os chamados Lilim. Meu povo e o seu tem uma relação peculiar, vocês procuram o meu povo na necessidade e os caçam quando tem que expurgar suas consciências culpadas. Mesmo assim nós não vamos deixar de atender as suas muitas necessidades, espirituais e carnais. Nós não julgamos nem condenamos. Nós acreditamos que a vida é para ser vivida deliciosamente. Quando vem a morte, nós apenas nos livramos da casca e cá estamos como seres espirituais que existem para conduzi-los ao arrebatamento infinito do êxtase. Sempre que alguém atinge o orgasmo, nós estamos recebendo o reconhecimento que queremos. Então goze, Juli-chan, se entregue e exploda nessa energia que alimenta as estrelas.

Euzinha estava tendo a vida que uma mulher, fêmea [ou demônia] poderia pedir aos Deuses, fazendo aquilo que eu quisesse [geralmente muito sexo] com todas as formas de espécies [eu sinto que isso mexe com muitos tabus, mas eu trepo com tudo que vive]. Eu não sei bem como [ou por decisão de quem] isso aconteceu, mas eu rapidamente virei a Princesa das Trevas, elevada até a Deusa da Lua Negra, seja lá qual porra isso signifique. Que seja registrado: se eu sou a rebelde que se libertou da opressão, então deixa eu ser a porra da rebelde que vive livre como eu decido viver. Eu sou eu e só eu decido o que eu sou.

Muito prazer, meu nome é Lilitu. Eu não sou a porra da Rainha do Inferno, eu não sou a porra da Deusa da Lua Negra, eu não sou a porra da regente de Gamaliel, eu não tenho qualquer associação com Satan ou os Anjos Caídos. Eles são umas gracinhas, eu trepo com eles muito, mas é só sexo. Eu sou agente da minha própria pessoa. A melhor definição de quem eu sou é “espírito do vento”, ou “espírito da noite”, pode me chamar de “súcubo”, de “vampira”. Podem me chamar de “devoradora de homens”, se quiser, eu reconheço que sêmen [não sangue] é meu prato favorito. Oquei, eu comi minhas próprias crias e isso me associa ao aborto espontâneo, ao natimorto e à morte prematura, bem como aos pesadelos noturnos, ao desaparecimento de bebês e crianças, incluindo o abandono parental. Mas cuidado ao apontar o dedo, humanos, pois eu sei e vi tudo que sua gente fez com sua própria espécie. E acredite ou não, vocês apelam para mim e o meu povo para fazer esse serviço sujo. Novamente, não me condenem se eu sou muito dedicada.

Então é confuso para eu também ver como sua gente lida com o meu povo. Nós vemos vocês, todos comportadinhos, dentro de templos, ouvindo as palavras ditas sagradas, emitidas por uma pessoa autoproclamada sacerdote de algum ser supremo [ou que assim se alega] e nós vemos como vocês mudam facilmente de roupa [máscara] assim que saem desse transe autoimposto, fazendo exatamente aquilo que não deveriam fazer até que BAM bate a culpa, o remorso, o arrependimento e o MEDO de assumir a responsabilidade das merdas que vocês mesmos fazem. Quando a coisa fica feia, quando a coisa aperta, vocês vem pedir para nós… constrangidos, incomodados, contorcendo-se com nojo e repulsa por causa da aparência que nós temos. Ah, humanos, se vocês se vissem como nós os vemos, vomitariam.

Eu não sei o que é pior, gente que finge adorar um Deus que sequer existe ou gente que se diz bruxo/sacerdote das religiões antigas, da Bruxaria, mas fica com nojinho. Exceto poucos que são realmente dedicados e sinceros [e eu adoro o escriba por isso], que fique registrado para esses bocós que ficam brincando com meu povo: Bruxaria é Natureza? Então que porra da parte que matar, morrer, sangrar, dilacerar [usar sangue, ossos, tripas e outros itens corporais] também é Bruxaria você não entendeu? Que parte que sexo [bem feito, com penetração] você não entendeu? Que parte que “bruxa que não amaldiçoa não cura” você não entendeu? Vocês ainda estão presos aos tabus, proibições, limites e doutrinações que a sociedade [grupo ou ordem religiosa] os mantém.

Isso pode e vai surpreender e chocar sua gente, mas como disse o escriba [e eu fico arrepiada com isso], não é possível nem existe crescimento espiritual sem que a carne seja exercitada [ou excitada]. Ah sim, isso vai abalar as estruturas de suas espiritualidades, mas carne e espírito não estão em conflito. O que mais se faz no Mundo Espiritual é trepar. Sexo é a ferramenta mais útil e mais acessível para o Caminho Espiritual. Os povos antigos mantinham hieródulos e praticavam a prostituição sagrada com essa intenção. Quando se represa ou se proíbe o fluxo normal, natural e saudável do prazer, do desejo e do sexo, o resultado é sempre fome, miséria e guerra. Se o povo mantém governantes que os oprime, os reprime e os controla, então são coniventes com esse sistema. Se o caminho para a libertação passa pela reconquista da posse sobre seu corpo, então liberte seu corpo, expresse seus desejos, seus prazeres, sem condições, sem proibições, sem tabus. Esse é o meu trabalho. Eu sou esta que te empurra quando você desperta sua libido, sua luxúria. Quando você atingir o orgasmo múltiplo, me agradeça.

Faltou falar do principal. Eu sou aquela que te impulsiona e te faz vencer o medo, a vergonha, o recato, a timidez, a insegurança, a pouca autoestima. Toda força impulsiona para alguma direção. Essa ginástica divina que é executada nos edredons não pode ser diferente. Anote isso: DST só acontece porque sua gente não desenvolveu imunidade natural e isso é sintoma da falta de sexo. Fodam bastante e a DST vai deixar de existir. Queimem suas carnes e atinjam a transcendência. A carne se torna Luz. O sexo é fundamental para o Amor. O prazer é a via para a Verdade. Esse é o jeito que eu encontrei para falar dEla. Chamem-na de Deusa Primordial, de Serpente, de Dragão do Abismo, Inanna, Ishtar, Astarte, Venus. Ou se preferir e se você não pirar, pode chama-la de Cristo. Apenas isto eu posso falar dEla: Amor. Esta é a única potencia divina que desafia [e vence] a Ordem e o Caos. Toda existência, essência, universo, ganha sentido e propósito. Tudo pode ser resumido nessa frase, curta, mas profunda:

Amor é o Todo da Lei.

O paradoxo galináceo

Por que a galinha atravessou a rua?

Piada velha, sem graça, mas que contém um questionamento que é um dilema humano.

O que vai desafiar o leitor inteligente é desvendar o que isso tem a ver com a citação da frase do Doutor Gregory House:

“You can have all the faith you want in spirits, and the afterlife, and heaven and hell, but when it comes to this world, don’t be an idiot. Cause you can tell me you put your faith in God to put you through the day, but when it comes time to cross the road, I know you look both ways.”

Tradução livre: “Você pode ter a fé quer quiser em espíritos, em vida após a morte, no paraíso e no inferno, mas se tratando desse mundo, não seja idiota. Porque você pode me dizer que deposita sua fé em Deus para passar pelo dia, mas quando chega a hora de atravessar a rua, eu sei que você olha para os dois lados.”

Esse seriado ganhou a atenção e a preferência dos ateus por motivos evidentes. Mas eles vão ficar bravos se você lembrar que o Dr House é uma pessoa abstrata, que não tem evidência de existência, então não conta como referência. Possivelmente vão ficar ofendidos se você lembrar que o Dr House também tem comportamento antissocial e narcisista semelhante aos psicopatas.

Então, parafraseando a piada, por que o homem [ou mulher] atravessou a rua, no sentido de ir para a outra vida? Este é o ponto no qual eu irei aproveitar a citação do Dr House para essa reflexão.

Nós olhamos para os dois lados ao atravessar a rua porque nós fomos ensinados. Isso faz parte da educação cívica e da educação de trânsito. Provavelmente seu primo da roça morreria atropelado ao te visitar. Então nós temos que lidar com situações reais, existe rua, existe carro, existe tráfego, existe farol, existe faixa de pedestres e existem Regras de Trânsito.

Eu vou pular a famosa “Aposta de Pascal” por motivos óbvios [em questão de probabilidade é impraticável, portanto, irrelevante], mas eu vou tentar analisar a questão de forma racional, partindo do pressuposto que:

a) há uma “estrada”;

b) há uma “travessia”;

c) há o “outro lado”.

Se você tem que ir, vá com um sorriso. [Coringa]

Cristãos e ateus tem algo em comum. Frequentemente citam algo fora de contexto, quando não cometem inúmeros erros de interpretação de texto, desonestidade e preguiça intelectual, análises superficiais e generalizantes. Essa é uma realidade virtualmente apreensível que eu posso testemunhar das minhas interferências em textos de cristãos e ateus. Eu espero que nenhum dos dois fique estressado, mas a questão é bastante simples de decifrar.

Se houver uma vida além dessa, não há com o que se preocupar porque provavelmente você continuará vivendo exatamente como vive agora. Em alguns casos, isso seria o equivalente ao Inferno, mas tal como o Paraíso, esses lugares são construções feitas pela mente e condicionadas pela cultura. Se não houve uma vida além dessa, não há com o que se preocupar porque provavelmente você não estará mais vivo. Em alguns casos, isso seria o equivalente ao Limbo, mas isso também é uma construção feita pela mente e condicionada pela cultura. Isso pode ser chocante [para cristãos e ateus], mas sua Pós Vida [ou a ausência dela] será algo vazio ou terrivelmente ruim [ou bom] porque você está preso em uma ilusão fabricada por sua mente condicionada pela cultura.

Novamente, por gentileza, eu vou facilitar suas dúvidas, anseios, incertezas, expectativas e medos. Algo bem prosaico, comum: todos os dias você vai dormir e acorda no dia seguinte. Eu vou pressupor que você deita todas as noites em sua cama sem se perguntar se vai ter o “dia seguinte” ou se sequer vai acordar. Quem passou por cirurgia ou teve as famosas EQM deve estar entendendo onde eu quero chegar. O caso é esse: eu não quero chegar a lugar algum, assim como vocês, eu vou estar onde sempre estive e aqui que começa a encrenca.

Respire bem fundo. Solte o ar devagar. Ouça bem: você não é você. Essa pessoa que está lendo esse texto não é o corpo no qual está vestido [encarnado]. Respire bem fundo. Solte o ar devagar. O que morre é o corpo, o veículo, o casco, a “capa” [quem assistiu Altered Carbon?], o “vaso”. Respire bem fundo. Solte o ar devagar. O seu verdadeiro “eu” [que você pode chamar de alma, espírito, self, mente/consciência] é imortal, mas está sujeito às próprias projeções/construções/ilusões que formulou. Respire bem fundo. Solte o ar devagar. Você [seu verdadeiro “eu”] escolhe o meio, o ambiente, a realidade na qual será inserido/encarnado/despertado. Respire bem fundo. Solte o ar devagar. Absolutamente TODAS as teorias, relatos e experiências do Pós Vida são produtos derivados dessas formulações. Pessoas [com boa ou má intenção] vão tomar essas teorias e relatos como Verdade e vão disseminar a Doutrina que melhor se encaixar nas preferências pessoais desse grupo ou padrão religioso. Olhando bem, não é muito diferente das panelinhas que surgem na escola. Gente presas em bolhas, achando que são reais e não se dão conta de que existe um imenso mundo… lá fora… “do outro lado”.

Talvez seja este o real motivo pelo qual a galinha atravessou a rua. Estava farta de viver dentro de limites, padrões, fronteiras, sistemas, doutrinas. Ela queria simplesmente viver… livre.